quinta, 19 de maio de 2022
Artigo Rui Sintra

Vozes de burro não chegam ao céu

21 Jan 2022 - 06h24Por (*) Rui Sintra
Vozes de burro não chegam ao céu -

Durante a semana que agora finda, uma notícia me chamou a atenção publicada no “Blogue Portugal Giro” (Globo) vinda diretamente de Portugal. Obviamente que tudo o que diga respeito à minha Pátria Mãe me desperta a curiosidade - para o bem, ou para o mal. Derivada de uma outra noticia que saiu a público recentemente e que tratava do fato de Portugal aprovar menos de metade dos estrangeiros candidatos a exercer a profissão de médicos no país, em sua maioria brasileiros, sua excelência reverendíssima, ilustríssima, magnífica, respeitadíssima e iluminadíssima (dentre outros adjetivos que eventualmente possam terminar em “íssima”), o Bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal - equivalente ao Conselho Federal de Medicina (CFM) -, afirmou à Agência Lusa e a outros órgãos de comunicação social portugueses que essa demora se deve ao fato... Prestem atenção!!!!... De o Brasil ser um dos países do mundo com mais cursos de medicina, tendo os piores e os melhores cursos dessa área. Para o Bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal, “abrir uma escola médica no Brasil é muito fácil, o governo não impede nenhuma escola. A maior parte dos médicos brasileiros não estão inscritos na Ordem dos Médicos brasileira". Mas, tem mais!!! Nessas suas declarações, sua excelentíssima excelência ainda afirmou que a formação de um médico no Brasil duraria de um a seis anos. É óbvio que estas declarações chegaram ao CFM e também é de esperar que o órgão não se manifeste publicamente contra estas descabidas e infelizes declarações, preferindo, certamente, um contato mais privado para sanar as reações que os médicos brasileiros tiveram em terras lusitanas após esta notícia, bem como não “chacoalhar” a diplomacia entre os dois países. Como se fosse possível algum médico, seja em que país for, se formar em um ano, como sua divina excelência afirmou, ou como se fosse possível algum médico exercer sua profissão no Brasil sem estar devidamente inscrito e autorizado em um (ou mais) conselho regional. Por outro lado, em suas declarações, o digníssimo Bastonário da Ordem dos Médicos coloca em causa a formação dos médicos brasileiros, bem como as mais prestigiadas universidades do Brasil que têm a missão de formar os futuros médicos. Embora os médicos brasileiros (e não só) tenham que se sujeitar a determinadas regras e provas adicionais impostas pela União Europeia, no sentido de poderem exercer a profissão em qualquer país do Bloco (não só em Portugal!), isso não quer dizer que não estejam devidamente qualificados para tal - muito pelo contrário. Na pequenez das declarações do Bastonário da Ordem dos Médicos de Portugal, que deveria merecer uma atuação do próprio governo lusitano, cabe a nós, portugueses radicados no Brasil e amantes deste País e das cidades onde fomos acolhidos, apresentarmos o devido pedido de desculpa, aproveitando para sublinhar um conhecido provérbio português que diz: “Vozes de burro não chegam ao céu”.

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer. MTB 66181/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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