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terça, 22 de setembro de 2020
Artigo Netto Donato

O protagonismo do cidadão

03 Nov 2018 - 07h00Por (*) Netto Donato
O protagonismo do cidadão -

No debate eleitoral desse segundo turno, um item ganhou especial atenção nas discussões: o papel das redes sociais, principalmente do aplicativo Whatsapp, no resultado das eleições. A questão ganhou força após a Folha de São Paulo trazer uma notícia de que a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) teria utilizado dinheiro de empresas, o que é vedado pela legislação eleitoral, para impulsionar o envio de mensagens pelo aplicativo, sobretudo notícias falsas.

Atualmente, no Brasil, há 120 milhões de usuários do Whatsapp. O aplicativo é a principal ferramenta para comunicação instantânea no Brasil. Com ele, a velocidade com que uma informação percorre um país continental como o nosso é muito grande, atingindo milhões de pessoas em poucas horas.

É justamente esse volume de informações, sendo as compartilhadas por amigos e familiares as que merecem maior atenção por parte do eleitor, além dos vários tipos de pensamento nos seus círculos mais próximos, que o colocam em uma situação quase inédita de protagonismo para definir o seu voto. Ao receber uma informação pelas redes sociais, o eleitor pode se aprofundar no assunto abordado realizando mais pesquisas na internet, ampliando os pontos de vista e acessando outros dados.

Em momentos passados, o voto estava muito associado ao que se dizia em jornais e redes de televisão, além de revistas e programas de rádio. Artistas e intelectuais exerciam grande influência entre os eleitores. Essa realidade, agora, mudou. O protagonismo do processo eleitoral é do cidadão comum, empoderado com o celular na mão e tendo um vasto mundo de informações sobre candidatos e partidos para explorar. Trata-se de uma mudança radical, que demandará tempo, cautela e energia para ser entendida, desencadeando em novas formas de fazer o debate político e eleitoral no Brasil.

(*) O autor é advogado, especialista em Direito Público e mestre em Gestão e Políticas Públicas, na Fundação Getúlio Vargas - FGV/SP.

O exposto artigo não reflete, necessariamente, o pensamento do São Carlos Agora.

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