Mercado imobiliário

Vendas de imóveis crescem quase 200% na Região de São Carlos em 2025

O volume de locações cresceu 170,93% ante o ano anterior, segundo dados de pesquisa realizada pelo CRECISP

12 FEV 2026 • POR Da redação • 06h45
A maioria dos imóveis alugados foram casas, num total de 56%. Outras 44% de locações foram de apartamentos - SCA

A venda de imóveis saltou 194,89% durante o ano de 2025 em comparação a 2024 na Região de São Carlos. O volume de locações cresceu 170,93% ante o ano anterior. Os dados são do CRECISP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo) e fazem parte de uma pesquisa que abrange 2.690 corretores de imóveis, 521 imobiliárias e 26 municípios.

A região pesquisada inclui os seguintes municípios: Américo Brasiliense, Araraquara, Boa Esperança do Sul, Caconde, Casa Branca, Descalvado, Divinolândia, Dobrada, Dourado, Gavião Peixoto, Ibaté, Itirapina, Itobi, Matão, Motuca, Nova Europa, Porto Ferreira, Ribeirão Bonito, Rincão, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Ernestina, Santa Lúcia, Santa Rita do Passa Quatro, São Carlos, São José do Rio Pardo, São Sebastião da Grama, Tabatinga, Tambaú, Tapiratiba e Trabiju.

DEZEMBRO DE 2026 – O volume de locações cresceu 70,9% na região de São Carlos em dezembro de 2025 ante novembro de 2025. A maioria dos imóveis alugados foi de casas, num total de 56%. Outros 44% das locações foram de apartamentos.

Em dezembro do ano passado, o volume de vendas de imóveis na região avançou 48%. A maioria dos imóveis comercializados foi negociada com valores entre R$ 200 mil e R$ 300 mil e eram casas de dois dormitórios. Desse total, 67,2% dos negócios envolveram imóveis da periferia das cidades, 16,4% estavam na área central e 16,4% em áreas nobres dos municípios. A grande maioria das vendas, 72,6%, foi financiada pela Caixa Econômica Federal.

 

EXPECTATIVAS POSITIVAS – Além dos ótimos resultados de 2025, o CRECISP está apostando em grandes investimentos no setor imobiliário de São Carlos, impulsionados pelo novo modelo de crédito imobiliário do país, lançado pelo governo federal em outubro do ano passado.

O projeto reestrutura o uso da poupança para ampliar a oferta de crédito, especialmente para a classe média. O lançamento ocorreu no dia 10 de outubro de 2025, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o evento Incorpora 2025, realizado no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo (SP), um dos maiores do setor.

“Eu acredito que o mercado de São Carlos vai reagir muito positivamente, pois, afinal de contas, neste momento, famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil passam a ter a possibilidade de uma linha de crédito com taxa de juros adequada, de 12% ao ano, e prazo de até 35 anos para pagar o imóvel, com a possibilidade tanto de aquisição de imóveis usados quanto novos. Nos imóveis novos, a entrada é de apenas 20% e, nos usados, de 40%. Então, acredito que o programa vai incluir muitas pessoas com possibilidade de compra, gerando, sem dúvida alguma, um impacto altamente positivo”, afirma José Augusto Viana Neto, presidente do CRECISP.

Viana Neto explica que a entrada de apenas 20% do valor do imóvel deve estimular muitos empreendimentos em São Carlos. “Com certeza absoluta, esse fator vai possibilitar novos negócios. Com isso, o potencial de mercado de São Carlos e região será altamente favorecido. A expectativa é muito boa. Agora temos financiamento habitacional que abrange desde o público de baixa renda até a classe média, algo que nunca houve no Brasil. Pela primeira vez temos essa possibilidade. Então, deveremos ter um mercado aquecido e São Carlos, sem dúvida nenhuma, com ótimas oportunidades de bons negócios”, destaca.

Segundo Viana Neto, o projeto é audacioso e prevê a construção de 80 mil novas habitações.

Após um período de transição, o total dos recursos depositados na caderneta de poupança será referência para uso no setor habitacional, com o fim dos depósitos compulsórios no Banco Central (BC).

Além disso, o valor máximo do imóvel financiado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.

Atualmente, famílias com renda até R$ 12 mil são atendidas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, com juros menores. Desde o início do seu terceiro mandato, o presidente Lula defende uma alternativa de financiamento voltada à classe média. A previsão é que, com essa mudança, a Caixa Econômica Federal financie mais 80 mil novas moradias até 2026.

Atualmente, 65% dos recursos da poupança captados pelos bancos precisam ser direcionados ao crédito imobiliário; 15% estão livres para operações mais rentáveis; e 20% ficam com o Banco Central na forma de depósito compulsório.

Os financiamentos via SFH vinham perdendo espaço no mercado em meio aos saques da caderneta de poupança, principal fonte de recursos para crédito habitacional no país.

Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas da poupança foram de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. Em 2025, a caderneta já registra resgate líquido de R$ 78,5 bilhões.

Entre as razões para os saques está a manutenção da Selic — a taxa básica de juros — em patamar elevado, o que estimula a aplicação em investimentos com melhor desempenho.