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sexta, 07 de agosto de 2020
Exposição virtual do Museu da ICMC

Alunos da USP São Carlos dão voz a máquinas

09 Jul 2020 - 06h36Por Denise Casatti
Alunos da USP São Carlos dão voz a máquinas - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus fechou os museus ao redor do mundo. Ao mesmo tempo, abriu portas para ampliar o acesso virtual ao que antes estava disponível somente para quem poderia comparecer presencialmente a esses espaços. Com o objetivo de possibilitar que mais pessoas conheçam os impactos da tecnologia na história da humanidade, acaba de ser lançada a primeira exposição virtual do Museu de Computação Professor Odelar Leite Linhares, localizado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

Alunos que dão voz a máquinas é o título da iniciativa, resultado da dedicação dos estudantes que ingressaram este ano no curso de Bacharelado em Sistemas de Informação no ICMC. Eles foram convidados a enfrentar um desafio no primeiro semestre: dar voz a 19 máquinas que fazem parte do acervo do Museu.

O convite veio do professor Claudio Toledo, responsável por ministrar uma disciplina que aborda a evolução histórica da computação. Curador do Museu, Cláudio sugeriu que os alunos se dividissem em grupos. Foi assim que surgiram as 22 equipes que se dedicaram a pesquisar as curiosidades e incontáveis histórias que permeiam essas 19 máquinas. No início do semestre, dias antes da pandemia paralisar as aulas presenciais, os estudantes entraram no museu e fotografaram as peças do acervo que iriam dar voz.

“Eu me empolguei fazendo esse trabalho. Pesquisei sobre o Atari e me esforcei até mais do que o necessário, criei um laço com a peça em si, um carinho. Cheguei até a instalá-la em uma máquina virtual para fazer uns testes. E como eu já tinha experiência com animação, fiz uma apresentação toda customizada, baseada na máquina”, explica Samuel Oliveira. Ele e Augusto Arantes são os alunos que dão voz ao ATARI 1040ST, lançado em 1983. Apesar de Atari ser um nome relacionado à indústria de consoles e videogames, a empresa também lançou computadores como o ATARI 1040ST, que além de jogos, oferecia ferramentas de criação e edição de textos, imagens e músicas. Samuel e Augusto criaram até um emulador, que possibilita ao público da exposição ter um gostinho de como funcionava essa máquina.

Já os estudantes Tayane Guerreiro e Rafael de Oliveira decidiram contar a trajetória do primeiro computador portátil da Apple, o Apple IIc, de uma maneira nada tradicional: “Quem me conhece sabe que eu sou bem blogueirinha, adoro aparecer. Então, eu pensei: o Tik Tok está aí para isso, explodindo, por que não usar? Lembrei que tinha um recurso em que apareciam os slides atrás e eu poderia aparecer na frente”, revela Tayane. Ela propôs a ideia a Rafael, que aceitou o desafio. “Até o professor Claudio duvidou de que a gente conseguiria fazer isso”, lembra a aluna. Resultado: a dupla consegue dar voz à máquina de uma forma divertida e atraente.
 

Museu sem paredes – “Com essa pandemia e com essa exposição, estamos mostrando que os museus não têm paredes. Qualquer pessoa pode ir a qualquer museu e compartilhar o que a gente tem de mais precioso. O nosso museu é um exemplo para o Brasil na área de computação”, disse o professor André de Carvalho, vice-diretor do ICMC, durante o evento online de lançamento da exposição.

“Nesse momento, ter uma exposição como essa é fundamental para ampliar a abrangência e o alcance das ações do ICMC. O Museu de Computação é muito importante para nós porque conta a história de como a humanidade tentou mecanizar o pensamento”, explicou o professor Moacir Ponti, presidente da Comissão de Cultura e Extensão Universitária (CCEx) do ICMC. “O papel principal da Universidade é gerar conhecimento por meio da pesquisa. Esse conhecimento gerado e estudado pelos pesquisadores e professores da Universidade é ensinado aos alunos para formar recursos humanos em nível de graduação e pós-graduação. A extensão é um pilar muito importante porque permite que esse conhecimento, que é ensinado e pesquisado na Universidade, possa atingir a sociedade”, acrescentou.

Transmitido ao vivo pelos canais do Instituto no Youtube e no Facebook na noite de quarta-feira, 1º de julho, o evento online contou com a participação dos alunos responsáveis pela exposição. No total, nove alunos relataram a experiência de aprendizado que obtiveram ao longo do semestre, enquanto realizavam o trabalho de levantamento das informações sobre cada máquina e definiam a melhor maneira de levar aquele conhecimento ao público por meio de um site na internet. “Para a gente, como aluno, participar desse projeto teve um valor especial. Eu não encarei como um trabalho acadêmico, mas realmente como uma oportunidade de reverter à sociedade todo esse investimento que faz na gente”, revelou o aluno Lucas Caetano durante o evento.

“Foi um semestre atípico, esses alunos tiveram duas semanas de aulas presenciais no ICMC e, depois, tudo se tornou virtual. Então, é muito bom ver esse engajamento para contarem um pouco da história da computação e falarem do nosso Museu”, reconheceu Ellen Francine, coordenador do curso de Sistemas de Informação.

Além de dar voz a máquinas, no mundo pós-pandemia, o professor Claudio pretende também “dar pernas” às peças do Museu, para que compartilhem suas histórias com o mundo: “O ICMC tem um tesouro que é esse Museu de Computação. Então, os professores do Instituto poderão requisitar as máquinas do acervo e levá-las à sala de aula para mostrar como era a arquitetura e o software de uma determinada época. Mas a ideia é que isso não seja privilégio dos professores do ICMC. Estaremos de portas abertas para emprestar peças a outras instituições que queiram exibi-las e os monitores poderão ir a essas instituições e falar sobre elas. Nossa intenção é estreitar nossos laços com a sociedade”.

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