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terça, 22 de junho de 2021
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Futebol Arte: confira um bate-papo com o Olé do Brasil sobre humor no jornalismo esportivo!

20 Fev 2015 - 18h46Por Leonardo Cantarelli/Colunista
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Em 2009 quando me formei em jornalismo pela PUCCAMP meu Trabalho de Conclusão de Curso foi um vídeo-documentário debatendo a questão do humor na minha profissão.

Na ocasião, o CQC estava em alta, onde as notícias são criticadas em forma de humor. Meu grupo de TCC entrevistou o repórter Oscar Filho, um produtor do Pânico na TV, mais Ricardo Boechat, dentre outros jornalistas.

Passaram-se vários anos e o acesso à  informação foi muito modificado. Através da Internet foi possível surgir sites, blogs e etc., sem o apoio da mídia.

Nesse quesito, um dos que faz sucesso é o portal Olé do Brasil, com sátiras sobre o futebol e que possui mais de 92 mil seguidores no Twitter e mais de 280 mil curtidas no Facebook. Os fundadores do site relembram que quando este foi criado em 2006, não havia veículos que apenas debochassem do esporte mais popular do nosso País.

Falando sobre humor, os criadores do Olé do Brasil, que preferem seguir no anonimato, afirmam não saber qual o limite em uma piada, mas lamentam muito a presença do politicamente correto. Também não gostam quando jornalistas acreditam que suas sátiras sejam notícias reais, como já aconteceu no Brasil e no exterior.

"Quando isso acontece é ruim, porque não é a nossa intenção enganar jornalistas. Não dá para imaginar que um jornalista acredite em matérias tão absurdas como as que criamos. Um jornalista acreditar numa matéria como a do Olé é algo absurdo, e acabamos nos tornando vítimas disso, porque o conteúdo dentro do Olé está no contexto de falso e humorístico, mas quando um jornalista o tira de lá e coloca em um grande veículo de comunicação, passa a ser verídico para muita gente, só que essa responsabilidade - de transformar um conteúdo falso em verdadeiro - é 100% do jornalista que não verifica com a gente ou com os protagonistas da piada. É como dizem: o conteúdo é rei e o contexto é Deus. Se tirar o conteúdo do ambiente fictício, o texto se torna outro", explicaram em entrevista ao FutebolArte.

 

Eles ainda disseram que a torcida que mais se irrita com as anedotas é a do Cruzeiro.

 

Confira abaixo tudo isso e muito mais:

 

1)Como surgiu a ideia de fazer o Olé do Brasil? Esperavam tanta repercussão? Em qual ferramenta da Internet o portal conseguiu mais destaque?

 

Surgiu devido à paixão da equipe pelo futebol e principalmente porque havia uma lacuna no humor esportivo. Ninguém fazia esse tipo de humor sobre esportes e acabamos por encontrar uma maneira de chamar a atenção de torcedores, jornalistas e veículos de comunicação com essa nova forma de humor. O Facebook é principal ferramenta de compartilhamento e é a que mais gera audiência.

 

Sobre repercussão, nunca almejamos algo assim, mas não nos surpreendeu. Simplesmente deixamos acontecer e... aconteceu!

 

2)Quem são vocês? Poderiam dizer, nome, idade, se são jornalistas ou trabalham em outras áreas?Que cidade  e estado vivem?

 

Somos 3 profissionais. Todos fanáticos por futebol. Todos torcedores do LA Galaxy (risos). Dois publicitários e um consultor em RH. Nomes: Silvio Luiz, Mauro Beting e Milton Neves. Falando sério, se descobrirem os nomes, onde moramos, descobrirão nossos times. Achamos saudável para o site não descobrirem isso. Nem todo mundo entende isso e muitos vão começar a "julgar" as piadas em cima dos nossos times.

 

3)Nas matérias que publicam, percebo que não inventam assunto. Fazem humor em algum fato recente no futebol. Por que utilizam esse método?

 

Nós gostamos de criar uma história fictícia sobre uma história real. Gostamos de falar do que as pessoas estão falando, mas não temos um padrão. Quando a ideia surge, fazemos, seja sobre fatos, assuntos atuais ou qualquer outra fonte de inspiração.

 

4)Na opinião de vocês, até onde vai o limite do humor? Percebo por exemplo que na linha do tempo do Olé do Brasil no twitter quando toca no assunto racismo, o tom das twittadas fica sério e não fazem anedotas (o que é correto na minha opinião). Como fazem para saber até onde é humor e até onde é agressivo, não só em caso de racismo (que é grave) como em outros assuntos?

 

Existem temas que não se pode brincar, como você exemplificou. Limite do humor não sabemos dizer, não temos opinião formada, não é algo científico e é difícil ter uma opinião definitiva sobre algo tão controverso. Existem muitas visões, as pessoas são diferentes, se ofendem com coisas diferentes, tem culturas diferentes e, por isso, não é possível determinar o limite do humor. Não sabemos se tem limite ou não, sinceramente. 

