NOVEMBRO AZUL

Câncer de próstata: médicos são-carlenses comentam aumento de 32% no atendimento

Quando diagnosticada precocemente, a doença tem 90% de chance de cura

7 NOV 2025 • POR • 20h06

O número de atendimentos entre homens com até 49 anos para tratar câncer de próstata aumentou em 32% no Brasil, entre 2020 e 2024. Foram realizadas 2,5 mil assistências, em 2020, e 3,3 mil em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde.

O câncer de próstata preocupa principalmente homens com 65 anos, porém os mais jovens, com menos de 49 anos, também sofrem com o problema. Entre os atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a maioria dos procedimentos correspondeu a quimioterapia (em torno de 84% a 85%), seguida por cirurgias oncológicas (10% a 12%) e radioterapia (3% a 4%).

O médico de família e comunidade, Claudio Roberto Simas, formado pela UNIFESP e que atua no Programa Mais Médicos na UBS vila São José, afirma que o aumento de aproximadamente 32% no atendimento a homens com até 49 anos por câncer de próstata entre 2020 e 2024 pode ser entendido como um avanço relevante no cuidado da saúde masculina. Esse movimento, destaca ele, sugere maior procura por serviços especializados, possível redução de barreiras culturais e ampliação da rede de assistência.

“A análise, porém, mostra que, embora positivo, o cenário não configura uma “vitória total” sobre o machismo. Os números absolutos ainda são modestos diante da população masculina jovem; o câncer de próstata permanece majoritariamente associado a faixas etárias mais avançadas; e persistem desafios na busca ativa por cuidado, especialmente entre grupos vulneráveis”, ressalta Simas.

De acordo com ele, a mudança cultural em torno da saúde masculina, portanto, está em curso, mas exige continuidade de ações educativas, fortalecimento da atenção primária e promoção do acesso equitativo aos serviços de saúde. A oportunidade de acolher homens mais jovens permite ampliar o cuidado integral, reforçar vínculos e trabalhar prevenção.

“Na perspectiva da Medicina de Família e Comunidade, cabe valorizar esse avanço, sem perder de vista a necessidade de manutenção de estratégias de sensibilização, abordagem comunitária e redução de estigmas ligados à masculinidade”, comenta. 

O médico cardiologista da Santa Casa, Vicente Matinata, ressalta que existe um conjunto de fatores, entre a redução de preconceitos para o exame do toque retal. “A população está percedbenod que o diganóstico precoce possibilita uma grande chance de cura. Um amigo que descobre o precocemente e trata o problema acaba informando o outro e incentivando os exames. Há uma grande mudança no conceito do homem sobre os exames urológicos. Acima dos 45 anos é preciso que todos façam o exame. Hoje também temos mais acesso ao urologista de forma mais precoce”, o que também é decisivo. 

A psicóloga Aleksandra Lopes (CRP 06/123404) afirma que existe uma combinação de coisas que favoreceram as mudanças de comportamento. “Isso prova que campanhas de conscientização dão resultado e uma queda nas barreiras socioculturais (preconceito e machismo) que também são pauta nas abordagens de conscientização”, comenta. 



 

Segundo o urologista especializado no cuidado com a saúde sexual e reprodutiva masculina, Rafael Ambar, o aumento no número de tratamentos está relacionado à procura por atendimento e não necessariamente ao crescimento da quantidade de casos. Associado a isso está a ampliação da rede de assistência de saúde pelo país e da conscientização sobre a doença.

“Os homens mais jovens têm se mostrado mais interessados em cuidar da saúde e realizar acompanhamento urológico. Essa mudança de comportamento é influenciada pela facilidade atual do acesso à informação, aumento da expectativa de vida e desejo de um envelhecimento saudável. Também existe um movimento interessante, apesar de discreto, de diminuição do preconceito relacionado às visitas ao urologista. Apesar disso, o trabalho de conscientização ainda continua necessário”, afirmou Ambar.

Quando diagnosticada precocemente, a doença tem 90% de chance de cura. Nas fases iniciais o câncer de próstata é assintomático, mas em estágios mais avançados, a doença pode causar dificuldade e necessidade de urinar muitas vezes ao dia, jato de urina fraco, presença de sangue na urina e ou no sêmen, podendo causar também dores na pelve, quadris e nas costas.

“O surgimento do problema está associado ao envelhecimento do corpo, à predisposição genética, à obesidade e a comportamentos nocivos à saúde como o tabagismo e sedentarismo. O problema é identificado a partir de exame de rastreio da doença (exame de sangue para identificar o Antígeno Prostático Específico (PSA) e o exame de toque retal)”, explicou o urologista.

De acordo com o médico, é necessário que os homens façam o acompanhamento anualmente a partir dos 40 anos, para aqueles com casos do problema na família e, dos 50, para a população geral. O câncer de próstata é segundo câncer mais comum entre os homens, sendo o primeiro o de pele (não-melanoma), segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). (Com informações da Agência Brasil)


Câncer de próstata: , é necessário que os homens façam o acompanhamento anualmente a partir dos 40 anos, para aqueles com casos do problema na família e, dos 50, para a população geral.