Temporais expõem desafios, mas confirmam avanços na drenagem urbana
Prefeitura e SAAE atuam de forma integrada no enfrentamento das inundações, enxurradas e enchentes
9 FEV 2026 • POR Jessica Carvalho R • 16h18O dia 7 de fevereiro marcou a história recente de São Carlos por dois episódios de chuvas intensas registrados com exatamente dois anos de diferença, ambos com volumes expressivos, mas com impactos distintos sobre a drenagem urbana do município. A comparação entre os temporais de 2024 e 2026 evidencia avanços significativos na infraestrutura e no planejamento do sistema de macrodrenagem da cidade.
Em 7 de fevereiro de 2024, uma forte tempestade provocou transtornos generalizados. Segundo a Defesa Civil, choveu cerca de 70 milímetros em curto período, chegando a 80 mm acumulados até as 18h, quase metade da média prevista para todo o mês de fevereiro, estimada em 200 mm. O grande volume concentrado sobrecarregou o sistema de drenagem, resultando em enchentes em pontos críticos.
A região do Mercadão e do Camelódromo foi tomada pela água após o transbordamento do Córrego do Gregório. A Rotatória do Cristo também ficou alagada em razão do transbordamento do Rio Monjolinho, sendo necessária a interdição do local. Ao todo, 43 das 130 lojas da região central registraram alagamentos. A força da enxurrada arrastou 12 veículos, causando prejuízos ao comércio e evidenciando a vulnerabilidade histórica das bacias do Gregório e do Simeão. Trechos da Avenida Comendador Alfredo Maffei ficaram submersos.
Já em 7 de fevereiro de 2026, novamente em um sábado, São Carlos enfrentou um temporal ainda mais intenso. De acordo com a Defesa Civil, foram registrados aproximadamente 130 milímetros de chuva entre 19h30 e 20h50, volume significativamente superior ao de 2024 e concentrado em pouco mais de uma hora. Os principais alagamentos ocorreram nas regiões da Rotatória do Cristo, do Kartódromo e da Rodoviária.
Sete veículos ficaram ilhados: cinco no Kartódromo, um na Avenida Trabalhador São-Carlense e outro na Rotatória da USP, nas proximidades da Avenida Miguel Petroni. Apesar da intensidade da chuva, não houve registro de vítimas. Um dado chamou a atenção: a baixada do Mercado Municipal, historicamente uma das áreas mais críticas da cidade, não apresentou alagamentos significativos.
Dois anos depois: mais chuva, impactos diferentes
A comparação entre os dois episódios evidencia a evolução do sistema de drenagem urbana. Em 2024, com 80 mm acumulados, os danos foram generalizados, sobretudo na região central. Em 2026, mesmo com 130 mm em curto intervalo, a região do Mercado Municipal apresentou apenas alagamentos pontuais, que se dissiparam rapidamente, sem danos relevantes à infraestrutura pública ou privada.
As ações permanentes de limpeza, conservação e ampliação da macrodrenagem reduziram a vulnerabilidade histórica da cidade. O resultado reforça um princípio técnico amplamente reconhecido: investir em prevenção custa menos do que intervenções emergenciais e reduz prejuízos ao poder público e à iniciativa privada.
Para o presidente do SAAE, Derike Contri, os dados comparativos demonstram a importância dos investimentos realizados. “Estamos lidando com eventos climáticos cada vez mais intensos e concentrados. A diferença entre 2024 e 2026 mostra que planejamento técnico e obras estruturais fazem a diferença. Os reservatórios e as intervenções em drenagem já apresentam resultados concretos, mas seguimos ampliando a capacidade do sistema para reduzir os impactos à população”, afirmou.
O gerente de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais (GDMAP), Eduardo Casado, destaca que o avanço é fruto de um trabalho contínuo. “Com a estruturação do serviço de limpeza e conservação do sistema de drenagem, aliada à execução de obras estruturantes, conseguimos ampliar significativamente a proteção da cidade contra eventos extremos. A evolução é gradual. Avançamos, mas ainda há projetos estratégicos em andamento e recursos sendo viabilizados”, explicou.
O papel das obras de drenagem
A diferença nos impactos está diretamente relacionada à ampliação e reestruturação da política de drenagem urbana adotada nos últimos anos. Desde 2023, houve mudança na forma de prestação dos serviços, com uma abordagem integrada entre manutenção do sistema existente e planejamento técnico de obras estruturantes. O trabalho passou a ser orientado por dados de campo e análises detalhadas dos problemas históricos, com atuação conjunta do SAAE e da Secretaria de Gestão da Cidade e Infraestrutura.
A atuação permanente do SAAE na limpeza, manutenção e conservação do sistema — incluindo o desassoreamento de piscinões e dos principais rios urbanos — garante que a infraestrutura opere em sua capacidade plena, reduzindo enxurradas e alagamentos pontuais. Durante as operações, as equipes também identificam gargalos, subsidiando o desenvolvimento de novos projetos executivos em parceria com a Prefeitura.
Nos eventos mais intensos, como o registrado em 2026, os dois grandes reservatórios em operação, localizados na CDHU e na Vila Prado, exerceram papel fundamental na proteção das bacias do Gregório e do Simeão, amortecendo as vazões e promovendo descarga controlada. Além deles, São Carlos conta com cerca de 50 microrreservatórios distribuídos em loteamentos e condomínios, que também contribuem para o controle do escoamento.
Com chuvas concentradas principalmente na região norte, os córregos Monjolinho, Mineirinho, Tijuco Preto, Santa Maria do Leme e Gregório receberam mais de 130 mm em curto período. Apesar de extravasamentos pontuais em áreas como o Kartódromo, Avenida Trabalhador São-Carlense e Avenida Bruno Ruggiero, o Rio Monjolinho suportou a vazão sem transbordamentos significativos na área central. Há obras e intervenções planejadas para os pontos críticos, muitas delas com projetos executivos concluídos e em fase de captação de recursos.
Os dois episódios refletem um cenário cada vez mais comum nas cidades brasileiras: chuvas intensas e concentradas, que exigem planejamento, monitoramento e investimentos contínuos. Se em 2024 São Carlos sofreu impactos severos, em 2026 parte da infraestrutura já demonstrou maior capacidade de resposta, embora o desafio permaneça diante de um regime climático cada vez mais imprevisível.
Para o prefeito Netto Donato, os resultados confirmam o caminho adotado pelo município. “Os episódios de 2024 e 2026 mostram que investir em planejamento e drenagem urbana traz resultados concretos. Mesmo com chuvas mais intensas, São Carlos respondeu melhor porque estamos trabalhando de forma preventiva, com obras estruturais, manutenção permanente e decisões técnicas. Seguiremos avançando para proteger a cidade e a população diante dos eventos climáticos extremos”, concluiu.