Processamento de cana deve crescer 2,8% na safra 2026/2027
Mais de 550 municípios paulistas produzem cana-de-açúcar, e o mercado acaba refletindo nas comunidades de todos esses municípios.
29 JAN 2026 • POR JM • 23h01A safra de cana-de-açúcar 2026/2027 deve registrar um aumento de 2,8%. Em 2025, foram colhidas e processadas 590 milhões de toneladas, e a previsão é de que, na safra atual, a produção chegue a 600 milhões de toneladas.
As informações são da Associcana (Associação dos Plantadores de Cana do Médio Tietê), que envolve São Carlos e todos os municípios da região. O presidente da entidade, o produtor rural e engenheiro agrônomo Eduardo Romão, afirma que o momento é preocupante.
“Esperamos que esta safra 2026/2027 consiga ter uma oferta mundial menor. A expectativa é que a gente consiga ter uma performance ainda não esperada. Vamos aguardar. Estamos tentando desenvolver outros mercados para o etanol. Vamos torcer para o consumo aumentar. Temos, no médio prazo, uma oportunidade para encaixar o etanol. Mas, enfim, o desafio é grande, mas temos que enfrentá-lo. A safra atual promete ser um pouco melhor que a anterior. Em 2025, fechamos com 590 milhões de toneladas, e esta próxima está para 600 milhões de toneladas, com um incremento de 2,8%. A expectativa é a redução do superávit mundial de açúcar. Isso pode nos ajudar. Temos que cortar custos e focar na produção. Temos que ter cuidado com defensivos, evitar pragas para obtermos uma boa produção”, destaca.
Apesar do otimismo, Romão não esconde o momento de incertezas. “Nós, produtores de cana, estamos preocupadíssimos com esta safra. Quem tem arrendamento, a receita está caindo 30%. Quem tem que pagar arrendamento também está sentindo, pois há menos cana produzida, com custos elevados. O desafio é muito grande.”
Ele revela problemas com a safra passada. “Com relação ao ano passado, a produção quebrou em 4,5%, e esse índice não foi suficiente para vermos uma reação de preços. Nós estamos ofertados, o mercado mundial está ofertado. Os demais países produtores estão pressionando o mercado de oferta de açúcar, e isso compromete toda a composição de preços.”
Outro problema apontado pelo empresário canavieiro é a produção de etanol de milho, que vem em constante crescimento, concorrendo diretamente com a cana. “Em 2024 e 2025, foram 8,2 bilhões de litros. Nesta safra atual, são 9,7 bilhões de litros, o que representa 25% da produção. E, para 2026, está provisionado mais de 11 bilhões de litros, sendo que o total que produzimos de etanol com cana-de-açúcar é de 25 bilhões de litros. Então, é uma concorrência que está aí e com a qual temos que aprender a lidar. Tudo isso pressiona os preços e acaba afetando nós, produtores e, de forma geral, toda a sociedade”, destaca Romão.
De acordo com ele, existem mais de 550 municípios paulistas com forte presença da cana-de-açúcar e grande impacto na sociedade como um todo. “Então, essa sensibilidade nos atinge. Estamos vivendo um momento em que o mercado está ofertado tanto para etanol quanto para açúcar no mundo.”
De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Única), na segunda quinzena de dezembro, as unidades produtoras da região Centro-Sul processaram 2,17 milhões de toneladas, ante 1,71 milhão na safra 2024/2025. No acumulado da safra 2025/2026 até 1º de janeiro, a moagem atingiu 600,40 milhões de toneladas, ante 614,39 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior — queda de 2,28%.
Na segunda metade de dezembro, operaram 61 unidades produtoras na região Centro-Sul, sendo 42 unidades com processamento de cana, dez empresas que fabricam etanol a partir do milho e nove usinas flex. No mesmo período da safra anterior, 59 unidades produtoras estavam em operação. Ao final da quinzena, 35 unidades encerraram a moagem, enquanto, no acumulado, já se contabilizavam 241 unidades.
Em relação à qualidade da matéria-prima, o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), registrado na segunda quinzena de dezembro, atingiu 127,49 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar, contra 123,33 kg por tonelada na safra 2024/2025 — variação positiva de 3,37%. No acumulado da safra, o indicador marca 138,35 kg de ATR por tonelada, registrando retração de 2,20% em relação ao último ciclo, na mesma posição.
PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ETANOL — A produção de açúcar nos últimos quinze dias de dezembro totalizou 56,02 mil toneladas, registrando queda de 14,93% na comparação com a quantidade registrada em igual período da safra 2024/2025 (65,84 mil toneladas). No acumulado desde o início da safra até 1º de janeiro, a fabricação do adoçante totalizou 40,22 milhões de toneladas, contra 39,88 milhões de toneladas do ciclo anterior (+0,86%).
Na segunda metade de dezembro, a fabricação de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingiu 560,89 milhões de litros, sendo 327,66 milhões de litros de etanol hidratado (+7,23%) e 233,24 milhões de litros de etanol anidro (+27,76%). No acumulado do atual ciclo agrícola, a fabricação do biocombustível totalizou 30,84 bilhões de litros (-5,06%), sendo 19,05 bilhões de etanol hidratado (-7,94%) e 11,78 bilhões de etanol anidro, valor bem próximo ao registrado em igual período da safra 2024/2025 (11,78 bilhões).
Do total de etanol obtido na segunda quinzena de dezembro, 77,23% foram fabricados a partir do milho, registrando produção de 433,18 milhões de litros neste ano, ante 405,30 milhões de litros no mesmo período do ciclo 2024/2025 — aumento de 6,88%. No acumulado desde o início da safra, a produção de etanol de milho atingiu 6,86 bilhões de litros — avanço de 13,98% na comparação com igual período do ano passado.
VENDAS DE ETANOL — No mês de dezembro, as vendas de etanol totalizaram 2,97 bilhões de litros. O volume comercializado de etanol anidro no período foi de 1,15 bilhão de litros — avanço de 7,64% — enquanto o etanol hidratado registrou venda de 1,82 bilhão de litros — recuo de 2,79%.
No mercado doméstico, o volume de etanol hidratado vendido pelas unidades do Centro-Sul totalizou 1,74 bilhão de litros, o que representa uma queda de 1,91% em relação ao mesmo período da safra anterior. A venda de etanol anidro, por sua vez, atingiu 1,14 bilhão de litros, aumento de 10,52%.
No acumulado desde o início da safra até 1º de janeiro, a comercialização de etanol pelas unidades do Centro-Sul somou 26,29 bilhões de litros, registrando queda de 2,03%. O volume acumulado de etanol hidratado totalizou 16,35 bilhões de litros (-5,75%), enquanto o de anidro alcançou 9,94 bilhões de litros (+4,75%).
MERCADO DE CBIOS — Dados da B3 referentes aos primeiros 20 dias de janeiro indicam a emissão de 2,56 milhões de créditos pelos produtores de biocombustíveis. No momento, a quantidade de CBios disponível para negociação, em posse da parte obrigada, não obrigada e dos emissores, totaliza 20,46 milhões de créditos de descarbonização.