Menu
domingo, 18 de agosto de 2019
Direito Sistêmico

Questões emocionais revestidas de processo

09 Ago 2019 - 07h10Por (*) Dra. Rafaela Cadeu de Souza
Questões emocionais revestidas de processo -

A Dra. Vanessa Aufíero da Rocha, Juíza de Direito e profissional da área do Direito Sistêmico, em uma de suas palestras ensinou da seguinte forma:

Qual a missão do Poder Judiciário? A missão do Poder Judiciário pós moderno transcende a mera aplicação da lei e objetiva a estabilização das relações sociais, a realização da Justiça social e a promoção da PAZ.” (grifo nosso)

Pois bem. Retornando ao título desse breve artigo, como nos sentimos quando somos injustiçados, quando alguém toma o que é seu, ou a lei não é cumprida justamente contigo, mas com todos os outros é. Como você se sentiria nessas situações? O sentimento inicial que move o cliente, em busca de um profissional pode ser o de trazer o equilíbrio novamente.

Mas para que isso realmente aconteça, é necessário sempre um processo judicial ou será uma grande oportunidade de tomarmos contato com o que está além do conflito, além do processo. Muitos podem ler e dizer, não desejo saber nada, a não ser que a justiça seja feita da forma que está se imaginando ser. Mas, muitas vezes, esse caminho é longo e desgastante, e logo surge o “Judiciário” como o grande culpado.

As partes ou uma delas em conjunto com um profissional aberto às várias possibilidades que o Judiciário e o sistema legal disponibilizam atualmente, nessa era mais moderna, podem encontrar várias formas de “resolução” de conflitos. A promoção da paz está em consonância com a postura interna de ambos, tanto do cliente quanto do profissional, posto que, quem distribui o processo ao Judiciário é primeiramente o advogado, então, podemos dizer que ele é o primeiro juiz das partes a enfrentar o conflito apresentado, sendo que depois, é colocado sob a guarda do Judiciário em conjunto com os demais envolvidos.

Enquanto isso, quando da realização da primeira audiência, após a distribuição de um processo, as partes precisarão se encontrar no mesmo lugar e  novamente terão que enfrentar os sentimentos que aquele conflito jurídico representa apara ambas as partes, não tem como negar, sempre alguém sentirá: desejo de Justiça, fui enganado, fui traído, necessito sim, que a Justiça seja feita, são meramente exemplos, mas são essas questões emocionais que revestem num primeiro momento o processo judicial.

Assim, o operador do Direito, podendo antever com suas especializações e atualizações na profissão, o que isso realmente pode ser, contribui para que seja mais ameno, proveitoso, célere até menos dispendioso e doloroso às partes, seja de qual área for, esse conflito jurídico.

Portanto, podemos ser instrumentos de conciliação, de entendimento ou de promoção de maiores conflitos, tudo dependerá de como essas questões emocionais serão “revestidas” de ações judiciais ou não. A promoção de cultura de paz não significa menos dinheiro ou menos ações judiciais, significa uma nova postura diante do conflito.

(*) A autora é Advogada Sistêmica, inscrita na OAB/SP 225.058 e Presidente das Comissões de Direito Sistêmico e da OAB Concilia da 30ª Subseção de São Carlos.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

comments powered by Disqus

Leia Também

Últimas Notícias