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quarta, 26 de fevereiro de 2020
Dia a Dia no Divã

Inclusão

27 Jan 2020 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Inclusão -

Segundo a OMS, cerca de 15% da população mundial apresenta alguma limitação que prejudica o funcionamento da sua vida cotidiana.

As pessoas com deficiência não precisam da nossa compaixão e sim de inclusão que respeite suas limitações.

O Brasil carece dessa inclusão em todos os setores, e a meu ver caminha a passos lentos nesse sentido.

Quando falamos desse setor da nossa sociedade, é comum que surjam termos como “inválidos” ou “incapacitados”. As palavras importam, porque a linguagem dá visibilidade e define fatos reais que acontecem ao nosso redor.

Assim, algo que os organismos correspondentes demandam, em primeiro lugar, é que optemos sempre por falar, simplesmente, de pessoas com deficiência. Desse modo, evitamos a conotação negativa.

Precisamos de uma visão mais real sobre eles, a partir da qual construir, entre todos, um futuro mais inclusivo.

Todos os anos, no dia 3 de dezembro, é celebrado o dia das pessoas com deficiência, em uma tentativa de promover os direitos e o bem-estar deste coletivo. 

É essencial facilitar recursos adequados a cada homem, cada mulher e cada criança deficiente. A atenção é o primeiro passo. No entanto, ainda precisamos trabalhar muito em outros aspectos.

Um exemplo: atualmente não há muita visibilidade das pessoas com deficiência em nossas esferas públicas. No mundo da cultura, das empresas ou da política, não vemos muitos nomes que pertencem a este coletivo.

Precisamos empoderar mais estas pessoas para criar um futuro mais inclusivo e igualitário. Mas antes precisamos conhecer esse universo, desenvolver mais estudos, capacitar profissionais, enfim...

Dados sobre as pessoas com deficiência:

Mais de um bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência. Elas compõem, portanto, a “minoria” mais extensa da nossa sociedade.

Os problemas de deficiência têm um impacto maior em pessoas sem recursos.

A atenção médica recebida nem sempre é a mais adequada.

Elas têm um risco maior de sofrer maus-tratos, tanto físicos quanto psicológicos.

As crianças com alguma deficiência continuam apresentando uma maior vulnerabilidade do que as crianças sem problemas físicos, intelectuais ou de desenvolvimento.

Ter algum tipo de deficiência implica ter menores oportunidades de emprego. Infelizmente!

Algo tão básico quanto receber recursos, reabilitação e apoio social e médico muda por completo a vida das pessoas com deficiência.

Uma pessoa com deficiência não é incapacitada. É uma pessoa que tem a sua funcionalidade limitada em um aspecto específico que, com os recursos adequados, pode se desenvolver.

Este coletivo sofre de problemas para se integrar à sua comunidade e participar de atividades cotidianas.

Do que precisamos para garantir a inclusão?

Elas precisam de apoio, querem respeito e não pena.

O que ela quer e precisa são meios para viver por si própria, na medida do possível, dispor de autonomia e das mesmas oportunidades que qualquer outra pessoa.

Portanto, se nos limitarmos apenas a ver o que nos diferencia delas, estaremos discriminando. A conscientização é, sem dúvida, o primeiro passo para a inclusão.

Os governos precisam melhorar vários aspectos para permitir a inclusão.

  • Facilitar o acesso das pessoas com deficiência a qualquer serviço da comunidade.
  • Facilitar o acesso deste coletivo ao mercado de trabalho, evitando qualquer discriminação.
  • Melhorar a educação por meio de recursos adequados e apoio às crianças com deficiência.
  • Fomentar a realização de pesquisas para melhorar a vida de pessoas com deficiência.

 Não deveria precisar de um dia específico no calendário para nos lembrarmos dele.

Muito além do dia 3 de dezembro, há mais 364 dias nos quais eles seguem presentes, aguardando, talvez, o seu primeiro emprego, esperando um professor de apoio em sua sala de aula, e sonhando com uma vida plena e feliz.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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