 

5) Falar de clube de futebol é mexer com uma paixão das pessoas. Recebem muitas ofensas? Já houve pessoas que passaram do limite e ameaçaram de morte, por exemplo? E processo judiciário já houve?

 

Tentativa de intimidação não nos atinge, mas já recebemos mensagens com este objetivo. Sinceramente, não levamos em consideração. Nunca nos afetou, até porque isso é característica do futebol, esporte que gera muita paixão e fanatismo. Sabíamos que receberíamos mensagens do tipo e estávamos preparados. Sem falsa modéstia, 99% são elogios.

 

6) Ainda no 'gancho' da pergunta 5, no Brasil temos 12 times grandes.Baseado nas piadas que publicam, quais são as torcidas, de uma forma geral, que ficam mais bravas com as postagens ?

 

Não diria chatos, mas os cruzeirenses ficam muito irritados (risos), porque o Atlético renasceu e começou a ganhar os clássicos. E fomos no embalo fazendo diversas piadas. Sem dúvida a do Cruzeiro é a que mais xinga, apesar de nunca ter passado dos limites.

 

7) Um jogador que é constantemente alvo de piadas é Paulo Baier, principalmente por ser um veterano do futebol. Como surgiu a ideia de zoá-lo e ele já entrou em contato com vocês?

 

Essa história do Paulo Baier criamos em 2012 e depois todos foram na onda. Surgiu porque ele é um dos jogadores mais velhos e é bom de bola. Sempre jogou muito bem. Gostamos de criar mitos. O último foi o Alexandre Mattos. Um jornalista nos disse que o Baier gosta, mas nunca falamos com ele pessoalmente.

 

8) Diversos sites , tanto do Brasil como do exterior já republicaram notícias do Olé do Brasil pensando que eram assuntos sérios, principalmente quando vocês eram desconhecidos. O caso mais famoso talvez seja a história criada em cima do boato do corte de Maicon da Seleção Brasileira em agosto de 2014.Como analisam essas gafes?

 

Quando isso acontece é ruim, porque não é a nossa intenção enganar jornalistas. Não dá para imaginar que um jornalista acredite em matérias tão absurdas como as que criamos. Depois que acontece, você pensa: não acredito que alguém acreditou nisso. A gente nunca espera que alguém acredite. Aconteceu com o Sensacionalista há pouco tempo também, mas apenas aqui no Brasil. Obviamente, queremos causar riso, não enganar profissionais. Classificar esse tipo de coisa é muito simples: amadorismo do jornalista. 

 

Um jornalista acreditar numa matéria como a do Olé é algo absurdo, e acabamos nos tornando vítimas disso, porque o conteúdo dentro do Olé está no contexto de falso e humorístico, mas quando um jornalista o tira de lá e coloca em um grande veículo de comunicação, passa a ser verídico para muita gente, só que essa responsabilidade - de transformar um conteúdo falso em verdadeiro - é 100% do jornalista que não verifica com a gente ou com os protagonistas da piada. É como dizem: o conteúdo é rei e o contexto é Deus. Se tirar o conteúdo do ambiente fictício, o texto se torna outro.

 

9) Uma curiosidade agora. Em 2014 durante um jogo do Brasileirão (não me recordo qual) twittaram afirmando que um integrante do Olé do Brasil estava em campo e passado alguns minutos publicaram a foto de um bandeirinha. Há membro da arbitragem que trabalha com vocês?

 

Você acompanha bastante o Olé, hein! (risos). Era brincadeira, uma piada interna! Não tem ninguém famoso trabalhando no Olé!

 

10)Por fim, como analisam a importância do humor nos meios de comunicação? Tanto sendo uma charge como uma anedota em forma de notícia ou um vídeo mesmo. Acredita que o humor ele tem outras funções, além de divertir?

 

O humor em geral, não apenas o futebolístico, passa por um momento difícil. Não falo nem em relação aos atentados na França (assassinato do chargista Charlie Hebbo em janeiro por conta de sátiras com o islamismo), porque aquilo foi algo fora da curva, algo que raramente acontece - mas que marca muito, porque foi realmente muito triste. Falo, especificamente, da patrulha do politicamente correto, que limita a criação, a critica e o desenvolvimento de uma discussão sadia, que poderia surgir através do humor. Temos amigos donos de sites de humor e a opinião é a mesma. 

 

As pessoas precisam abrir a cabeça e parar de criticar humoristas por piadas que envolvam determinados assuntos. O humor é, e sempre será, polêmico. Ou não será humor. Ou teremos apenas conteúdos sem alma, que não tem critica. Nem graça. Nem mensagem.

O texto acima é de responsabilidade do colunista e não necessariamente expressa a opinião do portal São Carlos Agora.                                                   

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