Casos de diabetes entre adultos crescem 135% no Brasil em 18 anos, aponta Vigitel
31 JAN 2026 • POR Jessica Carvalho R • 16h45O número de adultos brasileiros com diabetes mais que dobrou nas últimas duas décadas. Entre 2006 e 2024, a prevalência da doença saltou de 5,5% para 12,9%, um aumento de 135%, segundo dados do Vigitel 2025, pesquisa do Ministério da Saúde que monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no país. No mesmo período, também houve crescimento expressivo da hipertensão (31%), da obesidade (118%) e do excesso de peso (47%).
O levantamento traça um retrato preocupante da saúde da população adulta brasileira, associado a hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e outros fatores de risco. Diante desse cenário, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lançou nesta quarta-feira (28), no Rio de Janeiro, a estratégia Viva Mais Brasil, uma mobilização nacional voltada à promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida.
A iniciativa prevê investimento de R$ 340 milhões em políticas de incentivo à atividade física. Um dos destaques é a retomada do programa Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026, conforme portaria assinada pelo ministro. Atualmente, o Brasil conta com 1.775 Academias da Saúde, e a expectativa é credenciar mais 300 novos serviços até o fim do ano.
“Com essas mudanças, virá recurso do presidente Lula para ampliar o investimento e contratar profissionais para atuarem nas academias da saúde. A implantação de espaços com equipamentos e profissionais orientando, vinculados às unidades básicas de saúde, levou à redução do uso de medicamentos, inclusive ansiolíticos e antidepressivos”, afirmou Padilha. Segundo ele, o convívio social aliado à prática de atividades físicas promove benefícios diretos à saúde.
Outro avanço anunciado é o aumento do custeio dos serviços do programa, que pode chegar a R$ 10 mil, conforme a modalidade, carga horária e número de profissionais envolvidos. A estratégia Viva Mais Brasil também articula e fortalece políticas já existentes do Sistema Único de Saúde (SUS), com ações voltadas à alimentação adequada, ao cuidado integral, ao acesso à informação de qualidade e à prática regular de exercícios físicos, tanto na rede pública quanto em parceria com o setor privado.
A mobilização é estruturada em dez compromissos centrais: mais movimento e vida ativa; mais alimentação saudável; menos tabaco e álcool; mais saúde nas escolas; menos doenças crônicas; mais vacinação; mais protagonismo e autonomia; mais saúde digital; mais cultura da paz e menos violências; e mais práticas integrativas e complementares.
“Esta é uma ação que faz com que o Ministério da Saúde seja, de fato, da saúde e não da doença. Uma boa saúde começa com a prevenção e com a promoção”, reforçou o ministro. “Queremos criar com o Viva Mais Brasil um verdadeiro movimento que una as mais de 100 mil equipes da atenção primária espalhadas pelo país e outras áreas do governo, em favor de mais qualidade de vida.”
Mudanças de hábitos e novos indicadores
Além do aumento das doenças crônicas, o Vigitel aponta mudanças no padrão de atividade física da população. A prática de atividade física no deslocamento caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024. Em contrapartida, a proporção de adultos que realizam atividade física moderada no tempo livre subiu para 42,3%. O consumo regular de frutas e hortaliças permaneceu estável, em torno de 31%.
Pela primeira vez, a pesquisa trouxe dados nacionais sobre sono. Segundo o levantamento, 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e 31,7% apresentam sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres. Os indicadores reforçam a necessidade de políticas integradas de promoção da saúde.
Fortalecimento da Atenção Primária
O fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) é um dos eixos estratégicos do Viva Mais Brasil. Em 2025, o Ministério da Saúde estabeleceu 15 indicadores de qualidade para aprimorar o acompanhamento de crianças, gestantes, idosos e pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.
Com a adoção desses indicadores, os municípios poderão ampliar em até 30% os repasses federais para ações de prevenção e promoção da saúde. O investimento específico para o enfrentamento da hipertensão e do diabetes deve alcançar R$ 1,5 bilhão em 2026.
A estrutura da rede básica também será reforçada por meio do Novo PAC Saúde, que prevê a construção de 2,6 mil novas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a entrega de 800 Unidades Odontológicas Móveis, 10 mil conjuntos de equipamentos para UBS e 7 mil kits de telessaúde, ampliando o acesso e a qualidade do atendimento à população.