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segunda, 21 de outubro de 2019
Artigo Antonio Fais

Piruá

12 Out 2019 - 07h11Por (*) Antonio Fais
Piruá - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Sei de gente que não gosta de comer feijão, tomate, carne... Até batata! Como pode alguém não gostar de batata?! No entanto, nunca ouvi falar de alguém que não gostasse de pipoca.

Pipoca seria uma das coisas mais perfeitas do mundo, não fosse aquela pelinha que fica nos dentes. Ninguém dá nada por aqueles grãozinhos dos sabugos de milho que não se desenvolveram adequadamente. Quem diria que aqueles grãos têm tanta energia acumulada para, com um pouco de calor, virar pipoca - branca, bonita, gostosa!

Comer pipoca é uma delicia! Mas não aquela do cinema, de microondas, com catchup por cima, com sabor de pizza (quando quero sabor de pizza, como pizza, ora!). Falo daquela feita na panela, quentinha; bem simples e barata.

É fácil fazer uma boa pipoca: basta uma panela, com tampa; milho; óleo bem quente e uma bacia reservada. Em alguns minutos... Como é gostoso ouvir aquele estourinho... Até ele diminuir, diminuir, diminuir... Sal? Sal é posto depois, a gosto.

Aí a gente come tudo! Só sobram uns piruás - que são mais, ou menos, dependendo do pipoqueiro.

Como grãos de milho, tentando virar pipoca, são os adolescentes. Cheios de energia acumulada e disposição, prontos para explodir e se tornar algo belo.

Meu espanto é com a quantidade de piruá que vemos pelo mundo, atendendo nas lojas, bares e telefones; projetando e construindo casas; julgando e defendendo pessoas; em seus consultórios, escritórios e salas aula.

Por que será que não viraram aquela pipoca bonita e gostosa?

Alguns vão dizer que o milho não era bom. Concordo... Em parte. Mas a grande responsabilidade é mesmo dos pipoqueiros: pais; professores; editores de jornal, televisão, Internet; chefes, presidentes etc. Ou seja, eu e você que está lendo, já que creio que nenhum adolescente tenha paciência para ler o que escrevo.

Na maior parte das vezes não escolhemos a panela e a tampa certas; não usamos óleo suficiente, ou colocamos demais; não temos paciência para esperar a quentura, ou queremos que a pipoca fique pronta muito depressa; não reservamos um recipiente apropriado para o que esta por vir. Tem ainda os que querem sofisticar demais a pipoca, com temperos, molhos e gostos.

Pipoca, apesar de simples, é uma arte – requer talento e paixão.

Portanto, capriche! Todos gostamos muito de comer pipoca. 

E deixe que depois a gente coloca o sal, cada qual a seu gosto.

(*) O autor é escritor, filósofo, especialista em Aprendizagem, Linguagem e Escrita Criativa

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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