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terça, 21 de setembro de 2021
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DIA A DIA NO DIVÃ: Depressão em Idosos, uma realidade que pode ser combatida

04 Dez 2017 - 02h55Por (*) Bianca Gianlorenço
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

A cada dia acompanhamos o rápido aumento do número de pessoas idosas em todo o mundo e o Brasil faz parte dessa realidade. Depressão em idosos.

Estima-se que em menos de 10 anos, nosso país ocupará o 6º lugar no ranking mundial entre os países com maior número de idosos na população e que até 2050 tenhamos cerca de 2 bilhões de idosos no mundo.

Isso se deve ao aumento da expectativa de vida.

Estes dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde servem como um grande alerta.

Devemos desde já, nos preparar e buscar conhecer as características desta fase da vida, assim como encontrar e desenvolver meios que possibilitem uma velhice mais produtiva e com maior qualidade de vida.

A vida segue um curso comum para todos: passamos pela infância, adolescência, idade adulta e chega-se a melhor idade. Depressão em idosos.

Apesar de todas estas fases serem compreendidas e aceitas pela sociedade, não existe de fato um marco ou fator que determine o início e/ou final exato de cada uma delas.

Tudo isso depende de uma série de fatores internos e externos ao sujeito, como os aspectos sociais, biológicos e psicológicos que fazem parte do seu contexto de vida.

O processo de envelhecimento se inicia desde a mais tenra idade e culmina na fase da melhor idade.

É comum que essa fase seja lembrada ou associada aos déficits e perdas que a idade avançada gera para a pessoa, como:

  • As dores,Depressão em idosos.
  • O cansaço,
  • O isolamento,
  • O surgimento de doenças,
  • As limitações físicas e de locomoção,
  • A diminuição na produtividade
  • E a tristeza.

Mas ela também carrega consigo algo que somente o passar dos anos pode nos dar:

A experiência, a maturidade e a sabedoria. 

Todos nós passamos por um período de grande produtividade, preocupações e responsabilidades que por muitas vezes nos faz sentir vivos, ativos e contribuintes com a sociedade, e isto gera uma sensação de grande satisfação pessoal.

Mas por outro lado, se estes mesmos atributos ocupam um lugar excessivo em nossa rotina ou se em dado momento eles são retirados de maneira abrupta, podemos de igual modo desenvolver alguns transtornos como o Estresse e a Depressão.

A saída da vida adulta para a melhor idade, não é algo tão fácil de lidar e muitas pessoas tem dificuldade em aceita-la, principalmente porque os sinais do envelhecimento se tornam mais aparentes, não somente no aspecto físico, mas também no psicológico, principalmente no que se refere à memória e às emoções.

A entrada na melhor idade vem muitas vezes acompanhada da conclusão da jornada de trabalho, que se manteve presente na rotina por anos e anos seguidos, até o momento em que a aposentadoria se torna inevitável.

Este momento acaba carregando consigo:

  • A separação gradual dos colegas de trabalho que estiveram presentes por longa data,
  • O excesso de tempo ocioso e a preocupação sobre o que fazer com ele,
  • A aproximação e conscientização sobre a finitude da vida,
  • O surgimento de algumas doenças físicas e mentais,
  • A morte de familiares e amigos queridos.

Todos estes fatores agregados, colaboram de maneira bastante peculiar para o surgimento do Transtorno Depressivo no Idoso. Além disso, é possível constatar que este Transtorno é um dos mais comuns nesta fase da vida.

A descoberta de uma doença crônica pode ser também um fator desencadeador da Depressão, devido à imposição de restrições ou cuidados excessivo ao idoso, mas o contrário, também é verdadeiro: A depressão pode influenciar negativamente a saúde física.

Deve-se ficar atento aos sinais, pois o índice de suicídio entre os idosos é extremamente elevado.

Os sintomas da Depressão no Idoso não se difere muito da depressão no adulto.

Entretanto, o idoso não costuma dizer que está se sentido triste ou melancólico, mas é possível perceber as alterações em seu comportamento e fazer o acompanhamento adequado.

O que normalmente ocorre é que este Idoso, após observação e avaliação, é comunicado sobre a existência da Depressão e da necessidade de tratamento.

Os sintomas mais comuns:

  • Tristeza profunda e apatia,Depressão em idosos.
  • Alteração na rotina de sono (que seja diferente daquela já estabelecida),
  • Alteração do apetite e no ganho/perda de peso,
  • Dificuldade de atenção e concentração,
  • Alteração da memória,
  • Mudanças de humor,
  • Choro,
  • Irritabilidade,
  • Nervosismo e agitação/retardo psicomotor,
  • Entre outros.

Infelizmente nos deparamos nesse ponto, com a dificuldade de aceitação do diagnóstico e adesão ao tratamento, que implica no agravamento do quadro depressivo.

Mas ao considerar a concordância ao tratamento, o idoso tem possibilidade de desfrutar de uma vida com mais equilíbrio e satisfação.

O tratamento da Depressão na melhor idade, inclui: Depressão em idosos.

  • Terapia medicamentosa (que deverá ser acompanhada e avaliada a sua necessidade por um psiquiatra ou geriatra),
  • Psicoterapia individual ou em grupo,
  • Atividades sociais,
  • Trabalhos manuais,
  • Musicoterapia,
  • Outros tantos recursos que possam contribuir para a ressignificação das perdas e limitações desta fase, e que também colaborem para a inserção e ativação do papel social que este Idoso tem, e pode ter, como contribuinte na comunidade. Não poderia deixar de destacar o quão importante é que o idoso, não somente o que está com Depressão, possa contar com oapoio familiar, como um fator de proteção na prevenção da Depressão e outros transtornos.

Alguns estudos nos comprovam que idosos que são institucionalizados (Asilos/abrigos) tendem a ser mais depressivos em relação àqueles que permanecem em convivência familiar e na comunidade, apesar de não podermos deixar de verificar e considerar as condições e contexto de vida de cada um.

(*) A autora é graduada em psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. Sugestões: biagian@hotmail.com. Facebook: Bianca Gianlorenço 

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