Economia

Índice de preços da CEAGESP volta a subir em dezembro, com destaque para pescados e legumes

9 JAN 2026 • POR Jessica Carvalho R • 20h14

O índice de preços da CEAGESP registrou alta de 0,69% em dezembro, revertendo a queda de -0,79% observada no mês anterior. No mesmo período de 2024, o indicador havia recuado -3,26%. Com o resultado, o índice encerrou o ano com acumulado de -3,53%, tanto no fechamento anual quanto no acumulado de 12 meses.

O desempenho do mês refletiu movimentos distintos entre os setores. Após um segundo semestre marcado por quedas expressivas, o grupo Diversos apresentou recuperação em dezembro, sinalizando um reajuste considerado necessário para a sustentabilidade da cadeia produtiva. Mesmo com a virada, o setor terminou 2025 com a menor variação de preços dos últimos 12 meses.

Frutas recuam com aumento da oferta

O setor de Frutas teve queda de -0,70%, após alta de +1,32% no mês anterior. No ano, o acumulado ficou em -2,67%. Dos 48 itens analisados, 52% apresentaram redução de preços.
Entre as maiores quedas estiveram carambola (-49,16%), maracujá doce (-22,79%), figo (-22,18%), uva Niágara (-20,54%) e jaca (-16,57%). Na contramão, subiram maracujá azedo (+39,37%), mamão Havaí (+30,29%) e goiaba vermelha (+17,07%).

A retração média está ligada à sazonalidade do verão, à maior oferta e às condições climáticas influenciadas pelo La Niña, com chuvas que favoreceram a produção. A uva Niágara foi o item de maior impacto no mês, impulsionada pelo pico de safra e pela concentração da colheita em dezembro.

Legumes sobem com clima adverso

O setor de Legumes subiu +1,43%, após forte queda de -16,68% em novembro. No acumulado do ano, porém, permanece negativo em -10,44%. Entre os 32 itens, 47% registraram alta.
Os maiores avanços ocorreram em pepino japonês (+52,64%), abóbora moranga (+52,24%), tomate Carmem (+35,29%) e chuchu (+33,26%).

As elevações refletem transição de safras e excesso de chuvas associado à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e ao La Niña, que reduziram a oferta e afetaram a qualidade de culturas sensíveis à umidade.

Verduras em queda

As Verduras recuaram -2,52% em dezembro, após alta de +1,85% no mês anterior. O acumulado anual ficou em -12,40%. Dos 39 produtos, 44% apresentaram queda.
Os recuos mais expressivos foram de rabanete (-29,79%), acelga (-23,23%) e nabo (-16,66%), influenciados por demanda sazonal menor e boa oferta, o que pressionou preços para evitar perdas.

Diversos voltam a subir

O grupo Diversos avançou +1,78%, após queda de -2,77% em novembro. Apesar da recuperação mensal, o setor fechou 2025 com -17,60% no ano.
Destaque para cebola nacional (+20,18%) e batata lavada (+17,00%), afetadas por mudanças regionais no abastecimento e dificuldades logísticas causadas pelas chuvas.

Pescados lideram altas

O setor de Pescados teve a maior variação do mês, com alta de +8,52%, acumulando +9,69% no ano. Dos 28 itens, 75% subiram.
As principais altas foram de camarão de cativeiro (+29,89%), cação azul (+28,54%) e pescada maria-mole (+14,84%).

A elevação foi impulsionada pela forte demanda das festas de fim de ano e por restrições de oferta causadas por instabilidades climáticas no litoral Sudeste, que reduziram a eficiência da pesca.