Carnaval 2026 terá blocos, matinês e marchinhas em toda a cidade
Festa terá eventos nos distritos, na Praça da XV, Flor de Maio, no Bicão e no Aracy, além de um desfile na região central da cidade
19 JAN 2026 • POR Jessica Carvalho R • 17h13A Prefeitura Municipal de São Carlos vai anunciar esta semana toda a programação do Carnaval 2026. A festa terá eventos no Clube Flor de Maio, na Praça da XV, na FESC, em Santa Eudóxia, Água Vermelha, Cidade Aracy e no Bicão. Haverá, também, desfiles de blocos pela Avenida São Carlos, entre a Praça do Mercadão e a Praça Coronel Sales.
O secretário municipal de Cultura, Leandro Severo, afirma que o governo municipal investirá R$ 300 mil no total. Ele declarou, no Jornal da Manhã da última quinta-feira (15), que o objetivo é a retomada do carnaval de rua. “Com esse objetivo, foi divulgado um edital para a apresentação de blocos. Foi um processo muito rico, em que conversamos com muitas pessoas, num novo formato, com mais transparência, permitindo que os interessados se inscrevessem. Abrimos oportunidade não só para as bandas tradicionais, mas também para outros artistas. Fizemos uma abertura de perspectivas numa cidade muito rica culturalmente. Temos uma atividade muito intensa nos clubes, nos bares e, em geral, na cidade”, afirmou.
“O carnaval mudou não só em São Carlos, mas em nível nacional. A estrutura dos grandes desfiles de escolas de samba é uma tradição que poucas cidades conseguiram manter. Ocorreram várias mudanças. Antes, os desfiles eram corriqueiros e cívicos, como o do 7 de setembro ou no dia da cidade. Mesmo o carnaval dos clubes mudou. Antes, o clube era o local onde as famílias se reuniam. Hoje, com a proliferação dos condomínios, isso mudou bastante. Antes, a sociedade mais abastada vivia no centro e frequentava os clubes sociais. Antes, a piscina só existia nos clubes”, destacou.
Segundo ele, as manifestações culturais históricas devem ser fomentadas e incentivadas pelo poder público. “A ideia é retomar a formação dos blocos para chegar às escolas de samba. A escola é sempre puxada pela bateria”.
A diretora de Arte e Cultura, Mariana Navarro, destacou que o edital foi elaborado de forma simples. “No edital, o bloco exigia 15 instrumentistas e, no mínimo, 35 participantes. Queremos toda a população de São Carlos participando dos blocos. A ideia era facilitar a retomada. Além disso, mantivemos o que é bom, como as marchinhas na Praça da XV, e, no caso dos clubes, buscamos valorizar o Flor de Maio, que está perto de completar 100 anos. Então, teremos baile de carnaval, matinê e blocos. Vamos incentivar marchinhas, axé, samba, pagode e banda de baile com bailarinas. A intenção é que o carnaval se fortaleça, que as pessoas ocupem as ruas e que o evento cresça a partir desta retomada”, ressaltou.
CATORZE ANOS SEM ESCOLAS DE SAMBA – No Carnaval de 2026, o município de São Carlos completará 14 anos sem o tradicional desfile de escolas de samba, que ocorria há várias décadas. Em 2012, foi o último ano em que a Avenida do Trabalhador São-carlense, nas imediações do terminal rodoviário, recebeu alas, adereços, carros alegóricos, passistas, fantasias de luxo e blocos carnavalescos.
Agremiações como Rosas de Prata, Padre Faustino, Acadêmicos do Aracy e Rosas Negras eram algumas das que desfilavam pelas ruas da cidade, mostrando muitas cores e consagrando o talento dos carnavalescos.
A falta de vida própria das escolas, a escassez de mecenas interessados em patrocinar as entidades carnavalescas, o envelhecimento dos líderes e a ausência de novas lideranças, além da dependência de recursos públicos, foram alguns dos problemas que levaram ao fim dos desfiles.
Em 2013, no primeiro ano do governo do prefeito Paulo Altomani, o então secretário municipal de Cultura, Ney Vilela, cancelou o desfile porque a Liga das Escolas de Samba não forneceu a prestação de contas dos recursos repassados pela Prefeitura no ano anterior. Desde então, nenhum desfile foi realizado.
O memorialista de São Carlos, escritor e jornalista Cirilo Braga, afirma que a ausência de desfiles indica que as pessoas não sentiram falta. “O carnaval de rua em São Carlos teve grandes momentos no passado, com eventos espontâneos, como o corso, e quando houve a união dos clubes associativos com grandes sambistas e o apoio de algumas administrações municipais. Ou seja, quando houve vontade de realizar o carnaval de rua, ele não se consolidou como evento turístico. Não há essa tradição. Bons carnavalescos não faltaram”, destacou.
Para Cirilo, faltou criar uma cultura de carnaval de rua que se consolidasse e fosse transmitida de geração em geração, como ocorre em outras cidades. “As escolas de samba, assim como times de futebol, não se sustentaram apenas com o voluntarismo de alguns abnegados, dependendo exclusivamente de verba pública. Para que São Carlos construa uma tradição, inspirada em Odette dos Santos, mestre Bira e tantos outros, será preciso que surjam escolas de samba com vida própria, funcionando como verdadeiras agremiações. Como ocorre em Rio Claro e em algumas outras cidades do interior que ainda mantêm desfiles de carnaval. Sem isso, o ideal talvez seja criar um formato local, com festas em praças, bairros e distritos, com bandas e blocos para a alegria de todos”, avaliou.