Há 5 anos, Brasil aplicava primeiras doses de vacina contra a covid-19
18 JAN 2026 • POR Da redação • 06h53Há cinco anos, o Brasil dava um passo decisivo para sair de um dos períodos mais difíceis de sua história recente. Em 17 de janeiro de 2021, logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial das primeiras vacinas contra a covid-19, a enfermeira paulista Mônica Calazans tornou-se a primeira brasileira a ser imunizada no país.
Mônica foi escolhida para o momento histórico por ter participado dos ensaios clínicos da CoronaVac, realizados no final de 2020 para comprovar a segurança e a eficácia do imunizante. À época, ela atuava no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, hospital de referência em doenças infectocontagiosas que atendeu mais de 40 mil pacientes durante a pandemia.
A enfermeira recorda que estava de plantão naquele domingo quando foi chamada pela chefia para se dirigir ao local da cerimônia, onde autoridades aguardavam a decisão da Anvisa para iniciar a vacinação imediatamente. Ao saber que seria a primeira a receber a dose, a emoção foi inevitável.
“Eu chorava muito, de verdade. A gente estava passando por um momento traumatizante, meu irmão estava com covid naquela época. Chorei de emoção e de alegria, porque a ciência estava dando um passo importante para acabar com aquela tragédia que assolava o mundo”, relembrou.
Segundo Mônica, o gesto simbolizou mais do que a aplicação de uma vacina. “Na hora em que recebi a dose, eu trouxe esperança para as pessoas. O meu punho cerrado era uma mensagem de esperança e de vitória, de que nós iríamos vencer aquela fase tão terrível”, afirmou.
A vacinação em larga escala no país teve início no dia seguinte, 18 de janeiro, após a distribuição do primeiro lote de 6 milhões de doses da CoronaVac, produzidas na China e importadas pelo Instituto Butantan, que posteriormente passou a processar a vacina no Brasil a partir do ingrediente farmacêutico ativo enviado pela empresa Sinovac.
Dias depois, em 23 de janeiro, a campanha ganhou reforço com a chegada das primeiras 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, inicialmente importadas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Com o avanço da transferência de tecnologia, a instituição passou a produzir o imunizante em território nacional.
O plano de vacinação priorizou os grupos mais vulneráveis, começando pelos profissionais de saúde da linha de frente, idosos, pessoas com deficiência que viviam em instituições e povos indígenas. Naquele momento, o Brasil enfrentava o pico da variante Gama do coronavírus, considerada mais agressiva e letal do que as cepas anteriores.
Cinco anos depois, o início da vacinação é lembrado como um símbolo de resistência, ciência e esperança em meio a uma crise sanitária sem precedentes.