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quarta, 21 de abril de 2021
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DIA A DIA NO DIVÃ: Transtornos mentais são terceira maior causa de afastamento de trabalho no Brasil

09 Out 2017 - 03h52Por (*) Bianca Gianlorenço
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Nos últimos quatro anos, transtornos mentais e comportamentais, foram a terceira maior causa de afastamento dos trabalhadores brasileiros. Mais de 17 mil casos de concessão do auxílio-doença e da aposentadoria por invalidez foram registrados entre 2012 e 2016. No mundo, mais de 400 milhões de pessoas possuem algum tipo de transtorno mental.

Os transtornos mentais, são como qualquer outra doença, que precisa ser prevenida, tratada, assistida, mas infelizmente o acesso a rede de tratamento é bem precária no nosso país. Além disso, o preconceito contra pessoas que convivem com esquizofrenia e depressão, por exemplo, ainda perdura. A falta de informação, prolonga a dor de milhões de pessoas.

Não conversamos sobre saúde mental, a família muitas vezes não sabe identificar comportamentos desajustados, e quando percebe não sabem o que fazer, que tipo de assistência procurar, se deve internar ou não, enfim...

Um transtorno mental não nasce do nada e nem seus sintomas são aleatórios; muito pelo contrário, qualquer transtorno forma um quebra cabeça no qual seus elementos são lógicos e compreensíveis.

Desta forma podemos nos perguntar: o que ocorre para que se desenvolva um transtorno psicológico? Que predisposições precisam existir? Existe uma relação causa- efeito?

As doenças mentais supõem uma alteração do comportamento e da razão de uma pessoa. Este transtorno faz com que, em alguns casos, não se possa levar uma vida normal, ou ocorra a necessidade de um tratamento constante para que se possa viver dentro da "normalidade". Assim, falamos de transtorno quando, o problema limita a vida da pessoa e se converte em uma causa de desadaptação do cotidiano.

A primeira ideia da causa de desenvolvimento de um transtorno psicológico é o trauma. Um trauma vivido na infância (maus tratos, violência, sexual, doméstica, etc) pode deixar sequelas que perdurem e afetem a vida adulta, para não dizer a vida toda. Não existe uma idade determinada para o aparecimento de um trauma, o que sabemos é que eles podem provocar transtornos da alimentação, transtornos do pânico, de ansiedade ou outros. Como já dizia Sigmund Freud:

"Os acontecimentos traumáticos que vêm da infância estão no inconsciente e podem se tornar conscientes em qualquer momento e idade. De nenhuma maneira o consciente consegue associar situações traumáticas da infância com situações cotidianas na vida adulta. Isto faz com que se desenvolva um transtorno psicológico".

Existe fatores ambientais que podem provocar o desencadeamento, por exemplo, a morte de um ente querido pode gerar um estresse e se transformar em um luto patológico, assim como situações de separações, abusos de álcool e drogas.

As expectativas sociais podem provocar transtornos alimentares, principalmente entre os jovens. A constante publicidade que dita um padrão de perfeição corporal e de beleza, faz com que este problema seja agravado, aumentando a incidência dos mesmos e fazendo com que a idade de risco se amplie.

Portanto, são vários fatores que ajudam a desenvolver um transtorno psicológico, ele não surge de repente, é preciso ficar atento aos sinais, ao estilo de vida e principalmente, eliminar a resistência em procurar ajuda quando necessário.

Listo alguns transtornos mentais, a identificação de algum sintoma não significa que a pessoa é portadora, é preciso um diagnóstico especializado que comprove a doença.

1. Transtornos de Ansiedade

Ansiedade é uma reação normal que temos quando estamos diante de situações de estresse e incerteza. Mas o transtorno de ansiedade é diagnosticado quando vários sintomas ansiosos causam desconforto ou algum grau de comprometimento funcional na vida da pessoa. Uma pessoa com transtorno de ansiedade pode ter dificuldades em diferentes áreas da vida: nos relacionamentos sociais e familiares, no trabalho, na escola, etc. Existem diferentes tipos de transtornos de ansiedade:

1.1. O Ataque de Pânico

O ataque de pânico é um súbito início de medo ou de terror intenso, muitas vezes, vem associado com sentimentos de morte iminente. Os sintomas incluem falta de ar, palpitações, dor no peito e desconforto.

1.2. Os Transtornos Fóbicos

Muitas pessoas admitem ter medo de cobras ou aranhas, mas conseguem manter esse medo sob controle. A pessoa que sofre uma fobia não é capaz de controlar o medo. Estes sentem um medo irracional quando se deparam com um objeto, um animal ou uma situação que estimula sua fobia. 

 Existem diferentes estímulos fóbicos que desencadeiam esse medo irracional: viajar de avião, dirigir um carro, elevadores, palhaços, dentistas, sangue, tempestades, etc. As mais comuns são:

1.2.1. A Fobia Social

A fobia social é um transtorno de ansiedade muito comum, e não deve ser confundido com timidez. Se trata de um forte medo irracional de situações de interação social. Quem sofre deste distúrbio sente extrema ansiedade pela possibilidade de ser julgado pelos outros, de ser o centro das atenções, de ser criticado ou humilhado e pode sentir esse medo até mesmo ao falar no telefone. Eles simplesmente não conseguem fazer apresentações em público, comer em restaurantes ou na frente de alguém, ir a eventos sociais, conhecer novas pessoas.

