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quinta, 26 de novembro de 2020
União faz a força

Mãos que tecem a esperança e solidariedade confeccionam máscaras para o HU

03 Abr 2020 - 08h45Por Marcos Escrivani
Mãos que tecem a esperança e solidariedade confeccionam máscaras para o HU - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Um grupo que começou com três amigas cresceu e agora é uma corrente do bem que trabalha unida para ajudar pessoas que estão envolvida na linha de frente no combate a pandemia do coronavírus: médicos, enfermeiros, motoristas, entre outros profissionais.

Assim é a filosofia do Projeto Tecer, que confecciona atualmente máscaras para os profissionais que atuam no Hospital Universitário de São Carlos e em breve passarão a produzir aventais.

O programa faz parte do Coletivo Amanhar, idealizado pela advogada, professora e membro da CDH, Alessandra Guimarães Soares e por Sara Lúcia de Freitas Osório Bononi, também advogada e presidente da CDH.

Esta união de forças tem ainda a parceria da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Subseção de São Carlos, da Câmara Municipal de São Carlos, Tapetes São Carlos e Sesc São Carlos.

EQUIPE UNIDA, JAMAIS SERÁ VENCIDA

Em uma entrevista exclusiva ao São Carlos Agora, Alessandra Guimarães Soares detalhou sobre a criação do Coletivo Amanhar, seus propósitos a curto prazo e a união de forças para ajudar a saúde de São Carlos no combate à Covid-19.

“Inicialmente o Coletivo foi criado para um enfrentamento a pandemia. Confeccionar máscaras para os profissionais que estão na linha de frente. Pretendemos fazer 200 por dia e se der, até mil por semana”, contou, salientando que um grupo de mais de 50 voluntários (costureiras) recebem uma vez por semana o material todo esterilizado e higienizado.

Abaixo, a equipe que faz parte do Projeto Tecer:

Abraão Golfet de Souza, 24 anos, estudante

Alice Kano, 67 anos, aposentada

Aline Vanessa Zambello, 34 anos, professora

Ana Claudia Ruela

Ana Maria Mattos Sant’Ana, aposentada

Ana Paula Denuncio, 35 anos, artesã

André Garcia Corrêa, 35 anos, clarinetista, professor IFSP

Andreia Marino, 41 anos, professora

Camila Pereira Sabadini, 26 anos, bióloga cursando doutorado

Catharina Liborio Ribeiro Simões, advocacy 

Cristiana Aparecida Cavalette, 32 anos, auxiliar administrativo

Danilo Antonio Amaral, 35 anos, professor

Elisete Silva Pedrazzani, 66 anos, aposentada

Fernando Fabrizzi, 39 anos, professor universitário

Fernando Fabrizzi, 38 anos, educador físico/professor

Filipi Nascimento Silva, 35 anos, pesquisador

Flávia Gomes Pileggi Gonçalves, 52 anos, médica

Francielle de Mattos, 30 anos, doutoranda em Educação pela UFSCar

Gabriel Lino e Silva, dentista

Glaucia Mazzi, 42 anos, professora de costura criativa

Helena Maria Tibúrcio da Silva, 57 anos, costureira

Livia Castanhas Bregano, 35 anos, veterinária/professora

Magda Gialorenço Cazu, 60 anos, microempreendedora (artesã)

Marcia Kano, 44 anos, terapeuta ocupacional

Maria Emília Marchesin, 65 anos, bibliotecária aposentada

Mayára Gomes da Silva Durigan, 33 anos, costureira

Mercia Ap. Gialorenço da Cruz, 54 anos, artesã

Monika Wernet, 45 anos, professora

Priscila de Mattos, 33 anos, professora

Priscila Mattos, 33 anos, professora do Magistério Superior da UFTM

Rachel Barboza, 42 anos, atendente de estúdio de tatuagem 13 Tattoo

Rosana de Fátima Martinhão, 40 anos, dona de casa

Silvana Pereira da Silva, 53 anos, microempreendedor ana área têxtil

Thiago Giovani Romero, 35 anos, advogado/professor

Vera Lucia Vitale Torkomian, 54 anos, professora aposentada

Viviane C. Garcia de Stefani, 41 anos, professora IFSP

A ENTREVISTA

“Somos sonhadores, acreditamos em uma sociedade mais fraterna, menos centrada no indivíduo e mais no coletivo”. Com esta frase, Alessandra expressou o sentido do Coletivo Amanhar sobre o atual momento em que passa a população mundial, que enfrenta um poderoso inimigo. Invisível e letal.

Com a união de forças, com a generosidade, amor humano e solidariedade, ela acredita que tudo em breve retornará ao normal, com ações sociais que envolvam a comunidade.

Em uma detalhada entrevista, falou sobre o Coletivo Amanhar, Projeto Tecer, a rede de voluntários, o trabalho, as metas e sobre o que pensa do futuro.

SÃO CARLOS AGORA - Como e quando surgiu o Projeto Tecer Esperança?

ALESSANDRA GUIMARÃES SOARES - Tecer Esperança nasceu a partir de uma ideia do Coletivo Amanhar. É um programa para o enfrentamento da presente escassez de materiais de proteção em razão da pandemia atual. O projeto se consolidou por esforços da Comissão de Direitos Humanos de São Carlos, professores/ pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos, funcionários do Hospital Universitário (HU) e voluntários das mais diversas áreas, com destaque para as inúmeras costureiras e, o fato de todos trabalharem de forma voluntária.

