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sexta, 14 de agosto de 2020
Artigo Rui Sintra

Jovens pesquisadores combatem Covid-19 sem bolsas

09 Jul 2020 - 06h00Por (*) Rui Sintra
Jovens pesquisadores combatem Covid-19 sem bolsas -

Cientistas brasileiros começaram recentemente a se movimentar no sentido de ser criado um programa emergencial de atribuição de bolsas de pós-graduação e de pós-doutorado destinadas aos jovens cientistas que, em todo o país, se encontram na linha da frente no combate à Covid-19. Com a crise desencadeada pela pandemia, o governo foi obrigado a lançar um programa emergencial de apoio à população, principalmente junto aos milhões de pessoas que ficaram subitamente sem renda. Agora, nos laboratórios das universidades e centros de pesquisa, cujo trabalho prioritário é buscar soluções para combater a Covid-19, o drama assola um imenso lote de jovens cientistas impossibilitados de se sustentar e às suas famílias, uma situação provocada pelo substancial contingenciamento dos investimentos públicos nas áreas de ciência e tecnologia, e principalmente, pelo corte na atribuição de bolsas. Muitos desses jovens pesquisadores estão neste momento em busca de outras soluções profissionais, longe de seus laboratórios e de suas especializações. Sob os auspícios do governo, CNPq e Capes poderiam, na opinião desses cientistas, criar um programa emergencial de bolsas de pós-graduação e de pós-doutorado, suprindo estas dificuldades que acarretam graves prejuízos para o país. Dando como exemplo o Campus da USP de São Carlos - e, com certeza, a UFSCar -, o número de jovens pesquisadores que estão enfrentando a pandemia, sem qualquer provento, é preocupante. Um levantamento inicial feito pela Associação de Pós-Graduandos indicou que há mais de 100 pesquisadores sem renda só no Campus da USP de São Carlos, dentre alunos de pós-graduação e pós-doutorandos. Muitos desses pesquisadores estão atuando em pesquisas destinadas a fazer frente à pandemia. Para o docente e pesquisador do IFSC/USP, Prof. Osvaldo Novais de Oliveira Junior, em declarações feitas ao site do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), a situação dramática desses jovens cientistas tem que ser resolvida em curto prazo, até porque eles são indispensáveis nas pesquisas que continuam sendo desenvolvidas nos laboratórios: “Estamos adaptando nossas tecnologias de biossensores para a detecção de COVID-19, e devido à urgência da demanda precisamos contar com profissionais experientes. Felizmente, temos uma equipe altamente qualificada, com doutoras e doutores que já publicaram dezenas de artigos em revistas científicas. Com seu espírito de solidariedade e amor à ciência, essas doutoras e esses doutores estão trabalhando no projeto de COVID-19. Para mim, é frustrante e constrangedor que várias delas e vários deles estejam sem bolsa ou emprego. Somente um programa emergencial de bolsas pode resolver esse problema no curto prazo. Assim como profissionais de diversas áreas estão recebendo apoio do governo e doações de entidades privadas, acredito que os cientistas jovens precisam ser apoiados. E não se trata de auxílio sem retorno, pois eles podem contribuir com seu trabalho, tanto nas soluções para os problemas trazidos pela pandemia da Covid-19, quanto para muitas outras áreas em que há carência no País”, sublinha o pesquisador.

(*) O autor é Jornalista profissional / Membro da GNS Press Association (Alemanha) / Correspondente internacional freelancer. MTB 66181/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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