Ano letivo nas escolas estaduais começa nesta segunda; confira o que muda em 2026
2 FEV 2026 • POR Jessica Carvalho R • 13h20Cerca de 3,1 milhões de estudantes das mais de 5 mil escolas estaduais de São Paulo retornam às salas de aula nesta segunda-feira (2), marcando o início do ano letivo de 2026. Para este novo ciclo, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) implementa uma série de mudanças e ampliações com foco na melhoria da aprendizagem, no fortalecimento do Ensino Técnico e na recomposição educacional.
Entre as principais novidades estão a expansão do Ensino Médio Técnico, o início das atividades em 100 escolas cívico-militares, a ampliação do programa de tutoria para alunos do Ensino Fundamental e o fortalecimento das ações de alfabetização.
De acordo com o secretário estadual da Educação, Renato Feder, o ano começa com a consolidação de programas já existentes e a introdução de novos ajustes. “Começamos mais um ano letivo com a continuidade de projetos exitosos da pasta, como os programas Provão Paulista, Prontos pro Mundo e Alfabetiza Juntos SP. Ao mesmo tempo, planejamos ajustes e novidades que devem impactar positivamente no aprendizado e no avanço dos índices educacionais”, afirmou.
Ensino Médio Técnico amplia vagas e cursos
Em 2026, a educação profissional da rede estadual alcança 231 mil matrículas em 2.212 escolas, um crescimento expressivo em relação a 2023, quando eram ofertadas 35 mil vagas. O número de cursos também foi ampliado e passa a contar com 11 opções, incluindo as novas formações em eletrônica e meio ambiente, além de áreas como administração, agronegócio, ciência de dados, desenvolvimento de sistemas, enfermagem, farmácia, hospedagem, logística e vendas.
A oferta ainda é complementada por 60 cursos em parceria com o Senai-SP e o Senac-SP. Estudantes da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio Técnico continuam participando do Programa Bolsa Estágio Ensino Médio (BEEM). Em 2025, cerca de 10 mil alunos foram contratados por empresas parceiras, com bolsas que chegam a R$ 851,46. A expectativa da Seduc-SP é abrir mais 30 mil vagas de estágio até o segundo semestre deste ano.
Cem escolas iniciam modelo cívico-militar
Após consultas públicas com a comunidade escolar, 100 unidades estaduais, distribuídas em 89 municípios, passam a adotar o modelo de Escola Cívico-Militar (ECM). As escolas atendem alunos do Ensino Fundamental e Médio e seguem o Currículo Paulista, com apoio de monitores militares nas áreas de segurança, disciplina, acolhimento e promoção de valores cívicos.
Os profissionais militares do programa serão avaliados periodicamente por diretores e estudantes, além de passarem por avaliações semestrais de desempenho, que definirão sua permanência no modelo.
Tutoria e recomposição da aprendizagem
O programa de tutoria em língua portuguesa e matemática será ampliado para estudantes do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Nos anos iniciais, o foco é a alfabetização e o letramento matemático. Já do 6º ao 9º ano, a prioridade é atender alunos com maior defasagem nessas disciplinas. O número de escolas participantes nos anos finais sobe de 2.800 para 3.400 unidades.
Docentes com experiência em alfabetização atuam como tutores e trabalham em conjunto com os professores regentes. A seleção dos alunos é baseada em avaliações como o Saresp, a Prova Paulista e testes diagnósticos. As aulas ocorrem no mesmo turno em que o estudante está matriculado.
No Ensino Médio, professores de orientação de estudos contam com o apoio de estagiários do programa Aluno Monitor do BEEM. Em 2025, mais de 7 mil estudantes da 3ª série atuaram como monitores. Em 2026, alunos da 1ª à 3ª série poderão concorrer às vagas, com seleção prevista a partir de 9 de fevereiro.
Alfabetização avança e se aproxima da meta
A rede estadual inicia o ano letivo mais próxima da meta de 90% das crianças alfabetizadas aos sete anos. Dados da Avaliação de Fluência Leitora, divulgados em janeiro, mostram que 76% dos alunos do 2º ano do Ensino Fundamental apresentam leitura adequada para a idade.
Em comparação com 2023, o número de crianças nos níveis mais avançados de leitura cresceu 50%, passando de 220 mil para 330,5 mil alunos. Já o percentual de estudantes nos níveis mais críticos caiu de 26% para 7%. O avanço é atribuído ao programa Alfabetiza Juntos, desenvolvido em parceria com os municípios e que inclui avaliações periódicas, material didático, plataformas digitais e formação de professores.
Equipe gestora reforçada nas escolas
Outra mudança para 2026 é a ampliação das equipes gestoras, de acordo com o número de alunos atendidos. Escolas com até 200 estudantes terão, no mínimo, um diretor, um coordenador pedagógico e um gerente de organização escolar. Unidades com 201 a 500 alunos passam a contar também com vice-diretor, e o número de gestores cresce progressivamente conforme o porte da escola.
Além disso, todas as unidades da rede estadual passam a ter ao menos dois agentes de organização escolar, reforçando o suporte administrativo e o funcionamento das escolas.