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domingo, 16 de junho de 2019
Direito Sistêmico

O Pensamento Sistêmico no Contexto Jurídico

21 Dez 2018 - 06h00Por (*) Dra. Rafaela C. de Souza
O Pensamento Sistêmico no Contexto Jurídico -

De acordo com a Wikipédia, podemos verificar o seguinte conceito de Pensamento Sistêmico:pensamento sistêmico é uma forma de abordagem da realidade que surgiu no século XX, em contraposição ao pensamento "reducionista-mecanicista" herdado dos filósofos da Revolução Científica do século XVII, como DescartesFrancis Bacon e Newton. O pensamento sistêmico não nega a racionalidade científica, mas acredita que ela não oferece parâmetros suficientes para o desenvolvimento humano e para descrição do universo material, e por isso deve ser desenvolvida conjuntamente com a subjetividade das artes e das diversas tradições espirituais. Isto se deve à limitação do método científico e da análise quando aplicadas nos estudos de física subatômica (onde se encontram as forças que compõem todo o universo), biologia, medicina e ciências humanas. É visto como componente do paradigma emergente, que tem como representantes cientistas, pesquisadores, filósofos e intelectuais de vários campos. O pensamento sistêmico inclui à interdisciplinaridade”.

E assim é o Direito, uma ciência que diz respeito aos relacionamentos humanos, e como não integrar com outras disciplinas, integrar com novas ferramentas que permitam um melhor entendimento do que esteja acontecendo no âmbito jurídico?

Pois bem, a partir do entendimento, por exemplo, de que as partes possam estar emaranhadas em situações de seus sistemas familiares, e isto tem imbricações com transgeracionalidade, ou seja, estudo da transmissão psíquica entre gerações, e que caso as mesmas possam ter um entendimento e sentimento do que realmente lhe diz respeito, e influenciar o deslinde de uma situação jurídica, porque abster-se dessa possibilidade?

As partes tem todo direito de não querer olhar, e somente, por exemplo, nos Fóruns Cíveis é enviado um convite para as partes bem como a seus advogados conhecerem o pensamento sistêmico, exercícios sistêmicos ou até mesmo as constelações familiares, e caso aceitem, podem ter a chance de sentirem o movimento dos conflitos em suas vidas, e entender a que estão sendo fiéis, ou se estão acertando os danos de seu sistema familiar, mas é um ato que requer a disponibilidade dos envolvidos e a decisão interna de que são capazes de resolverem suas questões contando com o apoio do Judiciário.

Podemos verificar no blog do Juiz de Direito DR. Sami Storch, precursor e responsável pelo termo “Direito Sistêmico”, https://direitosistemico.wordpress.com/2018/03/07/guarda-de-menor-as-partes-unidas-no-coracao-da-crianca/, como as partes podem ter inúmeros benefícios com a aplicação da Constelação Familiar em seus processos judiciais, no caso em específico, ele relata o caso de uma questão de guarda de menor, e transcrevo aqui as preocupações desse Juiz, que são extremamente relevantes e dizem respeito à um novo olhar, com a inclusão do pensamento sistêmico, vejam:

Como se pode contribuir da melhor forma com essa criança, atendendo o princípio do melhor interesse do menor: excluindo-se e distanciando-se as partes? unindo-as e integrando-as, buscando a harmonia no processo para que, com o tempo, Francisco possa se sentir grato e realizado por ter recebido a vida de sua mãe e, quando esta enfrentou dificuldades, ter tido outras pessoas, generosas e disponíveis, com quem  contar? E agora, que sua mãe retorna ao seu convívio e se apresenta com vontade
e condições para dar continuidade à criação do filho, que efeito tem sobre Francisco uma contenda judicial, e que efeito teria sobre a alma desse garoto e de toda a família uma ordem negando-lhes a possibilidade desse retorno? No coração desse menino, tal postura teria o efeito de uma cura? Ou acentuaria ainda mais o vazio e a dor já causados pelo destino? (grifo nosso)

Pois bem, como ficaria a alma dessa criança sem a possibilidade de convívio com a genitora, isso como seria sentido em seu coração? É uma questão sistêmica, e sua consideração em um processo de guarda pode fazer toda a diferença na vida dessa criança.

Este é somente um exemplo da grandiosidade da introdução desses novos olhares para o Direito e para o exercício do mesmo, que busca a essência e a Paz para os envolvidos levando em consideração suas histórias de vida. Desejo a todos um Feliz Natal, que o espírito da bondade dessa época prevaleça sempre em nossos corações no ano de 2019!

(*) A autora é advogada sistêmica, Presidente da Comissão de Direito Sistêmico e da OAB Concilia de São Carlos-SP, formada pela primeira Turma do Curso de Gestão da Advocacia Sistêmica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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