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sábado, 25 de maio de 2019
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Gravidez na adolescência: riscos psicológicos e sociais

06 Mai 2019 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Gravidez na adolescência: riscos psicológicos e sociais -

A cada ano, mais de 500 mil meninas entre 10 e 19 anos têm filhos no Brasil. Esse número já foi maior, em 2004, eram cerca de 660 mil, de acordo com o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

Essa redução está relacionada a vários fatores, como expansão de políticas públicas e mais acesso a métodos contraceptivos, e pode ser considerada um avanço, pois a gravidez precoce tem impacto diferenciado no corpo e na vida da jovem, assim como das crianças, mas ainda há muito o que trabalhar, pois o número é bem alto e o Brasil é o país da América latina que apresenta o maior número de adolescentes grávidas.

Estudos mostram que uma gravidez que ocorre nos dois anos seguintes após a primeira menstruação oferecem mais risco para mãe e bebê, pois o organismo da menina ainda está se adaptando às mudanças hormonais e ao crescimento dos órgãos. Após esse período, o risco é o mesmo enfrentado por qualquer mulher que está em sua primeira gestação, independentemente da idade.

Há os riscos psicossociais, pois, normalmente, a gravidez na adolescência não é planejada e intencional, a vida escolar e a atuação futura no mercado de trabalho da mãe podem ser afetadas. A menina também pode ter problemas familiares, pois há famílias que não aceitam a gravidez na adolescência.

A gravidez na adolescência constitui uma situação delicada e exige cuidados específicos, tudo depende do contexto em que a menina grávida está inserida, mas podem ocorrer problemas como depressão pós-parto, abandono, negligência e maus tratos.

É comum a adolescente ter uma “negação” com relação à criança e confiar a terceiros a responsabilidade pelo cuidado e pela criação. Ela pode entender que a maternidade vai atrapalhar a vida dela, pode sofrer com questões relacionadas ao próprio desenvolvimento psicológico, questionar por que isso aconteceu com ela, ter depressão e baixa autoestima.

A família deve apoiar essa adolescente, ir ao pré-natal junto com ela, acompanhá-la em todos os momentos, não rejeitá-la, não brigar, não abandonar, não expulsar de casa, como muitas famílias fazem, não fazer com que ela saia da escola ou abandone o trabalho.  Se a família tiver essa conduta, a adolescente vai continuar a estudar, trabalhar e dar prosseguimento ao seu projeto de vida. 

Apesar do que muitos pensam, os adolescentes dos dias atuais possuem, sim, conhecimento sobre a existência de métodos contraceptivos, uma vez que informações são fornecidas nas escolas, televisão e até mesmo pela internet. Entretanto, a maioria não sabe prevenir-se de forma adequada, não compreendendo o funcionamento de cada método, utilizando-o de maneira errônea ou, simplesmente, abandonando seu uso por questões pessoais.

É importante destacar que, apesar de ocorrer em diferentes grupos, a gravidez na adolescência está associada diretamente com baixa renda, baixa escolaridade e pouca perspectiva de futuro. Diversos estudos comprovam essa relação, inclusive dados governamentais.

Muitas pessoas acreditam que o problema da gravidez na adolescência está exclusivamente no fato de muitas mães e pais nessa idade não apresentarem maturidade e renda suficiente para criar uma nova vida. Entretanto, o problema vai além. A mulher grávida precocemente pode apresentar sérios problemas durante a gestação, inclusive risco de morte. Entre os fatores biológicos que merecem destaque, podemos citar os riscos de prematuridade do bebê e baixo peso, morte pré-natal, anemia, aborto natural, pré-eclâmpsia e eclampsia, risco de ruptura do colo do útero.

Não se pode esquecer que a sexualidade precoce é um comportamento de risco, e a gravidez não planejada é apenas uma de suas consequências (por exemplo, a contaminação da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS ou SIDA e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis – DSTs).

Por isso é necessário que se invista em programas que possam ajudar na prevenção à gravidez não planejada e educação para a sexualidade.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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