História

Escola Normal completa 115 anos em São Carlos

Instituição foi o epicentro da formação de docentes (normalistas) durante a República Velha, exercendo grande influência cultural entre as décadas de 1920 e 1940

4 FEV 2026 • POR Jessica • 19h09
Escola Dr. Álvaro Guião - divulgação

 Escola Secundária Normal foi criada em 4 de fevereiro de 1911, há 115 anos, por meio do Decreto nº 1.998, de fevereiro de 1911. Um dia antes, foi nomeado seu primeiro diretor, Dr. João Chrysostomo Bueno dos Reis Junior, bem como os primeiros lentes catedráticos.

A Escola Normal foi inaugurada em sua sede definitiva, na Avenida São Carlos, em 1916, desempenhando papel fundamental na formação de professores primários da região. Projetado pelo arquiteto Carlos Rosencrantz, em estilo eclético com influências do art nouveau, o edifício é patrimônio histórico tombado pelo CONDEPHAAT desde 1985 e, desde 1939, denomina-se Instituto de Educação Dr. Álvaro Guião.

A instituição tinha como propósito a formação de professores para a educação primária, por meio de ensino gratuito, destinado a homens e mulheres. A maioria dos estudantes era composta por mulheres, jovens filhas de fazendeiros de café de São Carlos.

Para esse fim, a Escola Normal compreendia dois cursos: o de Ciências e Letras e o de Artes. A formação docente incluía, além dos conteúdos pedagógicos, a missão de transmitir às crianças bons valores e costumes. O exercício da profissão docente representava, naquele período, um papel elitizado perante a sociedade.

No final do ano anterior à sua criação, a lei orçamentária estadual estabeleceu as verbas para o funcionamento da escola. A aula inaugural foi ministrada em 22 de março de 1911, no prédio onde atualmente funciona a Escola Eugênio Franco.

Mudanças urbanas trazidas com o café

Inserida no contexto do Estado de São Paulo, a cidade de São Carlos também passou por transformações significativas na área da educação. A imigração e as riquezas advindas do cultivo do café impulsionaram o desenvolvimento urbano e o crescimento populacional.

A educação passou a ser vista como um importante fator de ascensão social, uma vez que o acesso aos estudos possibilitava melhores oportunidades e posições na sociedade. Do ponto de vista do governo estadual, ampliar o número de alunos nas escolas significava também o aumento do número de eleitores, em função da alfabetização e do direito ao voto — aspectos relevantes para o cenário político da época.

De acordo com o Almanach de São Carlos de 1928, que reúne importantes registros sobre a educação local entre o final do século XIX e o início do século XX, a primeira cadeira de Letras para o sexo masculino foi fundada em 1858, quando o município foi elevado à categoria de freguesia. A cadeira destinada ao sexo feminino surgiu em 1862.

Os estabelecimentos particulares, como o Collegio Abreu e o Collegio São José, foram criados em 1887 e 1889, respectivamente. Havia ainda as escolas isoladas, que até 1905 somavam apenas oito instituições.

Seguindo a implantação dos grupos escolares, o primeiro da cidade foi criado em 1905, passando a ser denominado Grupo Escolar Coronel Paulino Carlos no ano seguinte. A escolha do nome do coronel como patrono foi motivada, principalmente, por seu envolvimento nos debates sobre a unificação do ensino público.

Como constituinte da República e deputado federal, Paulino Carlos participou da promulgação da Lei nº 169, de 7 de agosto de 1893, que instituiu a reunião das escolas públicas. O segundo grupo escolar do município só foi criado em 1919, após o recenseamento indicar um elevado número de crianças fora da escola.

Cabe destacar, ainda, a criação da Escola Secundária Normal, por meio do Decreto nº 1.998, de fevereiro de 1911. Seu objetivo era formar professores para a educação primária, com ensino gratuito e acessível a homens e mulheres, estruturado nos cursos de Ciências e Letras e Artes. A formação docente também contemplava a transmissão de valores morais e sociais, conferindo à profissão um status social elevado naquele período.

O prédio, de padrão estadual, destaca-se pela imponência arquitetônica e bom estado de conservação, abrigando, à época, laboratórios modernos e um rico acervo de História Natural. Em 1939, a instituição passou a se chamar Instituto de Educação Doutor Álvaro Guião, em homenagem ao então secretário de Educação e Saúde do Estado, falecido naquele ano.

A Escola Normal foi o epicentro da formação de docentes (normalistas) durante a República Velha, exercendo expressiva influência cultural entre as décadas de 1920 e 1940. Atualmente, o Instituto de Educação Dr. Álvaro Guião permanece como uma das instituições de ensino mais tradicionais e icônicas de São Carlos.