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quinta, 04 de março de 2021
Esportes

Esporte adaptado da UFSCar fortalece interação social, companheirismo e espírito de equipe

19 Jun 2016 - 07h52Por Redação
Equipe de Handebol em Cadeira de Rodas participa de várias competições no País. Foto: Proafa - Equipe de Handebol em Cadeira de Rodas participa de várias competições no País. Foto: Proafa -

Possibilitar a retomada do convívio social por parte de pessoas que sofreram algum trauma ou lesão e, por muitos anos, tiveram seu acesso restrito a unidades de tratamento e reabilitação convencional. Com esse intuito, a UFSCar mantém um programa de ensino, pesquisa e extensão voltado ao esporte adaptado. O PROAFA - Programa de Atividades Físicas, Esportivas e de Lazer Adaptadas às Pessoas com Deficiência - permite que seus atletas, ao integrarem uma equipe, tenham um sentimento de pertencimento e fortalece, ainda, a construção de uma nova identidade, essencial para o resgate de outros papéis sociais, explica a professora Mey de Abreu van Munster, do Departamento de Educação Física e Motricidade Humana da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que coordena o PROAFA.

O handebol é uma das modalidades contempladas pela UFSCar "por se tratar de uma modalidade de esporte coletivo, que oferece oportunidade de interação social, apoiada em valores como o companheirismo e o espírito de equipe", destaca a docente.

A proposta ganha ainda mais força com a aproximação dos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro, uma vitrine mundial capaz de mostrar como o esporte adaptado vem crescendo e se consolidando no mundo e também no Brasil. O evento ocorre de 7 a 18 de setembro. "Embora não seja uma modalidade de esporte paralímpico, o Handebol em Cadeira de Rodas envolve um número reduzido de jogadores - quatro por equipe - e possibilita que pessoas com maior nível de comprometimento participem em situação de equiparação de oportunidades", relata a professora. "Mesmo uma pessoa severamente comprometida possui a sua importância na equipe, por meio de um sistema de classificação esportiva baseado na funcionalidade".

"O começo é difícil, mesmo porque eu não era cadeirante, eu ando de muleta. Mas fui me adaptando. Eu me adaptei muito rápido e logo no início já participava das competições", conta Reginaldo Leme, 41 anos, integrante da equipe há cinco anos. Ele ficou conhecendo o projeto por meio de um amigo na escola, que integrava a equipe de handebol e que o convidou para participar.

Robelson Moreira Lula, 22 anos, está há cinco anos do projeto e também participa das competições. "Conheci o PROAFA quando fazia atendimento fisioterapêutico na Unidade Saúde-Escola (USE) da UFSCar. Eu queria fazer esporte. A Mey me incentivou e eu gostei", conta Robelson. "No começo, a adaptação era difícil, mas depois fiz bastante amizade", relata o atleta. Reginaldo concorda: "Não tem amizade melhor do que a deles, nos damos muito bem".

Para proporcionar ainda mais benefícios físicos e sociais, após a adaptação, os atletas de handebol já participam de campeonatos na região e em outros Estados. Desde a sua formação, a equipe participa de competições estaduais e nacionais, com resultados expressivos como a conquista dos títulos paulista em 2009 e 2012, além de três segundos lugares.

O PROAFA teve seu início pela própria demanda social, verificada nos atendimentos  a pessoas com deficiência física na Universidade. Inicialmente, foi implantada a modalidade da natação. Com o tempo, o Programa firmou parcerias e passou a desenvolver em locais externos à Universidade, como a Academia Vibração e o SESC São Carlos. "Com maior visibilidade e aumento da demanda pelas ações do PROAFA, aos poucos, o projeto foi diversificando suas atividades e inserindo o Handebol em Cadeira de Rodas, o Tênis em Cadeira de Rodas, o ciclismo também para pessoas com cegueira, atividades psicomotoras para pessoas com deficiência intelectual, entre outros conteúdos físicos, esportivos e recreativos", elenca a professora. Em vários momentos o PROAFA contou com o apoio e convênio com a Prefeitura de São Carlos.

DESAFIOS

Apesar da consolidação das atividades, o projeto requer investimento permanente de recursos financeiros. "Embora estejamos sempre recorrendo à participação em editais, convênios e cooperações interinstitucionais, os recursos são intermitentes. Há uma preocupação constante em como angariar fundos para uniforme, transporte, alimentação para os atletas, inscrição em campeonatos", detalha Mey. Segundo ela, os próprios atletas fazem a manutenção das cadeiras de rodas esportivas, adquiridas com apoio de editais. "Toda a equipe técnica - alunos de graduação e pós-graduação da UFSCar - sempre atuou como bolsistas ou mesmo voluntários. O que nos faz seguir em frente é o próprio exemplo de superação e enfrentamento das adversidades pelos atletas com deficiências".

Outro desafio da equipe é a rotatividade, tanto de atletas, como de técnicos. "Embora muitos já tenham feito parte da equipe, no momento contamos com oito atletas com deficiências físicas, devido a amputações de membro inferior, lesão medular e paralisia por sequela de poliomielite". Os atletas são de São Carlos e também de outras cidades como Descalvado, Ibaté e Itirapina. "Precisamos muito de material humano para manter a continuidade e renovação da equipe".

TREINOS

Os treinos acontecem às quartas-feiras, das 19 às 21 horas, e aos sábados, das 8h30 às 11 horas, no ginásio poli-esportivo da UFSCar. As atividades são gratuitas e qualquer pessoa com limitações de tronco e membros inferiores pode participar, desde que não haja contra-indicações médicas para a prática esportiva. "Se você possui ou conhece alguém com deficiência física, venha conhecer nosso trabalho", convida Mey. "Basta entrar em contato conosco, pessoalmente nos treinos, ou por e-mail (mey@ufscar.br), e procederemos o agendamento de uma entrevista inicial (anamnese)". A professora explica que a UFSCar dispõe de cadeiras de rodas esportivas para os treinos que foram adquiridas por meio de participação em editais públicos. "Normalmente, as cadeiras de rodas esportivas são feitas sob medida, a partir das características de cada participante (tipo e nível de lesão, medidas dos segmentos corporais). Sempre temos algumas disponíveis para empréstimo e uso durante os treinos", detalha.

"Nos treinos fazemos vários tipos de exercícios, com alongamentos, batendo bola e depois com exercícios coletivos. Logo no começo eu jogava na linha e, hoje, sou titular do gol", conta Reginaldo. "Ali não tem preconceito, os técnicos dão muita força, incentivam muito e um atleta dá força ao outro. Eu não tinha motivação para nada. Agora eu me reergui", conclui.

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