SCA - Qual a finalidade deste programa? O que ele contribui para a sociedade?

ALESSANDRA - Tendo conhecimento que as infecções acometem principalmente as vias aéreas o uso de máscaras cirúrgicas descartáveis torna-se peça fundamental para a contenção da propagação da Covid-19. A ideia do projeto é mitigar a propagação do vírus com a produção das máscaras. Confeccionando as máscaras ajudamos não só a evitar o contágio dos profissionais como também dos pacientes e acompanhantes que necessitam utilizar o serviço público de saúde. No atual cenário de pandemia, entendemos que qualquer ação que auxilie de forma eficaz e segura ao combate da Covid-19 é bem-vinda e contribui enormemente com toda a sociedade.

SCA - Quando surgiu a iniciativa de confeccionar máscaras para o HU?

ALESSANDRA - Desde o início do projeto os idealizadores estão em contato com o Hospital Universitário, que vem dando as diretrizes de segurança para a produção das máscaras. Nesse contato com o HU nos disponibilizamos a produzir as máscaras, que serão, a princípio, utilizadas pelos pacientes e acompanhantes. Dessa parceria com o HU surgiram outros contatos e novas necessidades, inclusive para produção de aventais também, que é outra frente que estamos formando.

Vale destacar que uma das nossas grandes preocupações sempre foi com a esterilização das máscaras, já que estamos trabalhando em condições não ideais devido à pandemia. Quem tem nos auxiliado nesse processo é o HU. Todas as máscaras confeccionadas por nós são autoclavadas pela USE, ou seja, estão devidamente esterilizadas. Vale destacar que firmamos uma parceria com o Departamento de Fisiologia da Universidade Federal de São Carlos e nossas máscaras também serão autoclavadas no departamento.

SCA - Quantas máscaras foram feitas até hoje? A ideia é produzir quantas mais?

ALESSANDRA - O projeto iniciou formalmente essa semana, já produzimos duzentas máscaras, até o momento, a ideia é produzirmos em média mil máscaras por semana.

SCA - O material utilizado na confecção delas, de onde vem?

ALESSANDRA - O material tem sido doado, a princípio. Recebemos doações da Tapetes São Carlos e, também estamos em contato com o Sesc que se disponibilizou a fazer doação dos materiais. Também temos uma campanha nas redes para arrecadar recursos para a compra desse material. A Padaria Guanabara está nos auxiliando. Eles nos deixaram utilizar o estacionamento para coleta dos materiais doados.

Aproveito para reforçar que os materiais estão acabando, por isso precisamos de contatos de fornecedores e toda ajuda necessária para a compra desse material. Utilizamos o TNT gramatura 40 e linha brancos. Mas estamos aceitando TNT nessa gramatura em outras cores.

SCA - Por dia, quantas máscaras são feitas?

ALESSANDRA - Ainda não temos ideia, pois iniciamos o projeto essa semana e, desde então, ele só está crescendo e ganhando corpo. Temos costureiras de Ribeirão Preto que querem nos ajudar, para que tenha ideia. Conseguimos recentemente a utilização do espaço do Fundo Social de Solidariedade para podermos ter um local de distribuição e recebimento do material. Nossa ideia com a liberação do uso do Fundo Social é termos voluntárias que irão fazer o corte, em escala mais “industrial” das máscaras, para podermos entregar pronto para as costureiras que, apenas terão o trabalho de fazer a costura, sem ter que se preocuparem em cortar.

SCA - O trabalho diário de cada voluntária como é? São dedicadas quantas horas para a produção das máscaras?

ALESSANDRA - Todos os dias recebemos cadastros de mais e mais pessoas que querem confeccionar as máscaras, começamos com cinco, passamos para quinze e hoje temos quase trinta voluntárias(os). A princípio, as costureiras (temos um rapaz entre nós também) estão recebendo o material uma vez por semana, devidamente higienizado. Temos um grupo de voluntários que fazem a entrega do material, de forma segura, para as costureiras, que após o recebimento dão início à produção das máscaras. Cada um tem um ritmo, não exigimos nada.

SCA - Qual a lição que deixa esta pandemia e este trabalho voluntário?

ALESSANDRA - Que juntos somos mais fortes, que as redes de solidariedade são fundamentais nesse momento e, que sim, somos um povo que tem muito a oferecer. Falo isso porque o projeto nasceu pequeno, erámos três pessoas no início, parecia algo impossível de ser realizado, mas com a energia de todos os envolvidos (é muita gente, acho que hoje, ultrapassamos cinquenta pessoas só em São Carlos, fora pessoas de fora que nos assessoraram), o projeto conseguiu ganhar corpo e sair do papel. Isso só foi possível porque muitos ousaram sonhar com a gente.

SCA - Acredita que, ao retornar tudo a normalidade, as pessoas irão rever seu modo de pensar e agir?

ALESSANDRA - Esperamos que sim. Somos sonhadores, acreditamos em uma sociedade mais fraterna, menos centrada no indivíduo e mais no coletivo. O ser humano é uma caixinha de surpresas, podemos sair disso pessoas mais egoístas ou mais abertas, isso vai depender de como cada um irá construir sua trajetória nessa crise. Se depender de nós, vamos sair mais humanos, mais voltados para o outro e propensos a realizar ainda mais do que realizamos até agora. Por isso, já deixamos um recado para os que estão acompanhando nosso trabalho “VENHAM TECER ESPERANÇA COM A GENTE”.

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