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terça, 07 de julho de 2020
Alternativas para sobreviver

De professor de jiu-jitsu a pintor: são-carlense dá duro para manter renda da família

29 Jun 2020 - 07h53Por Marcos Escrivani
Denis Catharina durante um "bico": professor jiu-jitsu faz as vezes de pintor para buscar o sustento para a família - Crédito: Marcos EscrivaniDenis Catharina durante um "bico": professor jiu-jitsu faz as vezes de pintor para buscar o sustento para a família - Crédito: Marcos Escrivani

Há mais de 100 dias sem poder fazer o que mais gosta que é treinar seus aproximadamente 100 alunos. Sem a garantia das mensalidades, um professor (e técnico) de jiu-jitsu de São Carlos procurou alternativas para poder sobreviver, buscar recursos e manter a renda da família.

Este é o dia a dia de Denis Catharina, 42 anos, proprietário de uma academia no Jardim Santa Felícia. Casado e pai de uma filha de 12 anos, pratica a modalidade há 19 anos. Há 12 anos é técnico e professor e há sete anos dirige seu próprio negócio em um prédio na rua Manoel José Serpa.

O São Carlos Agora tomou conhecimento da iniciativa de Catharina e procurou ouvir o professor e técnico são-carlense que buscou nos bicos de pintor, recursos para poder manter a renda da família.

Antes da pandemia da Covid-19 chegar ele disse que tinha aproximadamente 100 alunos, vários com bolsas e que frequentavam o Proara, um projeto social que trabalha com jovens em vulnerabilidade social. Como técnico, tem em Vinícius De Francisco, o seu maior destaque, já que o são-carlense já chegou a ser medalha de prata em um Mundial de Jiu-Jitsu em sua categoria.

“Mas desde que a pandemia chegou, parei com as atividades. São três meses sem trabalhar. E eu vivo disso, é meu ganha pão. O sustento da minha família”, disse.

Com o passar das semanas, Catharina percebeu que demoraria para retornar às suas atividades normais. Preocupado, foi em busca de alternativas para uma renda extra.

“Desde então faço bicos como pintor. Antes de ser professor de jiu-jitsu sempre me virei e fazia de tudo, um pouco. Hoje pinto casas e estabelecimentos normais. É uma alternativa que encontrei. Consegui ainda ter a ajuda do Auxílio Emergencial do governo e alguns alunos, graças a Deus, continuam a me ajudar pagando mensalidades mesmo sem treinar. Isso faz com que eu possa sustentar a minha família”, reconheceu o professor.

ANSIEDADE

Catharina reconhece que o momento é complicado e é a favor do isolamento social, já que considera letal a pandemia da Covid-19. “É uma doença grave e pode trazer sérias consequências àqueles que se infectarem”, ponderou.

Entretanto não nega a ansiedade pelo retorno e aguarda uma expectativa para poder voltar a trabalhar. “Espero que as autoridades políticas e as sanitárias busquem uma solução para este grave problema e consiga um meio que busque a superação”, disse.

CONTATO FÍSICO

Durante os treinos, Catharina reconhece que no jiu-jitsu o contato físico acontece. Justamente algo que não pode ocorrer durante a pandemia da Covid-19.

Porém ele salienta que neste período iria limitar em seu local de trabalho o número de alunos. “Aulas com distanciamento e individualizadas com a mesma qualidade. Em local onde há ventilação e limitar número de alunos. Seguir todos os protocolos de segurança e evitar aglomeração. Inclusive a não presença dos pais, que normalmente ficam durante as aulas. Eles teriam que ficar do lado de fora, obedecendo o distanciamento ou em seus veículos. Acredito que seria uma forma de retomar as atividades devagar, mas com segurança. As autoridades têm que ter a ciência que as pessoas necessitam trabalhar. Cada um em sua área”, finalizou Catharina.

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