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quinta, 22 de abril de 2021
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Qualidade de Vida: Sabendo mais sobre a hérnia de disco

21 Fev 2018 - 01h55Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Uma patologia com um alto índice e que provoca dores limitantes, onde o indivíduo precisa permanecer em repouso impedindo que o mesmo exerça suas atividades de vida diária. As hérnias mais comuns são as lombares (região da cintura) e as cervicais (pescoço). A coluna lombar sofre principalmente por ser uma região que suporta maiores cargas e a coluna cervical, por ser uma região de grande mobilidade.

Aproximadamente 80% das pessoas vão experimentar a dor lombar em algum momento de suas vidas. A localização mais comum da hérnia de disco lombar é no disco que fica entre a quarta e quinta vértebra lombar (L4/L5) e no disco que fica entre a quinta vértebra e o sacro (L5/S1).

As hérnias discais são patologias ligadas ao desgaste das estruturas do disco intervertebral, o disco é uma estrutura localizada entre duas vértebras, ele possui uma área central gelatinosa (núcleo pulposo) circundada por um anel fibroso que mantém esse núcleo no seu interior, o núcleo gelatinoso funciona como um amortecedor, devido a fatores como seu envelhecimento (degeneração), sobrecarga local ou traumas, o anel às vezes rompe e permite a saída de parte do núcleo. Esse material gelatinoso comprime a raiz nervosa e provoca os sintomas de uma hérnia de disco.

Os sintomas podem surgir subitamente, desaparecer espontaneamente e retornar em intervalos ou podem ser constantes e de longa duração. Na maioria dos casos, os sintomas melhoram naturalmente com três meses, mas podem ser auxiliados com tratamentos clínicos e Fisioterapêuticos. Mesmo o paciente se sentindo bem sem tratamento, é importante que ele faça um programa de tratamento voltado para a funcionalidade normal da coluna e para o seu fortalecimento. As pesquisas são categóricas: após os primeiros sintomas de dores nas costas, os músculos que protegem a coluna vertebral começam a ficar fracos e atrofiados.

A hérnia discal lombar pode causar: Dormência e formigamento nas pernas, pés e dedos; Dor na região lombar; Dor ao longo do trajeto do nervo que vai da coluna vertebral à nádega, coxa, perna e calcanhar (dor ciática); Fraqueza nas pernas; Dificuldade em elevar a parte anterior do pé (pé em gota, pé caído); Pode afetar os nervos que controlam a função intestinal e bexiga, comprometendo a defecação ou a micção.

A hérnia de disco cervical pode causar: Dor na omoplata; Dor na região axilar ou no trapézio; Dor no extremo do ombro, que irradia pelo membro superior até um ou dois dedos da mão; Fraqueza dos músculos do membro superior; Comprometimentos dos movimentos dos dedos são afetados.

A dor de uma hérnia discal, normalmente piora com os movimentos e pode ser agravada pela tosse, pelo riso, pela micção e pelo esforço para evacuar.

O diagnóstico mais preciso da hérnia de disco é feito pela Ressonância Magnética.

O tratamento pode ser conservador (com fisioterapia) ou cirúrgico dependendo do grau de compressão e da lesão do disco.

Na Fisioterapia há uma técnica bastante utilizada e conhecida, com resultados comprovados no tratamento de hérnias discais que se denomina  Reeducação Postural Global (R.P.G.), o Pilates hoje é um forte aliado contra essa patologia trazendo vários benefícios, e a Fisioterapia com seus recursos terapêuticos, manipulações e diversos tratamentos pode trazer uma qualidade de vida bem melhor aos acometidos.

A RPG é um tratamento individual, ativo e progressivo, que engloba um trabalho conjunto entre Fisioterapeuta e paciente, havendo a necessidade de um controle específico da respiração, bem como de contrações específicas de determinados músculos colocados em tensão. Através de técnicas, trabalhamos em posturas, alongamento, fazendo micro ajustes seguindo a cadeia muscular que está causando a dor e/ou outros problemas, alongando os músculos estáticos e ao mesmo tempo fortalecendo os músculos dinâmicos. Com a tração manual, o tempo todo utilizada, provoca-se uma pressão negativa no local, onde é aumentado o espaço entre as vértebras, descomprimindo o nervo e aliviando a dor; proporcionando assim, uma qualidade de vida melhor para o indivíduo. 

