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domingo, 26 de setembro de 2021
Futebol amador em luto

Árbitro Cal perde batalha e morre vítima da Covid-19

Infecção fez mais uma vítima em São Carlos e deixou mais uma família em luto; “É um vazio que não será preenchido”, diz filho

26 Jul 2021 - 12h45Por Marcos Escrivani
Cal com os filhos: momento de alegria, mas saudade que fica e vazio que não será preenchido - Crédito: DivulgaçãoCal com os filhos: momento de alegria, mas saudade que fica e vazio que não será preenchido - Crédito: Divulgação

O futebol amador são-carlense está em luto com a morte do árbitro Carlos Silva Oliveira, conhecido como Cal. Aos 60 anos, ele não resistiu às complicações causadas pela Covid-19.

Autônomo, Cal deixou a esposa Helena Ponsoni, aposentada, 64 anos; as filhas Fabiana e Tatiana, além do filho João Carlos, casado com Taíne, que espera o primeiro filho (gestante de 8 meses). Deixa os netos Gustavo, Guilherme, Vinícius, Luciana, Camile e Maria Eduarda.

Santista de coração, Cal foi árbitro durante 35 anos, atuando em campeonatos amador e varzeano, rural, de clubes e regional.

Cal faleceu aos 7 minutos de sábado, 24, na Santa Casa de São Carlos. Seu sepultamento ocorreu no mesmo dia, às 15h30, no Cemitério Municipal Nossa Senhora do Carmo.

UM VAZIO QUE FICA

João Carlos, caçula entre os filhos, conversou com a reportagem do São Carlos Agora no sentido de prestar a última homenagem ao pai. “É uma vazio que fica e que não será preenchido”, disse. “Uma dor insuportável, difícil de ser definida”.

Ele afirmou que o pai tinha medo da Covid-19 e se cuidava ao extremo. Já tinha tomado a primeira dose da vacina e esperava a segunda, da AstraZeneca, que seria aplicada no final deste mês. “Pegava no pé de toda a família para se cuidar. Desde o início da pandemia ficava em casa e cuidava da esposa, dos filhos e dos netos. Saia de casa apenas para a sua caminhada”, salientando que ele tinha uma saúde perfeita.

Entretanto, na manhã de sábado, 17, Cal começou a passar mal, com febre e dores pelo corpo. Na segunda-feira, 19, seu estado de saúde piorou e foi até o Centro de Triagem onde testou positivo para a infecção e de lá, de ambulância, foi transferido para a Santa Casa onde foi internado na UTI. “No mesmo dia foi colocado respirador nele”, disse João Carlos.

Entretanto, na terça-feira, 20, com autorização da família teve que ser intubado e desde então passou a lutar pela vida. “Porém, devido a Covid-19 ele teve duas paradas cardiorrespiratórias. Na primeira, os médicos conseguiram reanimá-lo, mas na segunda...”, lamentou. “Meu pai não suportou e faleceu. Agora resta a saudade...”.

GUERREIRO

Motoboy e árbitro como o pai, João Carlos disse que Cal deixa um legado de honestidade, trabalho e idoneidade. “Meu companheiro, meu herói. Seguia os seus passos. Me espelho nele. Era tudo para mim. Estou sem palavras”.

João Carlos afirmou que fica uma dor enorme, um vazio que não será preenchido. “Talvez um pouco amenizado com o passar do tempo”.

NÃO SABE COMO SERÁ O RETORNO

Com o tempo, João Carlos tem a convicção que a pandemia da Covid-19 será controlada e os campeonatos retornarão. Como homenagem a Cal, pretende continuar a mediar jogos em São Carlos, mas confessa que não sabe como será a primeira vez sem o pai.

“Muitas vezes ia com ele para os clubes. Recebi o conforto e o carinho de muitos amigos nossos, que foram solidários. Mas não sei como vai ser a primeira vez. Olhar ao lado e não vê-lo. Não vai ter como não entrar em campo e vir a sua lembrança. Vou pensar muito no meu pai. Espero que lá do céu, ele apite o jogo das nossas vidas e nos de energia positiva para continuar a seguir o seu legado”, finalizou.

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