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domingo, 19 de maio de 2019
Dia a Dia no Divã

Transtorno de Acumulação Compulsiva

13 Mai 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Transtorno de Acumulação Compulsiva -

No transtorno de acumulação compulsiva, as pessoas têm grande dificuldade de descartar ou se desfazer de posses, fazendo com que os objetos se acumulem, desorganizando áreas de convívio e impossibilitando seu uso.

Diferentemente de colecionadores, as pessoas acumulam coisas de forma desorganizada e têm dificuldade de se desfazer de coisas de pouco valor.

Os sintomas da acumulação excessiva frequentemente começam durante a adolescência. O transtorno pode ser leve inicialmente, mas pode piorar gradualmente conforme a pessoa envelhece, causando problemas substanciais ao redor dos trinta anos de idade. Acredita-se que cerca de 2 a 6% das pessoas apresentem esse transtorno.

As pessoas sentem uma forte necessidade de guardar objetos e sentem muita angústia quando são forçadas a se desfazer dos objetos ou mesmo de pensar em se desfazer deles. Elas não têm espaço suficiente para acomodar todos os objetos acumulados. Áreas de convívio ficam tão cheias e desorganizadas que não podem ser usadas, exceto para guardar os objetos acumulados. Por exemplo, pilhas de jornais acumulados podem encher a pia e cobrir bancadas, o fogão ou o chão da cozinha, impedindo que a cozinha seja utilizada para cozinhar.

A acumulação excessiva interfere com a capacidade da pessoa de executar atividades em casa e, às vezes, no trabalho ou na escola. Por exemplo, a pessoa pode não deixar que outras pessoas, incluindo membros da família, amigos e técnicos, entrem na casa porque se sentem envergonhados pela acumulação. Eles podem deixar as cortinas fechadas para que ninguém veja o interior da casa. A desordem pode ser um risco para incêndios e à segurança, e a casa pode infestar-se de pragas. Algumas pessoas percebem que o acúmulo excessivo é um problema, mas muitas não. É uma doença que necessita de tratamento.

No acúmulo excessivo de animais, as pessoas acumulam mais animais de estimação do que o lugar permite, sem poder alimentar e prestar atendimento veterinário. Elas deixam que os animais vivam em situações anti-higiênicas. Frequentemente, os animais ficam abarrotados e perdem peso e/ou adoecem. No entanto, muitas pessoas com o transtorno não reconhecem que não estão tomando o devido cuidado com os animais. Os acumuladores excessivos frequentemente são bastante apegados aos seus animais e não querem abandoná-los.

Sem tratamento, os sintomas normalmente persistem durante toda a vida, com pouca ou nenhuma alteração.

Ela difere da coleção de objetos, porque a acumulação excessiva, diferentemente da coleção, é desorganizada e interfere com a capacidade da pessoa de utilizar os cômodos em desordem.

Muitas pessoas podem guardar objetos que têm valor sentimental sem que isso seja uma doença. O que diferencia o Transtorno da Acumulação de uma pessoa mais apegada aos bens materiais ou animas, por exemplo, é a gravidade do comportamento que pode levar a problemas com autoridades sanitárias, sofrimento psíquico, incapacidade para tralhar e isolamento social.

As pesquisas indicam que a origem do acúmulo pode estar na violência física, doença mental dos pais e privação afetiva na infância, assim como na privação material em algum momento da vida. O transtorno é duas vezes mais frequentes em homens que em mulheres.

A acumulação tem diferentes perfis. Os acumuladores que têm o chamado consumismo compulsivo costumam comprar enormes quantidades de um mesmo item, pegar doações e coletar objetos na rua. O prazer está no acúmulo e não no aproveitamento do objeto.

A diferença entre um colecionador saudável e um acumulador patológico é que o primeiro escolhe um item especifico (camisetas, carrinhos, etc.) e o segundo coleciona qualquer objeto e apresenta dificuldades para organizar o ambiente em que vive.

Pessoas com esse transtorno não o reconhecem como um problema, pelo contrário, eles colocam valores afetivos às coisas, tem uma conexão emocional com seus objetos ou animais. Com isso, são desenvolvidas crenças disfuncionais sobre o descarte, assim como pensamentos catastróficos, como por exemplo: – como vou viver sem isso, não terei dinheiro para comprar outro, etc.

O tratamento é muito difícil. Os acumuladores são muito resistentes a se livrar do entulho, dos animais, etc. Por isso, é importante que ao notar qualquer sinal que possa indicar a acumulação patológica, a família busque ajuda. Os acumuladores não percebem o problema, não tem motivação para tomar decisões, por isso a família é muito importante.

Como os acumuladores têm pensamentos distorcidos ou até mesmo catastróficos para se livrar de suas coisas, a psicoterapia ajuda a diminuir o sofrimento associado ao descarte. Há casos em que é necessário a intervenção medicamentosa.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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