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terça, 20 de abril de 2021
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Transtorno de Oposição Desafiante: quando a desobediência torna-se patológica

19 Mar 2018 - 03h23Por (*) Bianca Gianlorenço
Transtorno de Oposição Desafiante: quando a desobediência torna-se patológica - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

A desobediência pode ser uma característica comum entre crianças e pré-adolescentes, mas quando a atitude de teimosia é excessiva é preciso estar atento a um possível, Transtorno de Oposição Desafiante (TOD).

Assim como outras patologias, é importante que os pais busquem diagnosticar este transtorno o quanto antes para evitar que ele traga complicações e prejudique a vida social e o desenvolvimento intelectual da criança.

O Transtorno de Oposição Desafiante é caracterizado por uma atitude reiterada de teimosia, postura desafiadora e comportamento hostil.

Este é um quadro que pode afetar crianças e pré-adolescentes, geralmente em idade escolar.

Ainda não existem causas genéticas comprovadas que possam levar ao desenvolvimento do TOD, mas sabe-se que o ambiente em que a criança convive pode estimular o comportamento difícil.

O não tratamento deste transtorno pode trazer consequências como:

1-Prejuízos na vida social da criança, pois a forte teimosia e os acessos de raiva afastam as outras crianças;
2-Baixo desempenho escolar, porque a criança tem tendência a querer solucionar os problemas sozinha e tem dificuldade para pedir ajuda ao professores;
3-Desenvolvimento de Transtorno de Conduta na adolescência.

Observar o comportamento da criança e procurar tratamento adequado para o problema são atitudes importantes para evitar a evolução do transtorno e para garantir que a criança tenha uma infância saudável.

Como identificar o transtorno?

Apresentar um comportamento desobediente, de vez em quando, não é incomum entre crianças e adolescentes. Ser teimoso, aletoriamente, ou demonstrar raiva por determinada situação também não.

O problema é quando estas são atitudes constantes:

1-Ataques de raiva;
2-Discussões frequentes com pais, coleguinhas e professores;
3-Comportamento vingativo;
4-Atitude hostil;
5-Agressividade;
6-Recusa para obedecer a regras.

A agressividade é uma característica predominante no comportamento da criança com TOD. Para alguns autores, o Transtorno de Oposição Desafiante é uma fase antecedente ao Transtorno de Conduta, ou seja, é uma etapa mais leve, apresentada em uma fase mais nova da vida.

O Transtorno de Conduta é caracterizado por um comportamento violento, pela ausência de preocupação com o bem estar alheio e pela agressividade excessiva.

Tratamentos:

Para evitar que o problema se agrave e ajudar a criança a manter um comportamento que garanta uma infância saudável, é necessário, depois de diagnosticado, buscar o tratamento adequado para o Transtorno de Oposição Desafiante.

Para isso, é indicada terapia, que busca reforçar atitudes positivas e afastar padrões negativos.

Além disso, a parceria entre psicólogos, médicos, pais e professores é fundamental para garantir a melhora no comportamento da criança.

Quando isso acontece, há uma evidente evolução na maneira como o paciente se relaciona com colegas de escola e figuras de autoridade, fato que reflete positivamente na vida da criança.

Infelizmente já vi TODs não tratados evoluírem para Borderlines e por aí afora.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. Sugestões: biagian@hotmail.com. Facebook: Bianca Gianlorenço.

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