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domingo, 26 de maio de 2019
Artigo Rui Sintra

Só de jipe ou de jegue

09 Mar 2019 - 18h23Por (*) Rui Sintra
Só de jipe ou de jegue -

Uma vez mais, o cidadão são-carlense sente vergonha da cidade onde vive. Uma vez mais, os gestores públicos de São Carlos mostram o quanto ineficientes são para estudar, prevenir e antecipar situações que prejudicam a sociedade como um todo. Novamente as vias de comunicação de São Carlos se transformaram em pistas de “cross country” (ou corridas de corta-mato), a tal ponto que só de jipe ou de jegue é que se consegue circular, tal é o número de crateras que despontaram com as últimas chuvas, numa perfeita repetição do que aconteceu em meados de agosto do ano passado. Ou seja, ninguém aprende com os erros do passado e:por isso acontecem tantas desgraças em nosso país, que poderiam ser evitadas.

Mas, porque “nascem” os buracos no asfalto - não só em São Carlos, até porque a incompetência parece ser generalizada, escondida atrás das desculpas e lamentos pela falta de grana nos cofres públicos? Para onde está indo o dinheiro arrecadado pelo maldito IPVA, que é destinado à conservação de estradas e rodovias? Segundo diversos especialistas, os buracos no asfalto aparecem por diversos motivos. Atentemo-nos em alguns deles: 1 – Pode ser erro na seleção dos materiais, pois às vezes são usados componentes inadequados e de baixa qualidade para fazer as misturas asfálticas; 2 - Pode ser também erro de projeto, pois o engenheiro planeja uma dosagem para um pavimento de médio volume de tráfego, mas quando o projeto está pronto a via recebe um alto volume de trânsito por dia, aí o asfalto não suporta e acaba se deteriorando mais rápido; 3 - Pode ser erro de execução, como enganos na construção, falta de controle da temperatura na mistura dos materiais usados para fazer o asfalto; 4 – Pode ser por falta de planejamento na elaboração da base onde o pavimento se sustenta, o que acarreta em afundamentos nas vias ou aparecimento de buracos. A situação piora quando chove, porque a capacidade de escoação do asfalto depende do componente que permite ou impede que o asfalto drene o excesso da água acumulada. 5 – E pode ser por falta de manutenção.

Contudo, os especialistas afirmam que o Brasil é um dos países que trabalham com asfaltos de melhor qualidade do mundo, sendo que o produto é fornecido pela própria Petrobras. Então, o que está acontecendo? Simplesmente má administração dos recursos, falta de investimento em obras eficazes que levem em consideração a realidade do terreno onde a pavimentação será feita, falta de manutenção, escolha de materiais de baixa qualidade. Quantas vezes o leitor viu se abrirem buracos causados pelas chuvas nas rodovias estaduais concessionadas? Raras vezes, certo? Porquê? Porque são obrigados a utilizar material de qualidade... E as duas perguntas que ficam são as seguintes: quem controla a qualidade do asfalto que é utilizado nos recapeamentos? Embora seja um malfadado paliativo que por vezes vira remédio ad aeternum, quem controla e fiscaliza a mistura asfáltica utilizada no processo tapa-buracos? Hummm!! Acho que estão querendo que nós sejamos os simpáticos animais que citei no princípio desta coluna. Comigo não!

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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