 

1.3. O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

É uma condição na qual o indivíduo experimenta pensamentos, ideias ou imagens intrusivas, certos rituais ou ações (compulsões) para reduzir a ansiedade e se sentir melhor.
As obsessões incluem o medo de se contaminar, sentimentos de dúvida (por exemplo, será que eu desliguei o gás?), Pensamentos de fazer mal a alguém, pensamentos que vão contra as crenças religiosas da pessoa, entre outros. Algumas compulsões incluem: verificar, contar, lavar, organizar repetidamente as coisas e assim por diante.

 

 

2. O Transtorno de Humor

Existem diferentes tipos de transtorno de humor e, como o próprio nome sugere, sua principal característica é a alteração de humor do indivíduo. Os mais comuns são:

 

2.1. O Transtorno Bipolar

O transtorno bipolar pode afetar a forma como uma pessoa se sente, pensa e age. É caracterizado pelas alterações de humor exageradas e vai muito além de uma simples mudança de humor ou uma instabilidade emocional. Os ciclos de transtorno bipolar podem durar dias, semanas ou meses, prejudicando seriamente o trabalho e as relações sociais.
O distúrbio bipolar raramente pode ser tratado sem medicação, pois é necessário estabilizar o humor do paciente. Durante os episódios de mania, a pessoa pode até mesmo deixar o seu emprego, aumentar suas dívidas, e se sentir cheio de energia apesar de ter dormido apenas duas horas por dia. Durante os episódios depressivos, a mesma pessoa não consegue nem sequer sair da cama. Existem diferentes tipos de transtorno bipolar, e também há uma versão mais leve do transtorno, chamado ciclotimia.

 

 

2.2. O Transtorno depressivo

Muitas pessoas se sentem deprimidas em alguns momentos de suas vidas. Sentimentos de decepção, frustração e até mesmo de desespero são normais. A depressão é uma psicopatologia grave e debilitante, e afeta a maneira como uma pessoa se sente, pensa e age. Pode causar tanto sintomas físicos como psicológicos. Por exemplo: problemas de digestão, problemas de sono, mal-estar, fadiga, etc.

3. Transtorno Alimentar

Existem diferentes tipos de transtornos alimentares. Os mais comuns são:

 

3.1. Anorexia Nervosa

A anorexia se caracteriza pela obsessão do controle da quantidade de comida que se consume. Um de seus sintomas mais característico é a distorção da imagem corporal. Pessoas que sofrem de anorexia restringem a ingestão de alimentos fazendo dietas, jejuns e até mesmo exercícios físicos excessivos. Dificilmente comem e o pouco de alimento que ingerem lhes provoca uma intensa sensação de desconforto.

3.2. Bulimia Nervosa

É um transtorno do comportamento alimentar caracterizado por padrões alimentares anormais, com episódios de ingestão de alimentos em massa, seguido por manobras que procuram eliminar as calorias (indução de vômitos, laxante, etc.). Após esses episódios, é comum que a pessoa se sinta triste, mal humorada e tenha sentimentos de auto compaixão.

3.3. Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica

É uma doença grave onde a pessoa consome com frequência grandes quantidades de alimentos e só depois se dá conta de que perdeu completamente o controle durante a compulsão. Depois de comer em excesso, a pessoa se sente ansiosa e angustiada e daí aparece a preocupação com o peso.

4. Transtornos Psicóticos

São psicopatologias graves em que as pessoas perdem o contato com a realidade. Dois dos principais sintomas são os delírios e as alucinações

Os distúrbios psicóticos mais comuns são:

 

 

 

 

4.1. O Transtorno Delirante

O Transtorno delirante ou paranoia é um transtorno psicótico caracterizado por uma ou várias ideias delirantes. Onde essas pessoas estão totalmente convencidas de coisas que não são verdadeiras. Por exemplo, que alguém lhes persegue para prejudicá-los.

4.2. Esquizofrenia

A esquizofrenia é outro transtorno psicótico, mas neste caso, a pessoa sofre alucinações e pensamentos perturbantes que a isolam de atividades sociais. A esquizofrenia é uma doença muito grave, mas há tratamentos bastante eficazes para que esses pacientes possam desfrutar sua vida da melhor forma possível.

A família ao identificar uma mudança brusca no comportamento, deve consultar um psiquiatra, que prescreverá o tratamento adequado.

Em São Carlos, contamos com 3 Centros de Atendimento Psicossocial, os Caps que fornecem acompanhamento adequado e gratuito.

Segue os endereços:

Caps Mental- Fornece atendimento a adultos portadores de transtornos mentais

Rua Floriano Peixoto, 216- Vila Prado

Caps AD- Fornece atendimento a usuários dependentes de álcool e drogas

Rua São Sebastião, 3002- Vila Nery

Caps infantil- Fornece atendimento a crianças e adolescentes

Rua Major José Inácio, 2381-Centro

(*) A autora é graduada em psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, Especialista em psicologia clínica psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica e social em uma organização não governamental.

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