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sexta, 23 de agosto de 2019
Qualidade de Vida

Epicondilite lateral (cotovelo de tenista)

20 Set 2018 - 07h00Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Epicondilite lateral (cotovelo de tenista) -

A Epicondilite do cotovelo, como é conhecida tecnicamente, é uma inflamação no local de origem dos tendões da musculatura do antebraço, apesar de ser conhecido também como cotovelo do tenista, a epicondilite lateral não é um problema limitado a quem pratica esse esporte. Normalmente é causada por movimentos repetidos que geram microrupturas dos tendões do cotovelo junto à sua inserção no osso muito comum a quem realiza movimentos repetitivos com o punho e os dedos.

Os músculos que fazem a extensão do punho e dos dedos têm origem na parte lateral do cotovelo, em uma proeminência óssea chamada epicôndilo lateral, diversos músculos extensores são originados nessa região e quando o punho está virado para cima, estendido, esses músculos contraem-se, gerando tensão em sua origem. Quando ocorrem sobrecarga e desgaste dessa região, podem ocorrer fissuras no tendão, iniciando um processo inflamatório e levando, assim, à epicondilite lateral.

Os sintomas são mais comuns do lado de fora do cotovelo (epicondilite lateral ou cotovelo do tenista), mas podem também acometer a região interna (epicondilite medial ou cotovelo do golfista). Esta doença acomete igualmente homens e mulheres, sendo mais comum na faixa etária entre 35 e 50 anos.

Pode parecer intrigante o fato de muitas pessoas com epicondilite não praticarem tênis, nem muito menos golf. Na verdade esta doença pode acometer praticantes de diversos esportes que utilizam o membro superior, como por exemplo: handball, squash, remo, esportes de arremesso, entre outros, mesmo aqueles que não praticam esporte algum estão sujeitos a desenvolver uma epicondilite do cotovelo, especialmente quando realizam atividades repetitivas com a mão, punho ou cotovelo. Alguns exemplos são: datilografia, carpintaria, pintura e outras atividades manuais.

Como já foi dito anteriormente a dor pode estar localizada do lado de fora do cotovelo (epicondilite lateral). Inicialmente a dor é leve, mas vai piorando progressivamente, podendo se irradiar para antebraço, punho e mão, algumas vezes a dor pode ser tão forte que o indivíduo não consegue realizar atividades habituais como segurar ou levantar objetos leves.

Os principais sinais e sintomas de epicondilite lateral são: Dor no cotovelo com piora gradual, Irradiação da dor da parte externa do cotovelo para o antebraço e para as costas da mão, principalmente ao segurar ou torcer alguma coisa, Fraqueza, Rigidez muscular, sensibilidade na região afetada.

Se os sintomas não melhorarem dentro de 3 a 4 semanas, procure um ortopedista para orientar corretamente o tratamento, que pode incluir medidas como imobilização ou Fisioterapia. Em alguns casos mais refratários pode ser necessário o uso de acupuntura, infiltrações ou até mesmo tratamento cirúrgico.

Epicondilite lateral é, geralmente, diagnosticada com base no histórico clínico do paciente e em um exame físico, um raio-X pode ajudar o médico a excluir possíveis outras causas dos sintomas, como uma fratura ou artrite. Raramente, outros exames de imagem mais abrangentes como a ressonância magnética nuclear são necessários.

Se não for tratada, a epicondilite lateral pode causar dor de cotovelo crônica, limitação de movimentos, contração duradoura do cotovelo, e o mais grave é o afastamento do trabalho e de atividades diárias.

O tratamento para epicondilite lateral pode durar desde 8 semanas à alguns meses e, normalmente, é feito com, Fisioterapia que inclui exercícios de alongamento, massagem com frio e estimulação elétrica dos músculos, uso de uma fita adesiva no antebraço, chamada kinesio tape, para restringir o movimento dos músculos e do tendões afetados, a acupuntura também pode ser indicada, trazendo alívio da dor. Durante o tratamento, é recomendado o repouso das atividades que desencadearam a dor, por isso é indicado diminuir o ritmo dos treinos na academia e evitar fazer esportes como tênis, golfe, voleibol, handebol ou até mesmo do trabalho.

Remédios antiinflamatórios, como Ibuprofeno, durante no máximo 7 dias, aplicar pomada como Diclofenaco diariamente, nos casos onde o tratamento não diminui os sintomas, o médico pode ainda receitar injeções de corticóides.

A fisioterapia pode ajudar a controlar a dor e a melhorar os movimentos. Alguns recursos que podem ser usados são equipamentos que combatem a inflamação, como tens ultrassom, laser, ondas de choque e iontoforose.

Uso de compressas com gelo e exercícios de fortalecimento e alongamento, assim com técnicas de massagem transversa também são úteis para acelerar a cura.

A epicondilite lateral tem cura e o seu tratamento deve ser feito com a combinação de remédios e fisioterapia, podendo, nos casos mais graves, também pode incluir cirurgia, somente cerca de 20% necessitam de tratamento cirúrgico.

O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia. Atua em São Carlos.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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