Segundo pesquisas, somente 10% dos casos de hérnia de disco precisam de cirurgia. A maioria é curada com terapias não agressivas. O que acontece, em geral, com as pessoas que sofrem com hérnia de disco é o encaminhamento para uma cirurgia corretiva. Como toda operação, esse procedimento implica riscos, como o de sofrer reações à anestesia ou ser vítima de infecções.

Um estudo publicado na Revista da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos mostrou que esta deveria ser a última possibilidade a ser cogitada. O trabalho afirma que cerca de 90% dos indivíduos portadores de hérnia de disco podem se recuperar com o  uso de técnicas como fisioterapia, acupuntura, reeducação postural global (RPG) e analgésicos. Isso quer dizer que apenas 10% têm necessidade de fazer cirurgia. As pesquisas prévias sobre o tema foram amplamente revisadas, chegando, assim, a tal conclusão. No grupo de pessoas avaliadas, os que apresentavam recorrência da hérnia após a cirurgia eram, em sua maioria, jovens e pessoas que trabalhem com atividades que exijam esforço físico. O resultado vem ao encontro do que têm defendido especialistas no assunto.

A população precisa saber que essa doença não tem cura. As pessoas melhoram da dor, voltam a ter uma vida normal na maioria das vezes, mas é bom deixar claro que o repouso e os medicamentos não devolvem a funcionalidade nem fortalecem os músculos que ficaram fracos com a doença. Acreditamos que esse seja um dos principais motivos de tantas dores recorrentes na coluna vertebral.

Assim, se você teve um episódio de dor severa na coluna e esses sintomas permaneceram por mais de três meses, provavelmente outros virão. Essa regra vale para 100% dos casos, portanto, o segredo é fazer uma atividade física em locais adequados e com profissionais especializados.

95% das pessoas que sofrem com a hérnia de disco não precisam realizar cirurgia na coluna vertebral, podendo tratar com método não invasivo.

13% das consultas médicas envolvem dores na coluna.

15% da população mundial sofrem com a hérnia de disco.

70% da população brasileira com mais de 40 anos sofre de algum tipo de problema na coluna.

Essa doença é a 3ª causa de aposentadoria precoce, as dores nas costas são também o 2° principal motivo das pessoas que tiram licença no trabalho.

Mais de 6 milhões de brasileiros sofrem com a doença e é a 2ª maior causa de afastamento do trabalho, ficando atrás apenas das doenças cardíacas.

Pessoas com faixa etária de 25-45 anos apresentam o maior índice de casos de hérnia de disco.

A palavra "coluna" já diz tudo sobre a importância desta estrutura no nosso corpo. Ela é o centro de equilíbrio do sistema musculoesquelético do ser humano e fornece a base para a estabilização do nosso corpo, permitindo uma distribuição perfeita das forças e dos gestos exercidos no nosso dia a dia ou nas práticas esportivas. Não é à toa que muitas lesões da coluna vertebral são atribuídas ao desequilíbrio e ao desalinhamento desta estrutura. Ou seja, a má postura é, sem dúvida, a grande vilã das mazelas existentes na coluna.

Existe uma postura correta para qualquer movimento que realizemos, inclusive, quando estamos em posição estática. Com a correria do dia a dia, nem sempre é possível obedecer a todas as regras, mas ainda assim podemos adotar o máximo de cuidado para não sobrecarregar os nossos músculos e articulações.

Mudanças no estilo de vida são indispensáveis para evitar o surgimento da hérnia de disco. Dentre as orientações, podemos destacar Evitar o fumo, Praticar atividades físicas sob orientação profissional para, sobretudo, Fortalecer a musculatura de sustentação da coluna, tornando-a mais resistente aos possíveis impactos, Adotar uma dieta saudável para controlar o peso corporal e prevenir que a coluna sofra com as sobrecargas, Não carregar excesso de peso no dia-a-dia ou no trabalho, Praticar exercícios de alongamento, Manter uma postura adequada em todas as situações.

O Autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos, Ortopedia e Neurologia, atua em São Carlos. Dúvidas e Sugestões: paulinhok10@hotmail.com / Facebook Paulinho Rogério Gianlorenço.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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