Contra o Irã

Novo tarifaço de Trump deve exigir intenso trabalho diplomático do governo brasileiro, alerta economista são-carlense

Para Sérgio Perussi, indefinição sobre prazos e duração das novas tarifas impede mensuração dos impactos econômicos

14 JAN 2026 • POR JM • 23h30
Mercado internacional: 2026 já começa com muitas dúvidas graças à uma nova investida de Trump contra antigos adversários políticos - Agência Brasil

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma nova tarifa de 25% sobre “qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã” pode atingir diretamente a economia brasileira e exigirá amplo diálogo e negociações por parte do governo federal. A avaliação é do economista são-carlense Sérgio Perussi.

Segundo ele, trata-se de mais uma decisão do governo norte-americano que deve gerar forte pressão sobre o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além de causar apreensão entre produtores do agronegócio.

“O Brasil, em 2025, exportou cerca de 2,9 bilhões de dólares ao Irã, principalmente milho, que representou 70% do total, soja, com 20%, além de açúcar e carne bovina. Já as importações ficaram próximas de 100 milhões de dólares, concentradas sobretudo em adubos e fertilizantes, que correspondem a 80% do total, além de frutas, nozes, pistache e uvas secas”, detalha Perussi.

O economista explica que ainda não é possível mensurar a intensidade do impacto da medida sobre os produtores brasileiros, uma vez que as regras do tarifaço não foram totalmente definidas pelos Estados Unidos. “Entretanto, considerando o tom da decisão, trata-se de mais uma frente dessa guerrilha tarifária que vem se intensificando desde o ano passado”, afirma.

Perussi ressalta ainda que não há definição sobre o início da vigência das tarifas nem se haverá um prazo determinado para sua duração. Caso a medida seja imediata e prolongada, poderá afetar significativamente produtores brasileiros, inclusive da região de São Carlos, onde há forte presença de produtores de milho e soja. “O ano de 2026 já começa com muito trabalho para o governo e grande apreensão para quem atua no agronegócio e no comércio de produtos importados”, conclui.

De acordo com Trump, os países que mantiverem relações comerciais com o Irã passarão a pagar uma tarifa imediata sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos. “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é definitiva e irrecorrível”, afirmou o presidente norte-americano em sua rede social.

Protestos no Irã

O anúncio ocorre em meio a uma das maiores ondas de protestos enfrentadas pelo regime iraniano nos últimos anos. No domingo (11) e na segunda-feira (12), Teerã também registrou manifestações pró-regime, além de atos contrários aos protestos violentos dos últimos dias.

Anteontem, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que protestos pacíficos são tolerados no país, mas atribuiu os distúrbios recentes a “terroristas do estrangeiro”, alegando tentativa de justificar uma intervenção dos Estados Unidos e de Israel.

Em resposta às manifestações, que já se espalharam por todo o país, as autoridades iranianas têm reagido com força letal. Segundo organizações não governamentais, há registro de pelo menos 600 mortes. Nos últimos dias, Donald Trump voltou a ameaçar uma possível intervenção no Irã, afirmando que possui opções “muito fortes”, inclusive militares, e que mantém contato com líderes da oposição iraniana.