Reforma tributária

Economista são-carlense recomenda atenção especial para "fase de testes"

Empresas precisam se adaptar, apesar da extensão de prazo da Receita; processo começa aos poucos e, ao final, após 2027, irá facilitar a administração dos pagamentos tributários

6 JAN 2026 • POR Da redação • 13h04
Nota Fiscal

O ano de 2026 marca uma virada histórica no sistema tributário brasileiro. Desde a última quinta-feira (1º), começou oficialmente a transição da reforma tributária sobre o consumo, com a entrada em operação do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual.

Embora a Receita Federal classifique 2026 como um “ano de testes”, o contribuinte que emite notas fiscais deve estar atento. Não se trata de uma simulação: haverá movimentação financeira real, emissão de notas fiscais com novos campos obrigatórios, adaptação de sistemas e impactos diretos na rotina de empresas, produtores rurais, importadores e, em alguns casos, pessoas físicas.

“Essa fase de testes exigirá das empresas uma atenção especial no entendimento das mudanças que irão afetar seus sistemas de controle e pagamentos de impostos e contribuições. Daqui a quatro meses, multas poderão ser aplicadas àquelas que não se adequarem ao novo sistema tributário, apesar de a fase ainda ser de testes, com implementação mais completa ao longo de 2027”, alerta o economista Sérgio Perussi.

Do ponto de vista das despesas tributárias, segundo ele, nada muda neste ano, ou seja, não se pagará nem menos nem mais impostos, mas haverá a implementação do destaque da CBS e do IBS nas notas fiscais. “Mesmo pessoas físicas que negociam e pagam tributos precisam se adequar ao novo sistema. O lado positivo é que o processo começa aos poucos e, ao final, após 2027, irá facilitar a administração dos pagamentos tributários pelas empresas. É o que prometeu a reforma tributária aprovada pelo Congresso. Esperamos que, de fato, alivie a tremenda burocracia tributária do país”, ressalta o economista.

ENSAIO GERAL PARA SUBSTITUIR CINCO IMPOSTOS – Na prática, este ano funcionará como um grande ensaio geral antes da substituição definitiva de cinco tributos. Desse total, três são federais: o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é administrado pelos estados; e o Imposto sobre Serviços (ISS), pelos municípios.

Esses cinco tributos começarão a ser extintos em 2027, mas haverá uma alíquota de teste em 2026. O PIS, a Cofins e o IPI darão origem à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O ICMS e o ISS darão origem ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A soma da CBS e do IBS resultará no IVA Dual.

Neste ano, haverá uma alíquota de teste de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, que serão deduzidas dos tributos atuais. A partir de 2027, os cinco tributos sobre o consumo serão gradualmente extintos, enquanto as alíquotas da CBS e do IBS subirão.

A seguir, veja o que começa a valer em 2026 e quais providências os contribuintes precisam tomar:

Mudanças em 2026

Alíquota total de 1%:

O valor pago não representa aumento efetivo da carga tributária. O montante recolhido a título de CBS e IBS será compensado com o que a empresa já paga de PIS e Cofins. Na prática, a empresa paga o novo imposto, mas desconta o mesmo valor dos tributos antigos, mantendo o desembolso total inalterado em 2026.

Mudanças nas notas fiscais

Mesmo com alíquotas simbólicas, as obrigações acessórias são imediatas.

As empresas deverão:

Erros na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) ou no enquadramento tributário podem:

Atualização de sistemas das empresas

Softwares de gestão e emissão de documentos fiscais precisam ser adaptados.
Os sistemas passarão a consultar regras tributárias em tempo real, e notas fiscais podem ser rejeitadas por inconsistências cadastrais.

Quem não se adequar corre o risco de:

Adiamento de penalidades

Em 23 de dezembro, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS anunciaram o adiamento das punições automáticas:

Apesar da flexibilização, a recomendação é que o contribuinte que emita notas fiscais cumpra integralmente as regras desde janeiro, para evitar inconsistências futuras e problemas quando a fiscalização estiver plenamente ativa.

Split payment (pagamento dividido)

Regulamentado pelo projeto de lei aprovado pelo Congresso no fim do ano passado, o split payment (pagamento dividido) fará a separação automática do imposto no momento do pagamento.

O valor do tributo não entrará na conta da empresa, sendo transferido diretamente ao governo. Isso exigirá revisão do fluxo de caixa e do capital de giro, pois o dinheiro do imposto deixará de circular na empresa ao longo do mês.

Embora seja obrigatório apenas a partir de 2027, as empresas precisam se preparar em 2026.

Revisão de contratos e cadastros

As empresas devem:

O enquadramento correto será fundamental para a geração e o aproveitamento de créditos no novo modelo de não cumulatividade do IVA. Esse modelo extingue a cobrança em cascata, comum em empresas de médio e pequeno porte.

Pessoas físicas

A partir de julho de 2026:

Teste em imóveis e aluguéis

Em 2026, começa a coleta de dados para a futura tributação, que passa a valer em 2027.

Poderão ser tributadas pessoas físicas que:

Produtores rurais

Importações

Em resumo: como se preparar para 2026

A Receita Federal recomenda que empresas e pessoas físicas que emitam notas fiscais não usem 2026 como ano de espera. O Fisco alerta que quem não se preparar pode enfrentar sérias dificuldades em 2027, quando os tributos antigos começarem a ser extintos e as alíquotas reais do novo sistema tributário entrarem em vigor. (Com informações da Agência Brasil).