Júri condena bombeiro civil por morte de empresário na região; vídeo mostra agressões
Agnaldo Francisco Rodrigues recebeu pena de 5 anos e 10 meses por lesão corporal seguida de morte; outros quatro réus ainda aguardam julgamento
3 FEV 2026 • POR Flávio Fernandes • 23h55O Tribunal do Júri de Araraquara condenou, nesta terça-feira (3), o bombeiro civil Agnaldo Francisco Rodrigues, a 5 anos e 10 meses de prisão pelo crime de lesão corporal seguida de morte, no caso que vitimou o empresário Fábio Luiz Alves Gaspar, de 41, conhecido como Fabinho Cross. Por decisão unânime dos jurados, o homicídio foi desclassificado e o réu cumprirá a pena em regime semiaberto, com o direito de recorrer da sentença em liberdade.
O julgamento, iniciado às 10h, foi o primeiro entre os cinco denunciados pelo Ministério Público no processo que ganhou grande repercussão nacional. Ao longo da sessão, foram ouvidas cinco testemunhas de defesa e três de acusação, além de policiais militares que atenderam a ocorrência e do delegado responsável pelo inquérito.
A família da vítima foi representada pela advogada Josimara Veiga Ruiz, que atuou como assistente de acusação ao lado do promotor de Justiça. A defesa de Agnaldo ficou a cargo de Bruno Rodrigues Alves e Roberto Romano, com a presença do réu em plenário.
Durante as sustentações orais, acusação e defesa convergiram para a tese de lesão corporal seguida de morte, entendimento acolhido pelo Conselho de Sentença. Segundo a acusação, a participação do bombeiro civil foi considerada de menor importância no contexto geral do episódio.
“Justiça não pode ser confundida com vingança. Num universo de mais de 30 golpes suportados por Fábio Cross enquanto era asfixiado e imobilizado pelos outros quatro réus, o bombeiro civil deu apenas um único soco, somado a atos e omissões que contribuíram para o resultado fatal”, afirmou Josimara.
A advogada ressaltou ainda que a família da vítima aguarda uma resposta rigorosa da Justiça, nos julgamentos dos demais envolvidos.
A defesa do bombeiro civil, avaliou a decisão como equilibrada.
“Não concordamos com a dosimetria da pena e vamos recorrer apenas quanto a esse ponto. Quanto ao tipo penal, entendemos que foi aplicado de acordo com a conduta do defendido. Araraquara mostrou uma Justiça equilibrada, que individualiza as condutas. O réu errou, mas não cometeu homicídio doloso”, declarou o advogado Bruno.
Além de Agnaldo de 51, respondem ao processo o gerente da casa noturna André Corrêa Macieira, conhecido como Deko, os seguranças Danilo Henrique Rocha Valarani e Adryan Antony Rodrigues Vidal e o cliente Eduardo Carrascosa Franco Machado. Para esses quatro réus, a acusação mantém a imputação de homicídio qualificado, sem pedido de desclassificação. As datas dos julgamentos ainda não foram definidas.
Por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça), todos os acusados respondem ao processo em liberdade, condição que segue válida. A condenação desta terça-feira, marca o início da fase de julgamentos de um dos casos criminais de maior repercussão recente na região central do Estado de São Paulo.
Fabinho Cross morreu na madrugada de 1º de setembro de 2024, após uma confusão na casa noturna Almanaque, no Centro da cidade, que permanece fechada desde então. De acordo com a DIG (Delegacia de Investigações Gerais), o empresário foi retirado da pista de dança após quebrar uma garrafa, contido por seguranças, levado a uma área reservada e imobilizado com um golpe conhecido como “mata-leão”.
O laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou asfixia mecânica por estrangulamento, como causa da morte. O processo corre sob segredo de justiça.
Imagens de câmeras de segurança, divulgadas após o julgamento, reforçaram a comoção e a indignação popular. Os vídeos mostram Fabinho Cross sendo arrastado por seguranças até uma sala da casa noturna, onde entra em luta corporal.
Na sequência, o gerente e um cliente passam a agredi-lo com socos enquanto ele é imobilizado e em determinado momento, a vítima aparenta estar desacordada, recebe novos golpes e cai ao chão, permanecendo inconsciente. As gravações também indicam que funcionárias do estabelecimento presenciaram a cena sem intervir, fato que ampliou a revolta de familiares, amigos e da população.
A expectativa agora é que os próximos júris definam o desfecho de um processo que segue mobilizando a opinião pública e reacendendo o debate sobre violência, segurança privada e responsabilidades em ambientes de entretenimento noturno.