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terça, 22 de setembro de 2020
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Drogas tiram 4 mil pessoas do trabalho em cinco anos

15 Set 2014 - 11h00Por araraquara.com
Gilson (nome fictício) começou a beber aos 15; hoje está sóbrio há 9 anos. Ele frequenta o Alcoólicos Anônimos da Vila Xavier (Deivide Leme/Tribuna Impressa) - Gilson (nome fictício) começou a beber aos 15; hoje está sóbrio há 9 anos. Ele frequenta o Alcoólicos Anônimos da Vila Xavier (Deivide Leme/Tribuna Impressa) -

Em cinco anos, entre 2009 e 2013, cerca de 4 mil pessoas deixaram o trabalho e receberam auxílio-doença para tratamento de vícios em álcool e outras drogas como, cocaína, maconha e crack, segundo o INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), na região de Araraquara.

Apesar de registrar queda entre 2012 e o ano passado (de 1.080 para 995), o último índice é 80% maior que o primeiro ano do levantamento (553).

De acordo com o órgão, o afastamento é oferecido por um período inicial de dois meses, mas pode ser prorrogado por tempo indeterminado, dependendo do estado do paciente.

O total de auxílios-doença por todas as justificativas na região, que engloba 39 cidades, também vem crescendo e chegou a 25.348 no ano passado e pouco mais de 110 mil em cinco anos.

Em Araraquara, o primeiro atendimento para o tratamento contra álcool e drogas é feito no Caps-AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas). Também há três unidades do Alcoólicos Anônimos, que atendem no Centro, na Vila Xavier e no Santana.

Drama

“Essa é a doença das emoções.” É desta forma que Luís interpreta os anos em que a bebida alcoólica foi a forma encontrada para enfrentar as dificuldades da vida.

Sóbrio, depois de entrar para o grupo dos Alcoólicos Anônimos (AA) da Vila Xavier, ele já teve de ser afastado do trabalho por causa do envolvimento com o álcool.

“O mais comum é a empresa demitir. O número de afastamentos pela doença não reflete a realidade do alcoolismo”, completa Luís (os nomes usados na reportagem são fictícios).

Foi preciso ouvir burburinhos da família, que ameaçava interná-lo, para que Gilson decidisse buscar ajuda. Ele começar a beber com 15 anos. O vício se instalou e, aos 40, depois de noites a fio chegando bêbado em casa, resolveu parar.

Sem apoio emocional, voltou para a bebida, mas está sóbrio há nove anos. “É uma doença grave. E o doente, muitas vezes, não percebe”, diz. “Como sou comerciante, não fui afastado, mas seria internado e meu casamento também estava no fim”, recorda.

Prejuízo

O economista Alexandre Nicolella avalia que a estatística de auxílios-doença mostra apenas parte do problema, por conta do trabalho informal. “Existe muita subnotificação, principalmente no setor de serviços”, afirma. Nicolella acrescenta que o afastamento de funcionários das empresas por conta da dependência química afeta a produtividade. “Eles rendem menos, costumam ter um histórico de faltas maior.”

Lei

Projeto de lei aprovado pelo Congresso proíbe as empresas de demitirem sumariamente um funcionário dependente de álcool ou drogas consideradas ilícitas. Nesse caso, o contrato de trabalho deve ser suspenso, e o trabalhador, submetido a perícia médica pelo INSS para concessão de auxílio-doença e tratamento.

A demissão só ocorreria se o funcionário se recusasse a seguir as recomendações terapêuticas.

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