Completando primeiro aniversário, Hidrelétrica da Cachoeira de Emas volta a produzir
PCH está gerando uma média de 3.000 MWh por mês, o suficiente para atender o consumo de 15.000 residências
11 NOV 2025 • POR Da redação • 06h23A Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Cachoeira de Emas, em Pirassununga (SP), resultado de um investimento de R$ 75 milhões, está completando um ano de atividades — e tem o que comemorar. Depois de um período de suspensão da produção de eletricidade, a usina voltou a operar no dia 30 de outubro. O Rio Mogi Guaçu está cheio, com vazão em torno de 146 metros cúbicos por segundo, o que viabiliza o funcionamento da maioria das dez turbinas.
A usina gera uma média de 3.000 MWh por mês, o suficiente para atender o consumo de 15.000 residências. Para tanto, a Aratu, empresa responsável pela operação, instalou dez turbinas do tipo StreamDiver®, com potência instalada de 7,2 MW.
O diretor da Aratu, Ricardo Flores, destaca a viabilidade econômica do investimento. “Sim, compensa o investimento, pois o Brasil precisa de fontes de geração de energia limpa, aproveitando todo o seu potencial hidrelétrico e evitando a demanda por usinas mais poluentes, como as térmicas. O retorno do investimento ocorre no longo prazo, mas a Aratu tem confiança de que o investimento representa um benefício para o país e para a população local”, afirma.
Segundo ele, a Aratu está sempre avaliando novas oportunidades, mas, no momento, não há outro projeto em andamento. Além da PCH Emas Nova, a Aratu detém a concessão da CGH Lobo, localizada na Represa do Broa, entre Itirapina e Brotas.
Flores comenta que, além dos impostos gerados nas esferas municipal, estadual e federal, as PCHs desempenham um papel fundamental no setor energético, combinando geração renovável e desenvolvimento regional. “As PCHs operam com reservatórios menores ou mesmo em regime de fio d’água, como é o caso da PCH Emas Nova, minimizando os impactos ambientais. Com a geração local e descentralizada, as PCHs diminuem a demanda sobre as linhas de transmissão e diversificam a matriz energética, auxiliando na redução do uso de fontes não renováveis, como carvão e diesel.”
QUATRO MESES DE OPERAÇÃO – A usina entrou em operação comercial em novembro de 2024, há quase quatro meses. Durante as obras, foram gerados em média 200 empregos diretos e indiretos. Na fase atual de operação, são 25 empregos entre diretos e indiretos.
Flores revela que a empresa investiu R$ 75 milhões na hidrelétrica de Cachoeira de Emas, somando-se as obras de reativação e as contrapartidas feitas ao município.
A implantação da hidrelétrica, segundo laudos, não alterou a piscosidade do Rio Mogi Guaçu. Conforme demonstraram os resultados dos Programas de Monitoramento da Ictiofauna e da Qualidade da Água desenvolvidos para a fase de construção, as obras realizadas no leito do rio não prejudicaram as condições para o desenvolvimento dos peixes. Com a entrada em operação da usina, também não se esperam alterações na piscosidade do rio, o que continuará sendo monitorado durante todo o período de operação. “Após a conclusão das obras de reativação, o fluxo de água do rio foi regularizado, respeitando suas condições hidrológicas”, comenta o executivo.
Segundo Flores, os impactos no rio foram temporários, como durante a instalação das ensecadeiras para viabilizar a implantação das estruturas da nova casa de força, quando houve aumento temporário da turbidez das águas — situação acompanhada de perto pelo Programa de Monitoramento da Qualidade da Água e normalizada imediatamente após o término das atividades. “O canteiro de obras ocupou pequenas áreas próximas ao rio, as quais já estão em processo de recuperação ambiental com plantio de espécies nativas, iniciado em dezembro de 2024”, ressalta.
Ele explica ainda que todo o processo de licenciamento ambiental foi realizado junto à CETESB, órgão responsável pelo licenciamento de obras hidráulicas no Estado de São Paulo. As demais licenças e autorizações necessárias à entrada em operação foram obtidas junto aos órgãos pertinentes, como ANEEL, ANA, Neoenergia Elektro e a Prefeitura Municipal.
Um dos desafios da empresa foi convencer a população de que a implantação da usina não traria prejuízos ao distrito. Para tanto, um dos programas ambientais implementados durante a fase de construção foi o Programa de Comunicação Social, que teve como objetivo garantir transparência, engajamento comunitário e esclarecimento sobre os impactos e benefícios do projeto. Ele atuou como canal de diálogo entre a empresa, a população local, órgãos públicos e demais partes interessadas, por meio de redes sociais, atualização do site, plantões de dúvidas e criação de campanhas socioambientais com escolas e universidades. A iniciativa ajudou a construir confiança e aceitação social, reduzindo incertezas e dúvidas sobre o empreendimento, e garantindo que a obra fosse compreendida e acompanhada pela comunidade.
Flores destaca ainda que as obras foram realizadas com máximo cuidado técnico e ambiental, mitigando qualquer impacto direto à comunidade local e ao turismo. Ao longo de um ano e meio de obras, não houve registros de diminuição do fluxo de turistas devido às mudanças na paisagem; pelo contrário, muitos visitantes se mostraram interessados em conhecer e saber mais sobre o projeto.
O diretor também informa que houve compensação florestal efetuada dentro do ICMBio/CEPTA, em uma área de 8,15 hectares — composta pelo mesmo bioma da área de interferência — e a recomposição florestal na área onde foram suprimidos cerca de 1,0 hectare de vegetação. Nessa área de compensação foram plantadas mais de 11.000 mudas de árvores nativas, criando um corredor ecológico que se conecta ao Rio Mogi Guaçu.
Em acordo com a Prefeitura e o Ministério Público, foram efetuadas contrapartidas com obras de revitalização do bairro, como: reforma do prédio da Usina Nova e projeto paisagístico do jardim, com dois mirantes com visão privilegiada do rio e da escada de peixes; reforma do prédio da Usina Velha; revitalização da Ponte Velha, com instalação de novos semáforos; reforma dos seis banheiros existentes, com ampliação de dois deles; aumento da área coberta dos quiosques comerciais; harmonização da estrutura da nova casa de força com a arquitetura e a paisagem local; restauração da fachada da EE Eloi Chaves; reforma da quadra de esportes e pintura da sede do Centro de Convivência do bairro Limoeiro; recomposição e manutenção da areia da prainha; revitalização do pátio da Polícia Militar Ambiental; reforma do local onde os pescadores limpam os peixes; sinalização turística; e instalação de lixeiras.
Segundo Flores, algumas obras ainda aguardam liberação de órgãos responsáveis pelo local, como: construção do portal de entrada da Cachoeira de Emas; reforma de sala para uso da Colônia de Pescadores; e restauração da pavimentação da Ponte Attilio Zero (Ponte Velha).