Analista de política internacional vê cenário imprevisível
A prisão e o julgamento de Nicolás Maduro nos Estados Unidos não representam o fim da ditadura, porque os aliados do chavismo permanecem no poder na Venezuela.
10 JAN 2026 • POR Da redação • 10h11O futuro da Venezuela pós-invasão dos Estados Unidos e a prisão de Nicolás Maduro “é imprevisível”. A afirmação é do especialista em política internacional João Marcos Gomide, que também é jornalista, advogado e diretor da 2Go Digital — empresa que faz gestão de conteúdos na internet.
“Do presidente Donald Trump às autoridades americanas, todos falaram abertamente do maior interesse dos Estados Unidos na prisão de Nicolás Maduro. Neste primeiro momento, não é com a democracia nem com eleições livres”, comenta Gomide.
Segundo ele, o poderoso secretário de Estado do presidente norte-americano Donald Trump disse que não vai permitir que “o Hemisfério Ocidental seja uma base de operações para adversários, concorrentes ou rivais dos Estados Unidos”.
“É um recado claro, especialmente para a China, que compra 70% do petróleo da Venezuela. Portanto, ter o controle do petróleo é mais importante para os Estados Unidos neste momento”, explica o jornalista.
A implantação de um regime democrático na Venezuela não é e nunca foi prioridade para os Estados Unidos. “Tanto é verdade que os americanos nem se importaram quando a vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, de 56 anos, foi declarada oficialmente presidente por decisão da Suprema Corte da Venezuela”, comenta.
De acordo com Gomide, Delcy não é apenas uma política do chamado núcleo duro do chavismo na Venezuela. “É também irmã de Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional da Venezuela — outro superaliado de Nicolás Maduro. Claro, os dois irmãos — embora com discursos, neste momento, em defesa da soberania da Venezuela — não têm força para enfrentar os Estados Unidos”, destaca.
Gomide ainda alerta que Donald Trump já mandou o seu recado, avisando que, se ela (Delcy) não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto — provavelmente maior do que o próprio Maduro. “É nesse cenário de incertezas que a Venezuela vai tentar se reconstruir depois de 27 anos terríveis nas mãos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro”, conclui o especialista.