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segunda, 23 de setembro de 2019
Dia a Dia no Divã

Sociopatia

02 Set 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Sociopatia -

A sociopatia é um transtorno incluído no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5) como “transtorno de personalidade antissocial”. 

Esse distúrbio é definido como “uma condição mental na qual uma pessoa tem um padrão prolongado de manipulação, exploração ou violação dos direitos de outras pessoas”.

A característica essencial desse distúrbio é um padrão geral de desprezo e violação dos direitos dos outros. Começa na infância ou no início da adolescência. O transtorno continua na idade adulta. 

Para fazer o diagnóstico, a pessoa deve ter pelo menos 18 anos de idade. A pessoa também deve ter um histórico de alguns sintomas de transtorno de conduta antes dos 15 anos.

O transtorno envolve um padrão repetitivo e persistente de comportamento em que os direitos básicos dos outros ou as principais normas sociais são violados. Os comportamentos característicos da sociopatia são agrupados em quatro categorias: agressão contra pessoas e animais, destruição de propriedade, fraude ou roubo e violação grave das regras. Um sociopata não está em conformidade com as normas sociais e, em muitos casos, com a legalidade.

O sociopata carece de empatia e tende a ser o que poderíamos entender como uma pessoa cruel. É também cínico e depreciativo com os sentimentos, direitos e sofrimento dos outros.

A pessoa sociopata pode ter uma alta concepção de si mesmo e ser arrogante. Por exemplo, pode pensar que o trabalho comum não está à sua altura ou não tem uma preocupação realista com seus problemas atuais ou com seu futuro.

Um sociopata é uma pessoa excessivamente obstinada, segura de si mesma, a ponto de podermos qualificá-la como vaidosa. Além disso, emite um charme simplista e superficial, com capacidade verbal volúvel e artificial. Por exemplo, usa termos técnicos ou jargões que possam impressionar alguém que não esteja familiarizado com o assunto.

Um sociopata também pode ser irresponsável e explorador em seus relacionamentos sexuais e de casal. A pessoa geralmente iniciou muitos relacionamentos e nunca teve um relacionamento monogâmico.

A pessoa pode experimentar disforia, com dificuldade para suportar um nível mínimo de estresse ou uma incapacidade acentuada de tolerar o tédio, pois assim ela se perde, porque por si só dificilmente encontra entretenimento. Ela pode desenvolver ansiedade, transtornos depressivos, transtornos por uso de substâncias, transtorno por jogo (jogador patológico).

Ela também costuma ter características de personalidade que a tornam propensa à Síndrome de Borderline, transtorno de personalidade histriônica e narcisista. A probabilidade de desenvolver um transtorno de personalidade antissocial na vida adulta aumenta quando um transtorno começa na infância.

Abuso ou negligência infantil, paternidade instável ou irregular ou disciplina parental inconsistente aumentam a probabilidade de que o transtorno de conduta se torne um transtorno de personalidade antissocial. Ou seja, tais situações aumentam a probabilidade de que a pessoa se torne um sociopata.

Como podemos ver, os sociopatas são aquelas pessoas que não demonstram empatia pelos outros ou remorso por suas ações. A sociopatia, catalogada como um transtorno de personalidade, hoje é chamada de transtorno de personalidade antissocial.

Tratamento:

Dificilmente uma pessoa com esse transtorno procura tratamento.

Cada indivíduo passa por um processo de tratamento que varia de acordo com sua idade, gravidade da doença e possível presença de outros transtornos de personalidade.

Terapia e uso de medicamentos são as opções mais utilizadas. Um psicólogo pode ajudar no recondicionamento do comportamento do sociopata, ensinando o indivíduo uma nova maneira de lidar com a sociedade, sem prejudicar os outros.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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