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quarta, 21 de abril de 2021
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Depressão na terceira idade

22 Abr 2019 - 06h50Por (*) Bianca Gianlorenço
Depressão na terceira idade -

A depressão é uma das doenças mentais que mais atinge os idosos. A prevalência da doença e como ela se manifesta pode variar de acordo com a situação vivida pelo idoso. Para aqueles que vivem com a família e estão inseridos na comunidade, a prevalência de sintomas depressivos gira em torno de 15% da população idosa. Esse número pode dobrar quando nos deparamos com idosos institucionalizados, que estão em casas de repouso ou asilos. Em pacientes hospitalizados por problemas de saúde, a prevalência chega a quase 50%.

Clinicamente, uma das principais diferenças entre a depressão que atinge a população idosa frente à que acomete os mais jovens são as queixas somáticas, muito mais intensas e frequentes nos mais velhos. Frequentemente os sintomas depressivos nesta população traduzem-se por queixas de dores pelo corpo, falta de apetite e insônia, perda de energia para realizar as tarefas do dia-dia, sendo a tendência ao isolamento e a apatia dois sinais de alerta para a identificação da doença.

Em um primeiro momento, muitas vezes não há a exteriorização de sintomas depressivos mais clássicos, como tristeza, angústia, crises de choro. Em geral, o quadro de depressão no idoso é menos exuberante.

A depressão não tem uma causa específica, podendo ser desencadeada por uma mistura de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Além de fatores ambientais, inerentes ao envelhecimento, a depressão em idosos pode se manifestar a partir de uma série de problemas relacionados à terceira idade como o afastamento da família, a perda do papel social com a aposentadoria, falecimento do cônjuge e solidão. Limitações físicas e fatores clínicos como AVC, infarto e doenças cardiovasculares também podem contribuir para o desenvolvimento de um quadro de depressão. 

Além da qualidade de vida, a doença pode também interferir em aspectos físicos à medida que leva o indivíduo a uma menor disponibilidade para colocar em prática medidas essenciais para a manutenção de uma boa qualidade de vida e para controle de outros problemas de saúde, tais como manter uma dieta saudável e praticar exercícios físicos regularmente.

Se existe alteração no comportamento, na forma como o idoso se apresenta, se está mais quieto e isolado, comendo menos, mais apático, menos ativo, tudo isso precisa ser sempre levado em consideração. Ainda enfrentamos grandes dificuldades pelo fato de as pessoas considerarem o aparecimento de sintomas depressivos, alterações cognitivas e declínio funcional como sendo próprios do processo natural de envelhecimento e que, portanto, não requerem atenção e tratamento. Isso atrasa a busca por ajuda especializada e prejudica intensamente o tratamento. O envelhecimento normal é o envelhecimento saudável, e a família pode e deve oferecer ajuda ao perceber mudanças.

Qual é a fórmula para envelhecer bem e com saúde? É o que muitos se perguntam! Mas não existe uma fórmula mágica que é acionada assim que completamos 60 anos, trata-se de um cuidado ao longo da vida.

O envelhecimento saudável não acontece aos 60 anos de idade, acontece aos 30, 40. É fruto do que e de como vivemos nossas vidas e cuidamos da nossa saúde. Se nos tornaremos idosos cheios de doenças, frágeis física e emocionalmente ou se vamos envelhecer de forma saudável e ativa, dependerá muito de como cuidamos do corpo, da mente e do ambiente onde estamos inseridos. Colhemos aos 60 aquilo que plantamos ao longo da nossa juventude.

Por isso, vale a pena bater na tecla de que é importante se cuidar, comer bem, praticar exercícios, cultivar bons relacionamentos ao longo da vida porque vamos colher esses resultados no futuro. 

Envelhecer não é fácil, nosso corpo e mente se deterioram, ficamos cansados e às vezes perdemos perspectivas, mas não é o fim do mundo. Há quem encare essa fase como o fim da vida e se feche para possibilidades, oportunidades e prazeres, enquanto outras pessoas encaram com leveza, bom humor, mantendo-se abertas para novas experiências e sensações. O modo como você vai encarar este período é uma escolha sua e a decisão vai influenciar na sua saúde.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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