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Médicos da Região Coração participam de oficina de atualização em arboviroses em São Carlos

23 JAN 2026 • POR Jessica • 19h36

A Secretaria Municipal de Saúde de São Carlos sediou, nesta sexta-feira (23/01), a Oficina de Atualização em Arboviroses promovida pelo Departamento Regional de Saúde – DRS III, de Araraquara. A capacitação foi realizada no auditório do Paço Municipal e reuniu médicos da chamada Região Coração, que engloba os municípios de Descalvado, Dourado, Ibaté, Porto Ferreira e São Carlos.

De acordo com Viviane da Rocha Sousa, representante do Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE-12) de Araraquara, a oficina de atualização dos protocolos clínicos para manejo das arboviroses é realizada anualmente nos 24 municípios que integram a DRS III. Neste ano, porém, a capacitação foi descentralizada e organizada por regiões de saúde. Em São Carlos, participaram profissionais dos cinco municípios que compõem a Região Coração.

Segundo Viviane, a atualização abordou os novos protocolos clínicos e de manejo adotados nas unidades básicas de saúde, unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospitais. Ela destacou que as arboviroses não se restringem apenas à dengue. “Lidamos com um conjunto de doenças transmitidas pelo mesmo vetor, o mosquito Aedes aegypti, como Chikungunya e Zika”, explicou.

Entre as principais mudanças apresentadas, Viviane chamou atenção para o novo protocolo de hidratação dos pacientes. “Anteriormente, a recomendação era de 60 a 80 mililitros por quilo. Agora, o protocolo estabelece 60 mililitros, o que exige atenção redobrada dos profissionais, especialmente no atendimento a crianças, idosos e pessoas com comorbidades, considerados grupos mais vulneráveis”, afirmou.

Ela também alertou para o aumento no número de casos, influenciado diretamente pelas condições climáticas. Sobre a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, Viviane informou que o Ministério da Saúde ainda não definiu uma data para a ampliação da vacinação para a população de até 59 anos. “No momento, a vacina permanece disponível apenas para a faixa etária de 10 a 14 anos. Por isso, a principal forma de prevenção segue sendo a eliminação dos criadouros do mosquito”, ressaltou.

Para o médico Leonardo Vinícius de Moraes, a atualização dos protocolos é fundamental, especialmente neste período do ano, marcado pela combinação de chuvas e altas temperaturas, que favorece a proliferação do mosquito transmissor. “Isso eleva significativamente a incidência da dengue e de outras arboviroses, como Chikungunya e Zika, bastante comuns na região”, destacou.

Segundo ele, essas doenças levam um grande número de pessoas a procurar atendimento médico, o que reforça a necessidade de profissionais capacitados e atualizados. Embora não tenham ocorrido mudanças significativas nos protocolos em relação ao ano anterior, Leonardo ressaltou a importância da capacitação contínua, sobretudo para os profissionais que atuam na linha de frente da assistência.

A diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, explicou que o objetivo da oficina foi atualizar os profissionais quanto ao cenário epidemiológico atual e ao manejo clínico adequado dos pacientes com suspeita de arboviroses. “A iniciativa busca garantir que os usuários do SUS recebam um atendimento qualificado e que os casos sejam conduzidos da melhor forma possível no município”, afirmou.

Denise também ressaltou que as ações de enfrentamento ao mosquito transmissor continuam sendo realizadas de forma permanente. “Seguimos com o recolhimento de materiais inservíveis em parceria com a Secretaria de Conservação e Qualidade Urbana, reforçando que a mobilização da população é fundamental. A responsabilidade é compartilhada entre o poder público e os moradores”, destacou.

Atualmente, as equipes de agentes de endemias, em conjunto com a Secretaria de Conservação e Qualidade Urbana, realizam diariamente o recolhimento de cerca de um caminhão de materiais inservíveis retirados de residências. A diretora lembrou ainda que estudos do Governo do Estado de São Paulo apontam que aproximadamente 80% dos focos do mosquito estão dentro dos domicílios, dado que também vem sendo confirmado no município. “Esse cenário é preocupante e serve de alerta para que a população faça vistorias regulares em seus quintais e elimine qualquer recipiente que possa acumular água”, enfatizou.

Situação epidemiológica

Em São Carlos, no ano de 2026, já foram registrados 19 casos confirmados de dengue, um ainda aguarda resultado de exame e 39 foram descartados. Até o momento, não há registro de óbitos. Para Chikungunya, Zika e Febre Amarela, não foram registradas notificações.

Já em 2025, o município contabilizou 20.429 casos positivos de dengue, com 24 óbitos confirmados. No mesmo período, foram registrados cinco casos de Chikungunya, sendo dois importados e três autóctones. Não houve confirmações de Zika. Em relação à Febre Amarela, foram notificadas três ocorrências, com dois casos descartados e um óbito confirmado