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sábado, 27 de fevereiro de 2021
Artigo Rui Sintra

Os prioritários

14 Fev 2021 - 08h00Por (*) Joner Nery
Os prioritários -

Tenho observado, com alguma perplexidade, o aumento significativo do chamado “grupo prioritário” no âmbito da vacinação contra a Covid-19, o que, logicamente, empurra para uma segunda linha todos os demais cidadãos - velhos e novos, homens e mulheres -, independente de suas profissões.

É óbvio que os primeiros que devem ser vacinados são os profissionais de saúde que se encontram “de verdade” na linha da frente no combate à pandemia, ou seja, todos aqueles que têm contato DIRETO com os pacientes contaminados, sejam eles médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e o pessoal que mantém limpas e desinfetadas as dependências hospitalares onde esses doentes permanecem. Todos os restantes profissionais que não atuam diretamente nesses locais e nessa situação em particular, mesmo que pertencentes à área da saúde, não deveriam ser considerados “prioritários”. Não posso entender por que raio as secretárias de médicos, que atuam em consultórios particulares, sejam consideradas “grupo prioritário”! Porquê?  Também não entendo como médicos das mais variadas especialidades, que nada têm a ver com o combate direto à Covid-19 têm que estar no “grupo prioritário”. Com o devido respeito a todos os profissionais - nutricionistas, fisioterapeutas, oftalmologistas, médicos esportivos, oncologistas, dermatologistas, gastroenterologistas e muitos outros com especialidades distintas, mas que não atuam diretamente no combate à pandemia, estão no tal “grupo prioritário”, misturados com uma vasta série de profissionais que estão realmente na linha da frente, começando pelos bombeiros, SAMU, policiais e todos quantos estão dentro da boca do lobo. E os professores?.. Não deveriam estar eles no “grupo prioritário?.. E os motoristas de ônibus, lotados, os taxistas e motoristas por aplicativos, não deveriam estar eles igualmente no “grupo prioritário”, inclusive com divisórias de acrílico dividindo o espaço entre eles e os passageiros? E os/as caixas de supermercado não deveriam também estar no “grupo prioritário? Na minha visão, todos aqueles que trabalham em serviços considerados essenciais (ESSENCIAIS!!!!) deveriam, sim, estar também no tal grupo, senão nada faz sentido. A pandemia, além de ter dado mais um espaço para que alguns políticos tirem vantagens pessoais - as mais variadas - da tragédia, ainda abriu espaço para que o egoísmo, a falta de sensibilidade e de amor pelo nosso semelhante grasse pelo País, incrivelmente chanceladas pelo poder público. Todos querem estar à frente de todos!

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer. MTB 66181/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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