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quarta, 20 de janeiro de 2021
Esportes

Aeromodelismo: uma paixão traduzida em asas; voar com os pés no chão

A prática está franco crescimento no Brasil e São Carlos acompanha ritmo de evolução

11 Set 2017 - 08h18
Foto: Marcos Escrivani - Foto: Marcos Escrivani -

Uma paixão que pode estar ao alcance de todos. Pode ser uma aeronave simples, já usada, que pode ser adquirida por algo em torno de R$ 700. Mas há modelos mais complexos. Estes caros. Mas é uma atividade em franco crescimento no Brasil e São Carlos acompanha este ritmo.

O aeromodelismo ganha adeptos e é um hobby onde os praticantes voam com os pés no chão. Uma sensação de liberdade indescritível para os adeptos.

São Carlos tem praticantes desde a década de 60. O pioneirismo coube a Associação São-carlense de Aeromodelismo (ASA), mas com o passar dos anos, o interesse cresceu e ocorreu ramificações e desde 2000 existe no município a Associação Regional de Modelismo (ARM), que compreende helicópteros, carros, barcos e aviões, todos controlados remotamente. Hoje, com 75 associados, o clube é autossuficiente e localiza-se no km 244 (sentido interior-capital) da rodovia Washington Luís (SP-310), entre Ibaté e São Carlos.

São praticantes de várias cidades de uma macrorregião que compreende pilotos de São Carlos, Araraquara, Ribeirão Preto, Matão, Ibaté, Santa Gertrudes, Rio Claro, Jaú, Araras, Jaboticabal, entre outros municípios.

Durante o feriado de 7 de setembro, a reportagem do São Carlos Agora presenciou durante três horas o lazer que o aeromodelismo proporciona aos seus adeptos que diariamente comparecem em uma área rural com dois alqueires e meio e uma área de voo superior a seis alqueires em uma vizinhança desabitada.

Na oportunidade, o cientista em Geologia, Daniel Godoy, 37 anos, um dos fundadores da associação e o atual presidente, engenheiro civil Rafael Schneider, 40 anos, detalharam sobre a atividade desportiva que une praticantes de 13 a 78 anos (de ambos os sexos).

"É uma paixão pela aviação. A prática do aeromodelismo é um vírus que contagia", disse Daniel, salientando que a associação tem normas de segurança rígida e que são obedecidas por todos os praticantes.

"As pistas não são indicadas em área urbana por uma questão de segurança aos habitantes dos municípios. Por isso alugamos uma área rural e a pista foi homologada pela Confederação Brasileira de Aeromodelismo (Cobra), afirmou Rafael.

VOAR COM OS PÉS NO CHÃO

Aeromodelismo? Para Rafael e Daniel é simples: esquecer do mundo, dos problemas, sumir com o stress e sair da correria do dia a dia.

"Semanalmente a família está aqui no clube. Ficamos com os amigos e passamos um dia relaxante. Esquecemos de tudo. É um bate papo sem compromisso. E quando vamos para a pista é uma sensação de liberdade. Voar com os pés no chão", disse Daniel.

Na quinta, de posse de um rádio controle, botões e comandos, os aeromodelistas seguiam para pista. Com paciência, faziam seus aviões funcionarem. A cabine era um espaço construído para proporcionasse segurança. No máximo, cinco de cada vez. "A pilotagem é complicada, pois não estamos em uma cabine. Mas em uma área livre. Mas os comandos são os mesmos de uma aeronave real. "Podemos até lidar com aviões de fato. Mas os pilotos formados têm em pilotar aeromodelos, tal o grau de exigência", comentou Daniel. "Mas há pessoas que conseguem em um dia, as manobras básicas. Entretanto há outras que levam até quatro meses para pilotar com eficiência", emendou Rafael.

EM ASCENSÃO

Daniel e Rafael tem uma opinião em comum: o aeromodelismo está em crescimento em São Carlos. "Há 20 anos, conseguíamos os aparelhos e as peças somente em São Paulo. Hoje, há lojas na cidade e em toda região", comentam.

Entretanto, eles avaliam que a economia brasileira interfere, pois a matéria prima do aeromodelismo é importada. "Interfere muito. Podemos dizer 99,8% pois existe o câmbio que baseado no dólar. Entretanto o fato do crescimento da modalidade, fica mais fácil praticar o aeromodelismo, pois há estabelecimentos comerciais em São Carlos e em toda a região", afirmaram.

PRATICANTES

Daniel garantiu que, no início, a prática do aeromodelismo não é cara. Se o interessado quiser, pode adquirir um aparelho usado que custa em torno de R$ 700 a R$ 800. "Mas quando pega gosto, ai vira uma doença gostosa e há modelos top e jatos que custam até R$ 250 mil. Nos EUA há praticantes que montam aeromodelos em tamanho real", exemplificou.

O presidente da associação regional informou que há no grupo praticantes que possuem aviões de treinamento, planadores, acrobáticos, escalas (réplicas de aeronaves reais). Os mais lentos chegam a 60 km/h e os mais rápidos, atingem 400 km/h. As potências variam de 0,01 até 300/400 cilindradas.

"Eles são movidos a eletricidade, metanol, gasolina e querosene de aviação", disse Daniel.

COMPETIÇÕES

Por fim, Rafael Schneider afirmou que integrantes da associação participam de torneios regionais, estaduais e nacionais. Mas há ainda competições internacionais.

"Geralmente as etapas são trimestrais e aproximadamente 30% dos associados participam em competições acrobáticas, de planadores e de escala (réplicas perfeitas). Neste último caso há necessidade ainda de apresentar documentação do real aos juízes", finalizou Rafael.

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