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quarta, 28 de outubro de 2020
Saúde do Cérebro

Você sabia que o Acidente Vascular Cerebral (AVC) - ou derrame - é uma das principais causas de mortalidade e sequelas no Brasil?

23 Set 2020 - 09h20Por Dr. Daniel Pedro Comineli Beltrame
Imagem Ilustrativa - Crédito: DivulgaçãoImagem Ilustrativa - Crédito: Divulgação
O AVC é a segunda maior causa de mortes e a principal causa de incapacidade no Brasil. Para ter uma ideia, é estimado que mais de 100.000 pessoas morram anualmente no país por causas relacionadas ao AVC.
O AVC é uma alteração na circulação sanguínea do cérebro, que pode ser de dois tipos: isquêmico, que ocorre em cerca de 80% dos casos, ou hemorrágico, que ocorre nos demais casos.
 
O AVC isquêmico é provocado pela obstrução de uma ou mais artérias no cérebro ou no pescoço, como a artéria carótida. Ocorre uma obstrução do fluxo de sangue nessa artéria afetada devido a um coágulo formado no próprio vaso ou proveniente do coração, havendo assim falta de oxigenação na região cerebral que dependa desse vaso para sobreviver. O resultado é que essa região do cérebro começa um processo de morte, que chamamos na medicina de necrose. Como a obstrução do fluxo ocorre subitamente, os sintomas do AVC também ocorem dessa forma, sendo sempre repentinos.  Os fatores que predispõem a essa doença são conhecidos atualmente, sendo os mais relevantes: tabagismo, idade avançada, obesidade, doenças cardíacas e mau controle de doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto.
 
O AVC hemorrágico geralmente é mais grave e ocorre com a ruptura de um vaso sanguíneo. Essa ruptura pode ocorrer devido a um aneurisma cerebral, que é uma má-formação de artérias cerebrais (esse tipo ocorre mais em jovens), ou a um rompimento de um vaso normal em paciente com hipertensão arterial não controlada, o que ocorre mais em idosos.
O derramamento de sangue ao redor do cérebro é muito grave, pois o sangue está onde não deveria estar: fora dos vasos. Isso tem o risco de levar a várias complicações, como aumento da pressão dentro do crânio, o que pode levar a coma e até a morte do paciente.
 
Nos dois tipos de AVC, os sintomas acontecem de acordo com a área do cérebro afetada. Por exemplo, AVC no hemisfério cerebral esquerdo pode causar fraqueza em braço e perna à direita, além de alterações na fala e linguagem. Já o AVC em hemifério cerebral direito pode causar fraqueza nos membros do lado esquerdo e dificuldades para reconhecer o espaço e pessoas ao redor do paciente. Além disso, há vários outros sintomas possíveis conforme outros locais acometidos, como sonolênicia, distúrbios de equilíbrio, assimetrias na face, deficiência visual, dificuldade na deglutição de alimentos, dentre outros. 
 
A avaliação de um neurologista, médico especializado nesse tipo de doença, é essencial para o correto diagnóstico e tratamento. O diagnóstico da causa exata do AVC é um processo complexo por exigir vários tipos de exames, a depender de cada caso, como ecocardiograma, ultrassom de artérias do pescoço e exames de imagem do crânio. Porém, esse diagnóstico é fundamental por esclarecer qual foi a causa e, mais importante que isso, guiar qual deve ser o tratamento correto para prevenir outro AVC no paciente. Além disso, o neurologista é o profissional mais capacitado para indicar o tratamento de reabilitação do paciente, visando à recuperação das funções acometidas pelo AVC.  Esse tratamento pode incluir consultas com fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista, fonoaudiológo e terapeuta ocipacional, a depender de cada caso. O neurologista também é totalmente apto a orientar pacientes que não tenham sofrido AVC mas tenham receio de ter essa doença, orientando mudanças no estilo de vida e tratamento de doenças associadas ao AVC. Portanto, não deixe agendar consulta com um neurologista em quaisquer dessas condições, seja para prevenir ou tratar AVC.

 

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