Saiba o que fazer para evitar o aparecimento de escorpiões em casa
18 JAN 2026 • POR Da redação • 06h56O avanço da urbanização aliado às altas temperaturas tem contribuído para o aumento da presença de escorpiões em áreas urbanas de todo o país. O cenário acende um alerta para os riscos de acidentes, especialmente durante os meses mais quentes do ano, quando os aracnídeos aparecem com maior frequência.
De acordo com especialistas, os escorpiões buscam locais quentes, úmidos e escuros, onde encontram alimento, abrigo, água e acesso. O acúmulo de lixo e entulho favorece a proliferação de baratas, principal fonte de alimentação desses animais. Redes de esgoto, tubulações de água e energia elétrica também servem como rotas de acesso e esconderijos ideais.
A bióloga Denise Maria Candido, assistente técnica de pesquisa científica e tecnológica do Biotério de Artrópodes do Instituto Butantan, explica que o controle deve ser feito com responsabilidade.
“Não é possível nem correto eliminar os escorpiões da natureza, pois eles desempenham um papel importante no equilíbrio ecológico. No entanto, medidas preventivas são fundamentais para evitar a proliferação no meio urbano e reduzir o risco de acidentes”, afirma.
Espécies de maior risco no Brasil
O Brasil possui quatro espécies de escorpiões consideradas de interesse médico, responsáveis pela maioria dos acidentes registrados no país:
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Escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus) – presente na região Norte e no Mato Grosso;
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Escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus) – comum no Nordeste, mas já identificado em estados como São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Tocantins;
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Escorpião-marrom (Tityus bahiensis) – frequente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul;
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Escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) – encontrado em praticamente todo o país e altamente adaptado ao ambiente urbano.
Cuidados ao encontrar um escorpião
Especialistas alertam que o manuseio do animal não é recomendado devido ao alto risco de picadas. Caso seja inevitável, a orientação é utilizar luvas de couro, botas ou calçados fechados e resistentes. Luvas de borracha e sapatos de pano não oferecem proteção suficiente, já que o ferrão consegue perfurar esses materiais.
“Jamais se deve pegar o escorpião com as mãos. O ideal é usar um graveto longo ou uma pinça de pelo menos 30 centímetros para conduzi-lo a um recipiente e encaminhá-lo ao Centro de Controle de Zoonoses do município”, orienta Denise.
Como evitar o aparecimento de escorpiões
A prevenção começa com cuidados simples no ambiente residencial. Manter quintais, jardins e áreas internas limpos é essencial para reduzir os locais de abrigo dos aracnídeos. Buracos em paredes, ralos abertos, entulhos e até roupas espalhadas pelo chão podem servir de esconderijo.
Entre as principais recomendações estão:
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Manter o lixo bem fechado
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Evitar acúmulo de entulho, folhas secas e materiais de construção
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Vedar portas, ralos e frestas
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Usar telas em janelas
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Não deixar roupas, sapatos ou roupas de cama no chão
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Afastar camas e móveis das paredes
Mito das galinhas
Apesar da crença popular, o uso de galinhas para controlar escorpiões é considerado ineficaz e inadequado. Além de terem hábitos diurnos — enquanto os escorpiões são noturnos —, a criação de aves em áreas urbanas é proibida sem autorização sanitária e pode gerar outros problemas de saúde pública, como a proliferação de insetos transmissores de doenças.
Maior incidência no calor
Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, os escorpiões são mais comuns entre setembro e fevereiro. Já no Norte e Nordeste, onde as temperaturas são elevadas durante todo o ano, os registros ocorrem de forma contínua.
A rápida reprodução agrava o problema. Algumas espécies conseguem gerar até 25 filhotes por gestação, podendo se reproduzir duas vezes ao ano. Em certos casos, as fêmeas não precisam sequer acasalar para se reproduzir.
O que fazer em caso de picada
Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão, aplicar compressa morna para aliviar a dor e procurar atendimento médico imediatamente. Os sintomas variam de dor intensa e suor excessivo a complicações graves, como insuficiência cardíaca e edema pulmonar.
O tratamento pode incluir anestésicos locais e, nos casos mais graves, a aplicação de soro antiescorpiônico, disponível em unidades de saúde especializadas. Apenas um médico pode avaliar a gravidade do caso e indicar o tratamento adequado.