Dia a Dia no Divã

Suicídio inconsciente

11 FEV 2019 • POR (*) Bianca Gianlorenço • 06h50

Quando se fala em tirar a própria vida, a primeira coisa que nos vem à cabeça é uma pessoa tomando uma atitude drástica e definitiva sobre seu próprio corpo.

 Mas pode existir, ocultamente dentro de nós, uma forma de acabarmos com a nossa vida sem que a gente se dê conta: O suicídio inconsciente.

Sigmund Freud, o fundador da psicanálise, ressaltou os impulsos autodestrutivos da humanidade como fonte de incidentes, os quais, na verdade, foram provocados por uma vontade desapercebida do nosso inconsciente. A máscara para essa tendência contra a própria vida pode ser caracterizada pela frequente escolha de práticas perigosas ou trabalhos que envolvam riscos sem que haja uma clara intenção de se machucar ou morrer.

É claro que não podemos generalizar. Nem todo mundo que gosta de esportes radicais, por exemplo, tem a intenção inconsciente do suicídio. Entretanto, é possível encontrar esse desejo de deixar a vida em atos falhos, erros ou descuidos que podem colocar a nossa vida em jogo. Dirigir de forma imprudente, atravessar a rua sem olhar para os lados, queimaduras ou cortes acidentais também podem estar correlacionadas com o desejo inconsciente de findar a própria vida. Embora aos nossos olhos pareçam acidentes ou simples equívocos acontecidos sem qualquer planejamento, a natureza desses acontecimentos tem um sentido autodestrutivo.

Um ato cometido por anos e anos que deteriora o nosso corpo leva a um só resultado: o suicídio inconsciente.

Como exemplo, podemos citar o uso de substâncias tóxicas, uma alimentação desregulada ou rica em gorduras e excessos que afetam o coração, ainda, atitudes promíscuas que levam a doenças que degeneram nosso organismo nos levando a morte, e, mesmo que a nossa intenção clara seja de aproveitar a vida, segundo Freud, lá no fundo existe um ímpeto que diz o contrário revelando um cansaço e desgosto de viver ou um sentimento fortemente negativo contra si mesmo. O que significa uma autoestima bem mais prejudicada do que o normal.

Não dar importância para a saúde não significa ser otimista, pelo contrário, é uma atitude de quem pode estar tentando morrer. Mas não confunda negligência com falta de acesso ou atendimento precário. O que Freud aponta são os impulsos autodestrutivos que fazem parte da constituição natural da humanidade e podem variar de acordo com cada pessoa.

Insistir em viver sob sentimentos negativos, também pode ser uma cilada do inconsciente, como, por exemplo, viver irritado, o que pode causar problemas no sistema circulatório e até o entupimento de veias do coração. E vira uma combinação perfeita quando se adiciona calmantes que afetam o corpo na busca de uma tranquilidade artificial. Ou na ingestão de remédios extremamente fortes contra a exaltação da melancolia que nos leva a depressão e torna agudas e conscientes as tendências suicidas.

O estado mental é determinante para a história do ser humano.

O pior é que essas atitudes não são raras, na prática clínica tenho percebido um aumento do número de pessoas que dizem “viver por viver”, isso é se matar aos poucos.

 O melhor que fazemos é tomar consciência do nosso comportamento antes de arriscarmos a nossa própria vida, adquirindo responsabilidade sobre o nosso corpo e nossa mente.

Difícil? Um psicólogo pode te ajudar!!!

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.