Empresário cria projeto social gratuito de Muay Thai para crianças no Varjão
Jean Pablo Sebold Lamin dá aulas para 18 pequenos são-carlenses; meta é primeiramente formar cidadãos/ãs
20 FEV 2025 • POR Marcos Escrivani • 13h22Um desejo de um empresário que se tornou realidade graças ao seu empenho e perseverança, mas com um apoio incondicional da esposa. Assim nasceu em 2023, o projeto social Varjão no Muay Thai, criado pelo empresário Jean Pablo Sebold Lamin, 35 anos. Casado com Danielle Martins Canavez Lamin, é pai de Natan, Joaquim e Marjorie.
Em uma entrevista exclusiva ao São Carlos Agora, Jean Pablo conta como tudo começou. Ele já praticou diversas modalidades de lutas, mas se identificou profundamente com o Muay Thai. “Fui praticante e aluno por 10 anos”, disse. “No Muay Thai tradicional, não existe graduação formal, apenas divisões entre alunos, lutadores e professores”, comentou.
Com a experiência adquirida ao longo de uma década e com alguns equipamentos que utilizava no seu treino pessoal e com incentivo de Danielle, criou o projeto social que consta em duas aulas semanais e gratuitas. No início tinha sete crianças, mas com o tempo, comprou mais equipamentos e ganhando outros de colaboradores. Hoje comemora, salientando que tem 18 alunos no Varjão. “O projeto é 100% gratuito e acontece na garagem da minha casa, onde adaptei para dar aulas para eles”, reforçou.
Jean Pablo disse que o projeto foi criado não com a prioridade de se formar atletas, e sim cidadãos/ãs, aliado a qualidade de vida e a prática de uma atividade sadia. “Aqui incentivamos o esporte de maneira geral. E como qualquer arte marcial. Tento ensinar para meus alunos as filosofias do esporte. Ter uma vida mais tranquila, mostrando que existem diversos caminhos”, frisou. Mas mostrou também ser “paizão”. “Eu pego muito no pé quanto à escola. Já tirei alguns dias para ajudá-los na lição de casa”, revelou.
“Sonho ser uma lutadora”
A reportagem ouviu uma pequena atleta que integra o Maut Thai no Varjão e seus sonhos. Maria Luiza, de apenas 13 anos, disse que há um ano treina com Jean Pablo e começou a praticar a modalidade esportiva pois tem um projeto de vida.
“Iniciei porque desde pequena sempre foi meu sonho lutar. As aulas são bem legais, porque nelas a gente aprende muito e além disso aprende coisas da vida”, disse, salientando que pretende seguir com as atividades. “Quero treinar forte para se tornar uma atleta, e realizar meu sonho”, finalizou.
A entrevista
São Carlos Agora - O que levou a criar o projeto. Qual a motivação e finalidade?
Jean Pablo Sebold Lamin - O projeto nasceu após eu levar minha filha (Marjorie) a uma aula de capoeira e comentar com minha esposa (Danielle) sobre os benefícios dessa prática. Ela, conhecendo minha paixão pelo esporte e pelo contato com as crianças, me incentivou a iniciar algo semelhante em nosso bairro. Considerando que nosso bairro é um pouco distante e a locomoção de crianças para conhecer algo assim é difícil, além da minha paixão pela prática do esporte, sua arte, filosofia e costumes históricos, decidi dar início ao projeto.
SCA - Onde o projeto acontece? Como ele se desenvolveu ao longo dos anos?
Jean Pablo - O projeto acontece no bairro Varjão, na cidade de São Carlos. Ele tem se desenvolvido aos poucos, com muito esforço para adquirir os equipamentos, contando também com a ajuda de algumas pessoas que nos fizeram doações.
SCA - Quantas crianças praticam hoje? Qual a idade mínima? Ambos os sexos?
Jean Pablo - Atualmente, 18 crianças participam do projeto, com idades a partir de 5 anos, e temos treinos mistos (masculino e feminino).
SCA - O que levou a você fazer uma “academia” na garagem da sua casa? E porque investiu com recursos próprios em equipamentos?
Jean Pablo - Com o tempo, percebi a necessidade de novos equipamentos para que as crianças pudessem evoluir na arte marcial. Fui comprando alguns equipamentos usados em comércios de redes sociais e, hoje, contamos com 2 sacos de Muay Thai, 10 luvas, 2 caneleiras, 2 capacetes de proteção facial, 3 aparadores de chutes, uma manopla de boxe, pesos para musculação, espelho para o desenvolvimento, elásticos e tatames. Ainda precisamos de mais caneleiras e protetores genitais, mas tenho fé que, com o tempo, as coisas irão se ajeitar.
SCA Como são as aulas? Qual a periodicidade? O que é necessário para a criança poder participar?
Jean Pablo: As aulas acontecem duas vezes por semana, das 19h às 20h30, sendo 30 minutos de exercícios físicos, uma hora de aula de Muay Thai, focada em técnica e combate.
Para as crianças participarem do projeto, basta frequentar a escola e ter boas notas. Para permanecerem no projeto, é expressamente proibido usar as técnicas de combate para agredir qualquer pessoa fora do tatame.
SCA - Ensinar as crianças tem como meta formar algum atleta? Poder dar aulas de defesa pessoal ou proporcionar qualidade de vida para os pequenos?
Jean Pablo - A principal meta do projeto é formar jovens melhores, com mais disposição para com a sociedade e novas perspectivas de vida, tanto dentro quanto fora do esporte. Fico muito orgulhoso de ver esses jovens praticando e vencendo competições, mas, sem dúvida, o foco principal é torná-los pessoas vitoriosas na vida. A academia que criei é de uso exclusivo deles e totalmente gratuita, não tenho outros alunos fora do projeto (embora haja procura).
SCA - O que você mais exige dos seus alunos? O que você oferece a elas nas aulas?
Jean Pablo - No projeto, eles aprendem sobre os costumes, a cultura e a fraternidade de uma arte marcial, além do desenvolvimento físico, psicológico e pessoal que todo esporte proporciona.
SCA - Quantos alunos pretende ter? Há possibilidade de aumentar a quantidade de aulas? Você tem parceiros que ajudam?
Jean Pablo - Minha intenção é alcançar o maior número de alunos possível. Quem sabe, no futuro, eu consiga construir um barracão maior no espaço que tenho nos fundos de casa, para aumentar ainda mais a quantidade de alunos!