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quarta, 23 de outubro de 2019
Dia a Dia no Divã

Psicoterapia durante a gravidez

01 Jul 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Psicoterapia durante a gravidez -

Toda mulher que sonha em ser mãe fica imaginando como será a gravidez, o parto, os cuidados com o bebê, a imaginação voa longe.

Engravidar é uma mistura de sentimentos ao descobrir a gravidez, planejada ou não.

É um fenômeno que envolve mudanças físicas, emocionais, cognitivas; mudando a estrutura familiar com o nascimento de mais um membro.

Essas mudanças podem ser assustadoras e o casal pode se sentir perdido e sem orientação, ao mesmo tempo que ouve os palpites dos familiares e amigos.

Do ponto de vista emocional, durante a gestação, por causa da ação dos hormônios e da mudança de vida e de perspectivas, a mulher torna-se mais sensível, é uma montanha-russa de emoções.

O relacionamento do casal sofre mudanças. Além disso, a gestação é um momento propício para o autoconhecimento, que traz à tona imagens da própria infância, problemas de relacionamento com os próprios pais, sendo uma ótima oportunidade para trabalhar essas questões que, bem resolvidas, tornarão mais fácil e prazeroso o cotidiano familiar.

Além disso, essa nova vida e a responsabilidade que está surgindo podem causar medo e ansiedade.

Um acompanhamento psicológico vai ajudar a passar por isso com mais tranquilidade e compreensão de si mesma, e a lidar com as novidades e emoções.

O homem “grávido” também fica sujeito ás variações emocionais, e é um momento que irá trazer questionamentos, incertezas e idealizações para o homem, além das angústias em presenciar as transformações sofridas pela mulher.

Nesse período é importante ter um apoio psicológico ao casal, em grupo ou individual.

Muitos temas poderão ser abordados pelo casal gestante em psicoterapia, como a sexualidade, as dificuldades ou mudanças na forma de se relacionarem, expectativas, maneira de combater o estresse da fase, o modelo de pai ou mãe que cada um traz em sua história de vida, entre outros.

Quanto mais preparados os pais estiverem durante a gravidez, melhor irão lidar com a nova vida que chegará.

 Mesmo no planejamento da gravidez, a orientação psicológica já pode trazer ganhos significativos.

Por ser uma fase em que estão envolvidos sentimentos de ansiedade e expectativa na tentativa de se engravidar, um psicólogo poderá ajudar a manter estes níveis de estresse mais baixos, o que pode tornar o processo mais simples.

 É importante ressaltar que, em alguns casos, pode acontecer o quadro de depressão pós-parto, e esse acompanhamento será ainda mais importante durante e após essa fase.

Assim como o médico acompanhará toda a gestação para cuidar do desenvolvimento físico da mãe e do bebê, é importante também o acompanhamento de um psicólogo para cuidar do emocional da mãe e do pai.

Quanto mais tranquila for a gravidez, melhor será para a mãe e o bebê. Uma grávida estressada se descuida mais da alimentação, dorme mal e fica mais indisposta, comprometendo sua saúde e a do seu filho.

O espaço psíquico e emocional dos pais para receber um filho é algo que pode ser construído. Ninguém nasce sabendo o que e como fazer. Se tornar pai e mãe envolve tantos aspectos que, sem dúvidas, uma Psicoterapia poderá ajudar na construção de um espaço suficientemente bom para esse incrível processo que é a maternidade e a paternidade. É preciso esforço e vontade, mas é possível construir relações saudáveis e de qualidade. Também, por mais que se tenha sonhado a vida inteira em se ter um bebê, nada vivido até então, prepara os pais para esse momento. Por mais que se idealize a gravidez, ela nunca acontece de forma "rendondinha" e linear. Sempre terá seus percalços.

Por isso, a Psicologia tem um papel tão importante nessa nova fase.

Algumas pessoas não dão tanta importância ao acompanhamento psicológico das gestantes, mas é uma grande ajuda para aprender a lidar com todas as mudanças que estão por vir.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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