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quinta, 28 de maio de 2020
Artigo Rui Sintra

SCMSC está literalmente de mão estendida à caridade pelo não repasse de verbas pelo poder público (mais de R$ 15 mi)

23 Mai 2020 - 06h58Por (*) Rui Sintra
SCMSC está literalmente de mão estendida à caridade pelo não repasse de verbas pelo poder público (mais de R$ 15 mi) - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Mais de R$ 15 milhões: essa é a verba que já deveria ter entrado nos cofres da Santa Casa da Misericórdia de São Carlos, não só para garantir o pleno funcionamento dos habituais serviços de saúde, como também para fazer frente às medidas tomadas pela instituição no combate à COVID-19 - leitos hospitalares, equipamentos, contratação de mais médicos e restante pessoal técnico, etc..

Oriunda de diversos serviços prestados, entre eles cirurgias e outros atendimentos autorizados pelos diversos poderes públicos, além de emendas parlamentares de deputados estaduais e federais, a citada verba entrou já, na sua maior parte, nos cofres da Prefeitura Municipal de São Carlos para ser entregue à SCMSC - só que até hoje... Zero! Sobre esse assunto, o vereador Azuaite Martins de França fez uma cobrança incisiva à Prefeitura durante a sessão de Câmara no dia 19 do corrente mês, exigindo o desbloqueio do dinheiro.

Mantendo minha postura como em outras situações parecidas, continuo a questionar, como contribuinte: onde está essa grana? Será que os “iluminados” da Prefeitura de São Carlos ainda não se deram conta que está dificultando ao máximo a SCMSC em cumprir sua missão e de se equipar eficazmente contra a pandemia? Será que as “excelências” da Prefeitura de São Carlos ainda não enxergaram que sem essa verba a SCMSC fica só sob os auspícios de gestos altruístas e humanitários da sociedade civil, através de doações “misericordiosas” de pessoas físicas, dos próprios funcionários da SCMSC, de lives de médicos cantando para angariação de fundos, de empresas e instituições, e de alguns vereadores do legislativo são-carlense que contribuíram já, através de emendas, com a doação de insumos e equipamentos, e inclusive com suas próprias remunerações da Câmara Municipal: Robertinho Mori, Azuaite Martins de França, Leandro Guerreiro e Dimitri Sean deram o exemplo maior. Toda essa gente junta conseguiu arrecadar R$ 400.00,00 em doações. Médicas, enfermeiras, esposas de médicos, arquitetas, engenheiras, técnicos de saúde e outros voluntários, continuam confecionando, desde início de março último, máscaras, jalecos, aventais e outros equipamentos para distribuir pelos profissionais de saúde da SCMSC.

Que vergonha!!! Que desalento!!! Que raiva!!!

Em entrevista concedida à ADUFSCar - Sindicato dos Docentes em Instituições Federais de Ensino Superior dos Municípios de São Carlos, Araras e Sorocaba, a qual tive o prazer de participar como jornalista, acompanhado de meu colega Adão Geraldo, o Provedor da SCMSC, Antonio Valerio Morillas Junior e o Diretor Técnico da mesma instituição, o infectologista Vitor Marim, lamentaram o descaso da Prefeitura para com a centenária instituição, tendo sublinhado que, apesar do sufoco provocado, a união de todos os profissionais fez com que a totalidade da estrutura hospitalar ficasse operacional para todos os atendimentos, incluindo os casos da COVID-19. Contudo, caso a pandemia se agrave na cidade e região e a SCMSC não receba essa verba, os serviços de atendimento ao público poderão ficar seriamente comprometidos e um desastre poderá inevitavelmente acontecer.

As Santas Casas das Misericórdias existentes no Brasil respondem por cerca de 60% dos atendimentos hospitalares e quase todas elas vivem uma situação similar à de São Carlos. Ou seja, os poderes públicos locais adotam o mesmo sistema perverso (truque) em relação a essas instituições: utilizam o dinheiro que é repassado a elas para gastar em outras frentes (como obras), protelando o máximo possível o reencaminhamento da verba - pior ainda quando é ano eleitoral e querem enganar o eleitor com esses “passes de mágica”.

Recordamos que para além de atender o município de São Carlos, a SCMSC atende as populações de Ribeirão Bonito, Porto Ferreira, Descalvado, Ibaté e Dourado, não recebendo, até agora, qualquer verba desses municípios.

O panorama atual é que literalmente todos os profissionais da SCMSC estão de mão estendida para poderem cumprir sua missão - salvar VIDAS... AS NOSSAS VIDAS!!!

Não merecemos a Prefeitura que temos...

Para assistir a entrevista feita ao Provedor da SCMSC, Antonio Valerio Morillas Junior e o Diretor Técnico da mesma instituição, o infectologista Vitor Marim, clique no link abaixo

https://www.youtube.com/watch?v=DIOA3E9s_Ro&list=PLCYX3uXbDSskAQrs4hJ3Pw5pA2V_WIa7O&index=24&t=0s

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer. MTB 66181/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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