sexta, 19 de agosto de 2022
Artigo Rui Sintra

Pequenos diálogos em São Paulo com o Presidente da República de Portugal

15 Jul 2022 - 06h32
Pequenos diálogos em São Paulo com o Presidente da República de Portugal - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Trocar um breve diálogo com o Presidente da República de Portugal é, para qualquer português que se preze, uma espécie de “lavar a alma”, mesmo quando o convite formal feito pelo Consulado-Geral de Portugal em São Paulo tenha surgido quarenta e oito horas antes da receção que seria oferecida pelo  nosso presidente, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, naquela representação oficial Lusitana. Mesmo assim, marquei presença. Tal como a lenda de William Wallace, fui recebido com cortesia pelos meus pares, embora muitos olhares sorrateiros fossem de curiosidade e de algum espanto pela minha presença, naturalmente devido ao fato de eu não ser um good fellow para aquela representação consular portuguesa. Recordo que desde há algum tempo assumi publicamente uma postura crítica em relação aos péssimos serviços que o Consulado-Geral de Portugal em São Paulo tem prestado - e continua a prestar - a quem necessita dele, ou seja, aos emigrantes portugueses radicados no Estado, lusodescendentes e brasileiros. Embora toda a “corte” estivesse reunida naquele evento, minha atenção se manteve unicamente focada no “nosso” Presidente e não esqueço dois momentos que, para mim, ficaram devidamente registrados. O primeiro, quando Marcelo Rebelo de Sousa disse: “Esta é uma comunidade extremamente presente, muito ativa, muito dinâmica, que prestigia muito Portugal, e muito reivindicativa. O problema da celeridade dos vistos é uma das várias reivindicações. É preciso ver que está a haver uma autêntica invasão - no bom sentido da palavra - de brasileiros em Portugal e não há consulados que aguentem esse fluxo de dezenas de milhares de pessoas a quererem entrar no país, a quererem trabalhar e viver lá. São mais de duzentos mil aqueles que já estão em Portugal e cada vez tem mais brasileiros a quererem ir para Portugal: e eles estão a mudar a face de Portugal, no bom sentido, em todas as cidades portuguesas. Veja, por exemplo, a avalanche de alunos brasileiros que frequentam as nossas universidade, especialmente em Coimbra. E tudo isso nos prende mais uns aos outros”. Não pude deixar de registrar a frase grifada acima “várias reivindicações”, já que ela teve muito significado para mim. O segundo momento foi quando me apresentei ao Presidente da República, identificando-me, ao que ele respondeu, apertando forte a minha mão: “São Carlos? Rui... Ela é o futuro! Entre as academias, universidades, polos tecnológicos e centros de pesquisa, as colaborações entre cientistas e técnicos superiores portugueses e brasileiros multiplicam-se diariamente a uma velocidade impressionante. São Carlos é uma cidade de futuro nesse capítulo”. Dois momentos distintos, mas a mesma clarividência e... Para bom entendedor meia palavra basta. As mensagens tinham chegado a ele. Independente de tudo isso, este “rebelde” continuará a pugnar para que o Consulado-Geral de Portugal em São Paulo retome a qualidade do atendimento que foi amplamente elogiado há alguns anos atrás, para benefício dos emigrantes portugueses radicados no Estado de São Paulo, lusodescendentes e brasileiros, e pela imagem de Portugal. Mais do que rebeldia, isto é um ato de devoção. Sejamos Portugueses!

O autor é jornalista profissional / correspondente para a Europa pela GNS Press Association  / EUCJ - European Chamber of Journalists / European News Agency) - MTB 66181/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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