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terça, 28 de setembro de 2021
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DIA A DIA NO DIVÃ: Os males da ansiedade nas relações interpessoais

11 Dez 2017 - 01h15Por (*) Bianca Gianlorenço
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Quem conhece ou convive com uma pessoa ansiosa, seja no ambiente doméstico ou no trabalho, sabe que para o ansioso tudo tem que ser feito na hora, uma vez que a impaciência, a inquietude são suas características mais marcantes.

E nessa situação, em que os pensamentos estão acelerados, as emoções afloram.

E é claro que afeta o comportamento e tudo torna-se um abismo intransponível.

Os pensamentos do ansioso são de cunho catastrófico, negativos e para ele a tragédia já está formada e não é exagero dizer isso.

Como sofre por antecipação, devido a essas emoções desajustadas, não adianta negociar com ele.

Nesse momento, diante de um problema qualquer do cotidiano, seu bem estar é abalado e tudo desanda.

E quem convive com uma pessoa ansiosa não adianta fazê-la parar para pensar.

Tudo é absolutamente radical aos olhos dela. Males da ansiedade.

E o senso comum tem o hábito de dizer:

"Calma! Para o ansioso essa palavra é um gatilho para a tempestade de desequilíbrio emocional e comportamental, tomar conta da situação."

Então o que fazer? Deixar ele descarregar aquele falatório incessante e repetitivo?

É uma situação muito difícil de ser enfrentada. Haja paciência e tolerância!

Nessa situação o sofrimento atinge a todos. O ansioso sofre porque não consegue ter controle sobre suas emoções e comportamentos. Ele sofre por antecipação, na cabeça dele, já existe um problema, o qual ele não conseguirá resolver.

Sofrem os familiares que convivem, pois muitas vezes não sabem como agir.

E nas relações de trabalho, muitas vezes, esse ansioso não consegue ter boas relações com os colegas, uma vez que se sente incompreendido, afetando diretamente seus resultados na empresa, onde muitas vezes seu potencial criativo não é considerado e promoções para cargos de chefia logo são descartados.

Porque administrar, gerir pessoas, tomar providências e atitudes frente à empresa, torna-se uma missão difícil, já que seu psiquismo está uma confusão total.

Você já deve ter ouvido algo como:

"Se a casa está uma bagunça, a cabeça do dono está um verdadeiro caos."

Por que?

Porque temos que nos organizar internamente para então conseguirmos nos organizar externamente.

E isso vale para todas as áreas da nossa vida.

Muitas vezes não damos a atenção devida à nossa saúde mental.

Nos preocupamos em cuidar da saúde física, porém esquecemos que adoecimento mental afeta diretamente nesse aspecto.

E vamos levando a vida de forma acelerada, em um "corre-corre" sem fim.

Para que correr tanto?

Escuta-se com frequência frases como:

"Nossa! A vida está tão corrida né? Afinal você está correndo tanto por quê e para quê?

Deve-se entender que para ter uma vida com mais tranquilidade e saudável é necessário ter um tempo só para você, e esse tempo é para você cuidar da sua saúde mental! Como?

Fazendo sua terapia, praticando esporte, ficando "à toa", parando vez ou outra para sentir seu coração bater, sua respiração, sua vida fluir.

Quando a pessoa entende essa mudança interna, ela investe nela mesmo.

Como?

Vá para a sua terapia, desligue o celular (que por mais que seja difícil admitir, nos dias de hoje, acaba por fazer todos nós prisioneiros), esqueça tudo lá fora e dentro do consultório, se abra para o autoconhecimento, autodescobertas e então mudanças profundas começam a acontecer.

E no dia a dia, na sua casa, no trabalho, as pessoas começam a perceber a transformação que está acontecendo em você!

E ele próprio nos fala das mudanças na sua vida:

  • Menos conflitos familiares,
  • Melhoria no ambiente de trabalho,
  • Resultados rápidos nas metas de trabalho,
  • Equipe mais unida,
  • Engajamento nas metas,
  • Relações mais tranquilas uma vez que há mais diálogo
  • E mais respeito às diferenças.

Com a terapia, a pessoa que nas reuniões de trabalho antes não se colocava, não expunha suas ideias, seus pensamentos, agora com segurança e autoestima expõe suas opiniões, esclarece situações e passa a ser respeitado e admirado aos olhos de toda a equipe.

Com a terapia a saúde mental e física apresentam melhoras incontestáveis.

Por que?

A pressão arterial que vivia nas alturas, agora está equilibrada.

Aquele "nó" no estômago desapareceu.

Aquele peso absurdo nos ombros ainda aparece, as vezes, mas não com tanta frequência como antes.

Sabe por quê?

 A pessoa aprendeu a mudar pensamentos que antes eram extremamente disfuncionais, negativos, catastróficos, para pensamentos mais positivos, com crenças mais funcionais e pontuais ao invés de crenças distorcidas.

Sem esquecer de citar a autoestima que fica cada vez mais difícil de ser derrubada.

Porque agora você sabe o que quer, você se conhece, conhece suas capacidades e habilidades e aprendeu com a terapia a trabalhar para conseguir seus objetivos e metas.

E tem mais, a terapia proporciona além disso o cuidar-se com mais esmero, o olhar-se no espelho com admiração e respeito próprio.

E com tudo, relacionar-se com as pessoas com mais amor e respeito.

Concluímos que essa mal fadada ansiedade não faz bem pra ninguém.

E tendo conhecimento da forma de se livrar dela, porque não ir atrás e ser feliz e contribuir também para que, a vida das pessoas que convivem conosco sejam mais leves?

(*) A autora é graduada em psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. Sugestões: biagian@hotmail.com. Facebook: Bianca Gianlorenço 

 

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